Monday, November 05, 2012

Espírito burguês e espírito nobre

Por Victor Emanuel Vilela Barbuy
 

Segue texto que serviu de base à palestra que apresentamos, na cidade de Curitiba, no último dia 07 de setembro, por ocasião do III Encontro Nacional Evoliano, sob o título de “Espírito burguês e espírito nobre”. Antes de apresentá-lo, julgamos oportuno fazer uma breve advertência tanto àqueles que nos atacarem por citarmos algumas lições de Julius Evola quanto àqueles que o fizerem por colocarmos o Cristo como modelo de espírito nobre, falarmos em nobreza cristã e nos valermos dos ensinamentos de diversos pensadores católicos. Aos primeiros, provavelmente pseudotomistas de espírito integralmente oposto ao de Santo Tomás de Aquino, recomendamos o estudo da obra do Doutor Angélico, que sempre buscou os aspectos de verdade presentes em todos os pensadores e doutrinas que conheceu, valendo-se, com efeito, de ensinamentos válidos de autores dos quais, partindo da Revelação Cristã, discordava em diversos pontos, tais como Avicena, Averróis, Maimônides, Platão e, é claro, Aristóteles. Do mesmo modo, aos últimos, lembramos que Evola estudou, admirou e citou diversos pensadores tradicionalistas católicos, a exemplo de Joseph De Maistre, Louis De Bonald, Juan Donoso Cortés e o próprio António Sardinha, mais destacado líder e doutrinador do Integralismo Lusitano, além de haver admirado e elogiado, em sua fase mais madura, o Catolicismo tradicional e autêntico, chegando, já em meados da década de 1930, a dizer, a um jornalista que o entrevistou em Viena, conforme recordou ele próprio, em artigo contra O equívoco do “novo paganismo”, publicado na revista Bibliografia Fascista em 1936,  que lhe parecia chegado o tempo “no qual nos achamos quase obrigados a nos declararmos, se não cristãos, ao menos católicos” [1].

 

Espírito burguês e espírito nobre

 

Antes de ser uma classe social, é a burguesia um estado de espírito. É ela, como preleciona Plínio Salgado, este “varão justo, santo e sábio igualmente, encarnação viva de seu povo e descobridor bandeirante das essências de sua pátria”, na expressão de Francisco Elías de Tejada [2], “o próprio espírito da avareza e da sensualidade”, hoje presente em todas as classes, e que se traduz, antes de tudo, pela “preocupação exclusiva pelos bens materiais”, que deixam de se constituir em um meio da Pessoa Humana, ordenado a seu Fim Último, que é Deus, ou a contemplação de Deus na vida eterna, também denominada eterna bem-aventurança, e se transformam em um fim, o mesmo ocorrendo com os cinco sentidos do Homem, tornados fins únicos de todas as suas manifestações e realizações [3]. Tal espírito, a que também podemos denominar burguesismo, mamonismo, ou, ainda, mal burguês, sempre existiu, ainda que seu pleno triunfo tenha se dado apenas entre os fins do século XVIII e albores do século XIX, se fazendo presente, com efeito, em todas as principais civilizações da História, podendo ser aqueles que o encarnam também chamados epicuristas, segundo a denominação dada aos discípulos do hedonista Epicuro nas civilizações grega e romana, ou servidores de Mamon, segundo a terminologia do Evangelho, onde Cristo ensina que não podemos servir a um só tempo a Deus e a Mamon (São Lucas, capítulo XVI, versículo 13).

Isto posto, cumpre assinalar que o termo mamonismo pode ser tomado como sinônimo de burguesismo, ou de espírito burguês, caso compreendido como uma disposição do espírito caracterizada pela ânsia insaciável de lucro e como uma concepção de vida orientada única e exclusivamente aos valores materiais, e também no sentido de poder internacional do dinheiro, de tirania do capital especulativo, de despotismo do ouro, de Internacional Dourada, de potência supranacional e supraestatal que submete ao pesado jugo de sua escravidão, em maior ou menor grau, todos os povos do Orbe Terrestre [4]. Em outras palavras, pode ser o mamonismo tomado no sentido de império despótico e vampiresco das forças do dinheiro e também no sentido de burguesismo, ou seja, de disposição de espírito traduzida na adoração do dinheiro, no culto de Mamon e do Bezerro de Ouro, sendo, neste sentido, marcado, antes de tudo, pela avidez sem limites de enriquecimento material, pela busca do acréscimo ilimitado das riquezas, ou, na frase de Santo Tomás de Aquino, “pela cobiça do lucro, que não conhece limite e tende ao infinito” [5]. Tal expressão do Doutor Angélico define, no entender do Padre Julio Meinvielle [6], e também no nosso, o chamado capitalismo, sistema sócio-econômico essencialmente moderno, antitradicional, que deve ser, como tal, combatido por todos os tradicionalistas autênticos, assim como os gravíssimos danos causados por tal perverso sistema ao tecido social, danos estes que temos o imperioso dever de denunciar, sob pena de com eles compactuar, tendo plena consciência de que, conforme salienta Julius Evola, desenvolveu tal sistema, sob o nefasto signo do liberalismo econômico, ao qual serve o liberalismo político, diversas “formas de pirataria”, bem como de “cínica e antissocial plutocracia” [7].

Ambas as formas de mamonismo estão intimamente relacionadas, levando a avidez desmedida de dinheiro, de bens materiais e, como tais, terrenos, assim como a adoração de tais bens, ao robustecimento igualmente sem limites do poderio do execrável império plutocrático que tiraniza e escraviza, em diferenciados graus, a totalidade das nações da Terra.

O espírito burguês, ou espírito mamonístico, é o espírito do capitalismo, sistema econômico destruidor de famílias e escravizador de homens e de povos em que o sujeito da Economia é o Capital, cujo acréscimo ilimitado, pela aplicação de pretensas leis econômicas mecânicas, é considerado o objetivo final e único de toda a produção [8], e que, como frisa Vázquez de Mella, em discurso proferido no parlamento espanhol a 23 de abril de 1903, não percebe que o problema não é a produção da riqueza, mas sim sua distribuição equitativa [9]. Tal sistema, que, afastando a instrumentalidade da riqueza material, erigiu-a no lugar de Deus, trocando, como diria Heraldo Barbuy, o Sumo Bem pela “suma riqueza” [10], não é o sistema da propriedade privada e da livre iniciativa, que, com efeito, são naturais, já existindo muito antes de seu surgimento, mas, ao contrário, como faz salientar Gustavo Barroso, um sistema em que indivíduos e grupos econômicos podem açambarcar à vontade propriedades alheias, sendo, pois, “em última análise, um destruidor da propriedade” [11]. Neste mesmo diapasão, pondera Hilaire Belloc que o capitalismo é o sistema que emprega o direito de propriedade “em benefício de uns poucos privilegiados contra um número muito maior de homens que, ainda que livres e cidadãos em [suposta] igualdade de condições, carecem de toda base econômica própria” [12], isto é, o sistema econômico no qual os meios de produção são controlados por uma minoria e a esmagadora maioria dos cidadãos se encontra excluída e despossuída [13].

O espírito burguês, reinante no Império de Calibã e de Mamon em que vivemos, é o espírito do Sr. Grandet e das filhas do pai Goriot, de Balzac; do Harpagão de Molière; do Shylock de Shakespeare e do Scrooge de Charles Dickens (antes da visita do fantasma de seu falecido sócio Marley e dos espíritos do Natal Passado, Presente e Futuro). E é o espírito de todos os usurários, dos fariseus que transformaram o Mundo em um vasto mercado governado pelo dinheiro, bem como dos falsos rebeldes que se levantam contra eles e que se nutrem do sentimento de profunda injustiça social gerado pelo sistema capitalista, a exemplo dos adeptos do nefando credo de Karl Marx, o eterno burguês, continuador de Adam Smith e David Ricardo e propugnador do materialismo absoluto, que acreditou como poucos nos mitos burgueses do cientificismo, do tecnicismo e do progresso indefinido, além de tudo haver explicado pelo fator econômico, o que é, com efeito, típico de seu tempo, posto haver sido o século XIX, como anota Carl Schmitt, um século “essencialmente econômico” [14]. Aliás, como observa Plínio Salgado, é absoluta a identidade do marxismo com a filosofia liberal-burguesa predominante em seu tempo [15], assim como com a economia liberal-burguesa, chamada “clássica”, não passando tal sistema, segundo o autor de Vida de Jesus e de Espírito da burguesia, “de um capítulo acrescentado à Economia Burguesa” ´[16]. Assim, é o comunismo, na frase de José Pedro Galvão de Sousa, “uma das formas do sistema capitalista, baseado na dissociação entre capital e trabalho” [17], sendo impossível, como faz ver Plínio Salgado, combater-se o comunismo sem combater-se também o capitalismo e vice-versa, sendo ambos duas faces de uma mesma cabeça, verso e reverso de uma só medalha ou moeda, duas cabeças de uma só serpente, que não é senão o materialismo [18].

Destarte, nós outros não podemos erguer a bandeira do comunismo contra a (des)ordem liberal-burguesa de que ele mesmo deriva e cujo espírito antitradicional encarna até à medula, do mesmo modo que não nos é possível pelejar contra o comunismo invocando os velhos e carcomidos ideais da concepção de Mundo, ou Weltanschauung, liberal-burguesa, que bem podem ser resumidos nos “imortais princípios” da revolução (anti)francesa de 1789, sendo nossa missão, nosso dever, desembainhar a espada da Tradição, pugnando pela destruição da funesta “era liberal-burguesa” e pela restauração da Ordem Tradicional, devidamente adaptada, nos aspectos circunstanciais, à realidade da hora que passa. Para tanto, devemos nós outros, paladinos e arautos da Ordem Tradicional, a única autenticamente orgânica e não utópica, nadar sensatamente contra a corrente, ou, para empregarmos o ditado chinês que deu nome a umas das principais obras de Julius Evola, “cavalgar o tigre” [19], tigre da modernidade materialista e plutocrática, que não pode se lançar contra aquele que o cavalga, aguardando o momento do cansaço do tigre para matá-lo.

Neste mesmo sentido, sustenta o autor de Revolta contra o Mundo Moderno que há, a par da burguesia tomada enquanto classe sócio-econômica, a burguesia compreendida enquanto “um mundo intelectual, uma arte, um costume, uma concepção geral da existência”, formados paralelamente à denominada “revolução do Terceiro Estado” e que ora se apresentam como algo em decadência, caduco e vazio de sentido. Em seguida, frisa o autor de Os homens e as ruínas que são extremamente perigosas as “veleidades de reação” que sabem tão somente fazer referência a instituições, ideias e costumes da decadente civilização, ou “era burguesa”. Isto significaria, segundo o pensador romano de origem siciliana, prover de armas os inimigos, sendo que, em seu sentir, “tudo aquilo que, enquanto mentalidade e espírito burguês”, com seu conformismo e “suas preocupações por uma vida pequena e segura, na qual um materialismo fundamental encontra sua compensação na retórica dos grandes discursos humanitários e democráticos” não pode “mais ter senão uma vida artificial, periférica e precária, por mais tenaz que possa ser sua sobrevivência em amplos estratos de muitos países”. Daí sustentarmos, com Evola, que “reagir em nome dos ídolos, do estilo de vida e dos medíocres valores do mundo burguês” implica em perder a batalha logo de entrada [20]. Isto vale, não é necessário dizer, para todos os vários pretensos grupos tradicionalistas e/ou nacionalistas que se vêm formando no Brasil orientados pelos ideais do chamado conservadorismo anglo-estadunidense, de acentuado cariz liberal, sobretudo dos pontos de vista econômico e político, e que fazem a defesa do espírito burguês, da civilização burguesa e das instituições e valores liberal-burgueses.

O espírito burguês é o espírito liberal, sendo o liberalismo, sistema essencialmente individualista que afirma a liberdade abstrata e praticamente ilimitada, assassina das liberdades concretas, em todos os campos da vida e da Pessoa Humana, afastando-se, em todos esses campos, das regras ditadas pela Moral e pela Tradição, e que se configura na ideologia por excelência não apenas do capitalismo escravizador, mas de todo o Mundo Moderno, que é, em última análise, o Mundo liberal-burguês.

Isto posto, faz-se mister assinalar que assim como, no dizer de Petrarca, pela voz da Razão, no diálogo desta com a Satisfação, que consta da obra Dos remédios da boa e má fortuna, “o verdadeiro nobre não nasce, mas faz-se” [21], o burguês enquanto tal em espírito, que não se confunde necessariamente com o membro da burguesia enquanto classe social, do mesmo modo que o nobre em espírito, que tinha em vista o poeta dos Canzoniere, não se confunde necessariamente com o nobre enquanto membro da classe a que denominamos nobreza, ou seja, enquanto lustre de sangue, o burguês também não nasce tal, mas faz-se pela busca excessiva das riquezas materiais, dos prazeres e da vida cômoda, ou, como diria D. Jerónimo Osório, o chamado “Cícero português”, último bispo de Silves e primeiro bispo do Faro, se referindo ao “vulgo”, à “turba”, a “abastança dos cómodos da vida”, não estimando, segundo ele, ao contrário dos nobres, dos aristocratas, “que deva reputar-se como fito a obtenção de honra e dignidade”, do legítimo “poder e glória” que dão “lustre e nomeada” aos nobres [22].

 A vida cômoda, ou a sua busca, é uma das principais características do burguês, assim como a covardia física, mental e moral deste ser que Léon Bloy, “o mais radical dos ocidentais insurgidos contra o espírito burguês do século”, na frase de Nikolai Berdiaeff [23], disse ter como traço característico “o medo de qualquer determinação heroica que se manifeste nos outros, assim como nele mesmo” [24], não sendo, ademais, senão “um porco que gostaria de morrer de velhice” [25] e um indivíduo que se envergonha de “tudo aquilo que é belo e nobre” [26].

Enfim, o espírito burguês, que se assenhoreou do assim chamado Mundo Moderno, da civilização materialista cujo ocaso vivemos, é um veneno corrosivo, uma doença degenerativa que atinge todos os países do Globo Terrestre e, principalmente, aqueles do Hemisfério Ocidental, transformando os povos em massas amorfas, em turbas inconscientes, e é, ainda, a religião terrena do burguês, amante da vida cômoda e incapaz de acreditar naquilo que transcende os sós elementos puramente materiais. É o espírito, ou categoria ontológica, daqueles que não são capazes de sonhar e que, como tais, já nasceram velhos, conforme sublinha Plínio Salgado [27], que, partindo do princípio de que a idade é um estado de espírito, opõe a juventude perene do Ideal à velhice dos escravos do comodismo e da rotina, dos servos da decrépita ordem liberal-burguesa imperante no carcomido Mundo Moderno, que não é senão, como não cansamos de repetir, o Mundo liberal-burguês por excelência. É, em uma palavra, o espírito dos covardes físicos, mentais e morais que temem tudo aquilo que é grande, belo, nobre e corajoso, daqueles que têm no dinheiro seu Deus e sua Pátria, dos desenraizados desdenhadores do Passado e da Tradição, apegados ao Presente e a suas instituições como a uma tábua de salvação e incapazes de antever o Futuro, inconscientes de que, como faz ver Arlindo Veiga dos Santos, “o Presente que nega o Passado não terá Futuro” [28], assim como “só os sonhadores, só os visionários são senhores do Futuro”, enquanto “os sanchos-panças comem o presente, dormem o presente, morrem o presente”, desaparecendo “sem ter criado as artes, a poesia, as flores, os Impérios” [29].

Há que ressaltar, contudo, que os sonhadores de que fala Arlindo Veiga dos Santos são os sonhadores orgânicos, ou idealistas orgânicos, que desejam melhorar o real com base na Tradição e não perverter a realidade com ideias abstratas, quimeras, mitos brotados na cabeça de ideólogos sonhadores de utopias e irrealizáveis no plano real, os sonhadores que, enfim, sonham conscientes de que as instituições políticas devem brotar da Tradição e da História dos povos e que extraem da História uma Tradição sólida e viva, um coeficiente espiritual de edificação moral, social e cívica, um desenvolvimento estável e verdadeiro, transmissor e enriquecedor do patrimônio de pensamento e de costumes herdado de nossos maiores.

Isto posto, falemos do espírito nobre, a que também podemos denominar espírito aristocrático e espírito de elite, no sentido autêntico, espiritual e não econômico, deste último termo, correspondendo, do mesmo modo, ao espírito samurai do Japão tradicional e ao “espírito de serviço e de sacrifício”, ao “sentido ascético e militar da vida” de que nos fala José Antonio Primo de Rivera [30]. Corresponde tal espírito, ainda, em última análise, ao espírito legionário de que nos fala Evola, que o define como “o hábito daquele que soube escolher a vida mais dura”, daquele que “soube combater ainda que sabendo que a batalha era materialmente perdida”, embora moral e espiritualmente vitoriosa desde o início; de quem “soube convalidar as palavras da antiga saga: Fidelidade é mais forte que o fogo” e por meio do qual se “afirmou a ideia tradicional, que é o senso do honor e da vergonha” [31].

Assim como a burguesia, a nobreza, antes de ser uma classe social, é um estado de espírito, uma categoria ontológica, uma concepção geral da vida, que sempre existiu e sempre combateu contra o espírito burguês, preponderando sobre este nas sociedades tradicionais e hierárquicas, antes do ocaso do denominado Mundo da Tradição.  É tal espírito caracterizado, antes e acima de tudo, pela busca das virtudes espirituais e cívicas, pela existência voltada sobretudo à acumulação de bens extraterrenos, pela rejeição da vida cômoda e o combate sem trégua em prol dos valores perenes da Tradição, que implica, em nossos dias, em nadar sempre contra a maré de erros da inautêntica civilização materialista a que denominamos Modernidade, ou Mundo Moderno.

Segundo D. Jerónimo Osório, o chamado “Cícero português”, já aqui citado e reputado por Francisco Elías de Tejada não apenas “o máximo pensador político dos povos hispânicos” [32], como, ainda, “o supremo pensador hispânico, português e castelhano, de todos os séculos” [33], a nobreza se divide em “nobreza civil” e “nobreza cristã”, a primeira fundada nas virtudes cívicas e a segunda, superior, “nobreza plena e fora de toda a limitação”, estribada na “verdadeira e perfeita virtude e clarificada “por aquele verdadeiro e divino lume da santidade” [34], sendo seus ornamentos, diante da “inconstância das riquezas”, da “fugacidade das horarias e da glória humana”, do “lustre completamente falaz de estirpes e fidalguias”, os únicos “amplos, imortais, divinos”, que não poderão ser estirpados por nenhuma violência, aniquilados com o esquecimento de nenhuma velhice ou extintos por qualquer desastre [35].

Isto posto, salientamos que não partimos aqui da divisão que o autor dos Tratados da nobreza civil e cristã faz entre “a virtude estreme” que distingue um homem dotado daquilo a que chamaríamos de espírito nobre, mas proveniente de linhagem plebeia, e a “nobreza congénita que se aprimorou pelo lustre de qualidades adquiridas”, posto que aquele mérito distingue tão somente aquele varão, que pode ser o primeiro de uma linhagem em que, após gerações o imitando em “seu anelo de glória”, principiará a luzir “o lustre da nobreza egrégia”, ao passo que o brilho da nobreza refulge em todos os membros da família” [36], preferindo chamar, como o fazem, dentre outros, Petrarca, nobre a qualquer um que se diferencie do vulgo pela posse das chamadas virtudes cívicas.  Já a nobreza cristã, para empregarmos a expressão de D. Jerónimo Osório, evidentemente pode ser atingida, no entender do autor do Tratado da verdadeira sabedoria, por todos aqueles que “buscam a honra”, “procuram a dignidade”, “demandam a glória”, ocupando-se, para tanto, “no zelo da virtude cristã”, abraçando “ardentemente a genuína virtude, a absoluta liberalidade, a perfeita moderação de ânimo e as restantes virtudes que nos foram prescritas pelo Senhor”, mantendo-se “firmes nesta fortaleza, única que se ajusta à grandeza e à glória deste nome” [37].

O espírito nobre é o espírito dos que abraçam humildemente a vida heroica e se fazem homens contra os tempos que passam, tanto quanto os burgueses em espírito se fazem homens em favor, consciente ou inconscientemente, destes mesmos tempos; dos extemporâneos, dos inatuais no sentido dado a este termo por Nietzsche, dos inconformados com os valores mesquinhos do Mundo Moderno, dos corajosos física, mental e moralmente, que se dirigem ao campo de batalha conscientes de que, espiritual e eticamente, o triunfo já lhes pertence e que estão dispostos a tudo sacrificar em prol dos valores tradicionais, nada pedindo em troca, muito menos a compreensão dos burgueses amantes da rotina e da vida cômoda e incapazes de atingir a verdadeira honra e a verdadeira glória; dos inimigos, sim, do espírito burguês e da ordem liberal-burguesa, mas, antes disso, afirmadores do próprio espírito nobre e da Ordem Tradicional. É também o “espírito de Cristo” de que nos fala Plínio Salgado, que opõe o espírito essencialmente nobre do Rei dos reis ao espírito burguês, salientando que este último é um espírito de “comodismo, inércia, incapacidade de se elevar a ideais nobilitantes, incompetência para caminhar contra a corrente dos erros e o vendaval da loucura contemporânea” e que o combate contra tal espírito significa, antes de qualquer outra coisa, a autoimposição de “normas de nobreza tanto na vida particular como na vida pública” [38]. Por conseguinte, segundo preleciona o autor de Psicologia da Revolução, nosso combate contra o espírito e o Mundo burguês “deve principiar em nós mesmos”, correspondendo à “revolução interior” [39], sempre pregada por este nobre bandeirante de Deus, da Pátria e da Família, que se fez Chefe do maior movimento tradicionalista e nacionalista da História Pátria, o Integralismo, assim como o principal sistematizador da Doutrina essencialmente cristã, tradicional e brasileira que inspirou tal movimento, reputado por Gerardo Mello Mourão o “mais fascinante grupo da inteligência do País” [40].

Inspirado nos ensinamentos de Plínio Salgado sobre a verdadeira Revolução, Gustavo Barroso, segundo principal doutrinador do Integralismo, sustenta, na obra Espírito do século XX, que a “Revolução Interior”, “Revolução Espiritual”, ou “Revolução Integralista”, definida como “mudança de atitude do espírito em face dos problemas que se lhe apresentam, em qualquer ordem moral ou material”, se realiza em “nosso íntimo e somente após essa realização vai modificar o determinismo ambiente, interferindo na sucessão de causas e efeitos, a fim de criar novas causas que deem como resultado novos efeitos”, sendo, por isso, invencível. É uma Revolução que “muda todos os conceitos e dá um novo sentido de vida”, se processando “com ideias e homens cheios dessas ideias, não correndo o perigo de ver à sua frente, no dia da vitória, um deserto de homens e de ideias” [41].

No mesmo sentido, preleciona Corneliu Codreanu, máximo líder e doutrinador do Movimento Legionário romeno, que “o homem novo e a nação renovada pressupõem uma grande revolução espiritual de todo o povo, isto é, uma mudança da orientação espiritual moderna, e uma ofensiva categórica contra essa orientação” [42].

            Consoante assinala Plínio Salgado, o Ente Humano tem o direito de intervir na marcha da História e quando uma Sociedade está se dissolvendo e um País está na iminência de se desagregar esta intervenção se impõe como um dever [43], razão porque, em nossos dias, neste “mundo de ruínas” de que nos fala Evola, nós outros, antiburgueses sobretudo, como sublinha este, por uma “superior concepção, heroica e aristocrática” da existência humana, temos o imperioso dever de intervir no momento presente, fazendo a nossa parte, por pequena que seja, na luta pelo triunfo do espírito nobre e restauração da Ordem Tradicional, com a consequente derrota do espírito burguês da ordem burguesa, que só se dará por uma autêntica Revolução, ou, como diria o pensador tradicionalista brasileiro Arlindo Veiga dos Santos, criador e principal doutrinador e líder do Movimento Patrianovista, “verdadeira Revolução, REVOLUÇÃO DA ORDEM, contra os aspectos vários da república ‘moderna’”” [44].

            A Revolução Interior, que é permanente, sendo, noutras palavras, uma batalha interna sem fim, uma cruzada travada a todo tempo dentro de nós mesmos, é, em última análise, um combate interior perene entre o nobre e o burguês, sendo nosso dever derrotar o burguês que há em cada um de nós, conscientes de que o guerreiro que o vence é cem vezes mais heroico do que aquele que derrota cem inimigos externos, mas não o inimigo interno, o burguês que há dentro dele.

Tal Revolução – de acordo com o significado mais próprio do termo, que não é senão o seu significado tradicional de tal vocábulo, correspondente àquele astronômico – reconduzirá o Homem e a Sociedade a seu princípio, às bases morais de sua formação, não sendo, ao contrário da revolução moderna, burguesa ou pretensamente proletária, inimiga da Tradição, mas antes restauradora desta, sendo, pois, a única Revolução digna dos nobres, ou aristocratas, em espírito, que não são senão, em última análise aqueles homens que, segundo Evola, “se encontram por assim dizer, de pé entre as ruínas e em meio à dissolução”, mas que, de maneira mais ou menos consciente, pertencem a outro Mundo, que vem a ser o Mundo da Tradição [45].

 

 

 

[1] EVOLA, Julius. El equívoco del “nuevo paganismo”. In Idem. Mas allá del fascismo (antologia organizada por Marcos Ghío). Tradução do italiano e estudo preliminar de Marcos Ghío. 2ª ed. ampliada. Buenos Aires: Ediciones Heracles, 2006, p. 229.

 [2] ELÍAS DE TEJADA, Francisco. Plínio Salgado na Tradição do Brasil. Trad. de Gerardo Dantas Barreto. In VV.AA. Plínio Salgado: “in memoriam”. Vol. II, cit., p. 70.

[3] SALGADO, Plínio. Espírito da burguesia. 3ª ed. In Idem. Obras completas. 2ª ed., vol. XV. São Paulo: Editora das Américas, 1957, pp. 11-12.

[4] Ambos os sentidos de mamonismo aqui analisados foram vistos pelo economista alemão Gottfried Feder, que tratou, particularmente, do segundo, em seu famoso Manifesto para a quebra da servidão do juro do dinheiro (FEDER, Gottfried. Manifiesto para el quebrantamiento de la servidumbre del interés del dinero. In Idem. Manifiesto contra la usura y la servidubre del interés del dinero. Buenos Aires: Editorial Maxim, 1984, pp. 11-80.

[5] AQUINO, Santo Tomás de. Suma Teológica. II.ª parte da II.ª parte, questão 77, artigo 4º, solução. Trad. de Alexandre Corrêa. 1ª ed. Vol. XIV. São Paulo: Livraria Editora Odeon, 1937, p. 294.

[6] MEINVIELLE, Julio. Concepción católica de la Economía (edição virtual). Disponível em:


[7] EVOLA, Julius. Los hombres y las ruinas. Tradução do italiano e estudo preliminar de Marcos Ghio. Buenos Aires: Ediciones Heracles, 1994, p. 59.

[8] Neste sentido, podemos citar, dentre outros, Miguel Reale, que, na obra O capitalismo internacional, de 1935, define capitalismo como “o sistema econômico no qual o sujeito da Economia é o Capital, sendo o acréscimo indefinido deste considerado o objetivo final e único de toda a produção” (REALE, Miguel. O capitalismo internacional. 1ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1935, p. 87), e o Padre Julio Meinvielle, que, em Concepción católica de la Economía, de 1936,  sustenta ser o capitalismo “um sistema econômico que busca o acréscimo ilimitado dos lucros pela aplicação de leis econômicas mecânicas” (MEINVIELLE, Julio. Concepción católica de la Economía, cit.).

[9] VÁZQUEZ DE MELLA, Juan. La cuestión social. Disponível em: http://hispanismo.org/politica-y-sociedad/2839-ante-el-1-de-mayo-textos-del-pensamiento-social-carlista.html. Acesso em 1º de setembro de 2011.

[10] BARBUY, Heraldo. Sumo bem e suma riqueza. Separata do Anuário da Faculdade de Filosofia “Sedes Sapientiae”, da Universidade Católica de São Paulo, 1953, p. 146.

[11] BARROSO. Gustavo. O que o Integralista deve saber. 5ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, S.A, 1937, p. 135.

[12] BELLOC, Hilaire. La crisis de nuestra civilización. Trad. argentina de Carlos María Reyles. Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 1979, p. 154.

[13] Idem. An Essay on the Restoration of Property. Norfolk: HIS Press, 2002

28.

[14] SCHMITT, Carl. O conceito do político - Teoria do partisan. Trad. de Geraldo de Carvalho. 1ª ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2008, p. 91.

[15] SALGADO ,Plínio. Capitalismo e comunismo (1933). In Idem. Madrugada do Espírito. 4ª ed. In Idem. Obras Completas. 2ª ed., vol. VII. São Paulo: Editora das Américas, 1957, pp. 404.

[16] Idem, p. 406.

[17] SOUSA, J. P. Galvão de. Capitalismo, socialismo e comunismo. São Paulo: Instituto Cultural do Trabalho, 1965, p. 12.

[18] SALGADO, Plínio. Capitalismo e comunismo (1933). In Idem. Madrugada do Espírito, cit., p. 399.

[19] EVOLA, Julius. Cabalgar el tigre. Trad. argentina de Marcos Ghio. Buenos Aires: Ediciones Heracles, 1999.

[20] Idem. Los hombres y las ruinas. Tradução do italiano e estudo preliminar de Marcos Ghio. Buenos Aires: Ediciones Heracles, 1994, pp. 145-146.

[21] PETRARCA. De remediis utriusque fortunae, Livro I, diálogo 16. Disponível em:http://petrarca.scarian.net/petrarca_de_remediis_utriusque_fortunae.html. Acesso em 03 de setembro de 2012.

[22] OSÓRIO, D. Jerónimo. Tratado da nobreza civil. In Idem. Tratados da nobreza civil e cristã. Tradução, introdução e anotações de A. Guimarães Pinto. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1996, p. 87.

[23] BERDIAEFF, Nicolas. De l’esprit bourgeois. Tradução de Elisabeth Bellençon. Introdução de Eugène Porret. Paris: Delachaux et Niestlé S. A., p. 43.

[24] BLOY, Léon. Quatre ans de captivité à Cochons-sur-Marne. Vol. II. Paris: Mercure de France, 1935, p. 60.

[25] Idem. L’Invendable. Paris: Mercure de France, 1919, p. 35.

[26] Idem. Exégèse des lieux-communs. Paris: Mercure de France, 1926, p. 195.

[27] SALGADO, Plínio. Código de Ética do Estudante. Disponível em: http://www.integralismo.org.br/?cont=79&vis=. Acesso em 03 de setembro de 2012.

[28] SANTOS, Arlindo Veiga dos. Ideias que marcham no silêncio. São Paulo: Pátria-Nova, 1962, p. 76.

[29] Idem. Totalitários e democráticos na redenção social do Brasil. São Paulo: Pátria-Nova, 1962, p. 23.

[30] PRIMO de Rivera, José Antonio. Discurso de la fundación de la Falange Española. In Idem. Obras completas. Edição cronológica. Recopilação de Agustín del Río Cisneros. Madri: Delegación Nacional de la Sección Feminina de FET y de las JONS, 1954, p. 68.

[31] EVOLA, Julius. Orientamenti. Padova: Edizioni di Ar, 2000, p. 19.

[32] ELÍAS DE TEJADA, Francisco. La Tradición portuguesa: Los Orígenes (1140-1521). Madri: Fundación Francisco Elías de Tejada y Erasmo Pèrcopo y Editorial ACTAS, s.l., 1999, p. 17.

[33] Idem, p. 37.

[34] OSÓRIO, D. Jerónimo. Tratado da nobreza cristã. In Idem. Tratados da nobreza civil e cristã. Tradução, introdução e anotações de A. Guimarães Pinto. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1996, p. 136.

[35] Idem, pp. 224-225.

[36] Idem. Tratado da nobreza civil. In Idem. Tratados da nobreza civil e cristã. Tradução, introdução e anotações de A. Guimarães Pinto. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1996, p. 114.

[37] Tratado da nobreza cristã. In Idem. Tratados da nobreza civil e cristã. Tradução, introdução e anotações de A. Guimarães Pinto. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1996, p. 224.

[38] SALGADO, Plínio. Espírito da burguesia. 3ª ed. In Idem. Obras completas. 2ª ed., vol. XV. São Paulo: Editora das Américas, 1957, pp. 47.

[39] Idem, loc. cit.

[40] MOURÃO, Gerardo Mello. Entrevista concedida ao Diário do Nordeste. Disponível em:

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=414001. Acesso em 1º de setembro de 2012.

[41] BARROSO, Gustavo. Espírito do século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira S/A, 1936, pp. 30-33.

[42] CODREANU, Corneliu Zelea. Manual del Jefe de la Guardia de Hierro.Trad. para o espanhol de Manuel de la Isla Paulin. 2ªed. Barcelona: Ediciones Ojeda, 2004, p. 93.

[43] SALGADO, Plínio. Psicologia da Revolução. 6ª ed. In Idem. Obras Completas. 2ª ed., vol.7. São Paulo: Editora das Américas, 1957, p.9.

[44] SANTOS, Arlindo Veiga dos. As raízes históricas do Patrianovismo. São Paulo: Pátria Nova, 1946, p. 18.

[45] EVOLA, Julius. Cabalgar el tigre. Trad. argentina de Marcos Ghio. Buenos Aires: Ediciones Heracles, 1999, p. 22.

Saturday, June 30, 2012

Breves considerações sobre a "recomendação" da ONU de acabar com a Polícia Militar no Brasil


A ONU (Organização das Nações Unidas), órgão avançado do mamonismo internacional, da usurocracia apátrida e supraestatal, da Internacional Dourada de que são escravos, em maior ou menor grau, todos os povos da Terra, por meio de seu Conselho de Direitos Humanos, “recomendou” nada menos que o fim da Polícia Militar no Brasil. Deixando claro que os “Direitos Humanos” da ideologia moderna promovida pela ONU nada têm que ver com os legítimos Direitos Naturais da Pessoa Humana do Jusnaturalismo Tradicional, ou Clássico, por nós professado, não encontrando sequer fundamento no Direito, como, aliás, bem o demonstrou o jusfilósofo francês Michel Villey na já clássica obra O direito e os direitos humanos [1], e ressaltando também que não apoiamos quaisquer atos ilegais por ventura praticados pela Polícia Militar de qualquer província brasileira, salientamos que o Conselho de Direitos Humanos da ONU está se intrometendo em assunto que não é de sua alçada, sendo tal recomendação um verdadeiro ultraje à soberania e ao pundonor nacional, que deveria ter sido respondido com brio e altivez pelo Governo. E nos perguntamos o motivo de o Conselho de Direitos Humanos da ONU, assim como as inúmeras ONGs de defesa dos “Direitos Humanos” que atuam no Brasil, se preocuparem apenas com os “Direitos Humanos” dos bandidos e jamais com aqueles dos inúmeros trabalhadores honestos, pessoas de bem, policiais e cidadãos em geral, que morrem aos milhares, todos os anos, vítimas desses criminosos, a exemplo dos nove homens da Polícia Militar de São Paulo covardemente assassinados, nos últimos dias, na Capital Paulista, pelos terroristas do PCC (Primeiro Comando da Capital)...

Isto posto, consignamos nosso integral apoio à Polícia Militar, sem a qual o nosso Brasil, que já vive, desde o início da chamada redemocratização, uma escalada sem precedentes da violência, seria um País ainda muito mais violento, e, em nome da soberania e da honra nacional, manifestamos o nosso total repúdio não apenas à “recomendação” do Conselho de Direitos Humanos da ONU, como também a esta organização, que, como dissemos há pouco, não passa de um órgão avançado do mamonismo internacional, da tirânica usurocracia sem pátria, da Internacional Dourada que estende seus tentáculos, em maior ou menor medida, a todas as nações do Mundo, cuja Tradição e Identidade quer destruir.



Victor Emanuel Vilela Barbuy,

Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.

São Paulo, 22 de junho de 2012-LXXIX.





[1] VILLEY, Michel. O direito e os direitos humanos. Trad. de Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão São Paulo: Martins Fontes, 2007.

Thursday, June 14, 2012

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini - In memoriam

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini


Faleceu ontem (13 de junho de 2012), dia de Santo Antônio de Lisboa, de Coimbra, de Pádua e do Mundo inteiro, vítima de embolia pulmonar, no Hospital Stella Maris, em Guarulhos, o Bispo Emérito daquela Diocese, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que foi sepultado hoje à tarde, na Catedral de Nossa Senhora da Conceição de Guarulhos.

Nascido no município paulista de São João da Boa Vista a 20 de maio de 1936, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1959 e apontado Bispo de Guarulhos aos 04 de dezembro de 1991, permanecendo em tal cargo até o dia 23 de novembro de 2011, quando foi sucedido por Dom Joaquim Justino Carreira.

Como todos bem sabem, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini se notabilizou pela luta em defesa da vida humana e contra a chamada “cultura da morte”, assim como por haver denunciado o autoproclamado Partido dos Trabalhadores (PT) como agremiação política que sempre pugnou pela descriminalização do aborto, sendo, com efeito, graças a tal denúncia, depois endossada pelo Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e por diversos bispos de diferentes regiões do País, que tivemos o segundo turno nas últimas eleições presidenciais e que a Presidente Dilma Rousseff, que sempre foi abortista, se comprometeu a não descriminalizar o aborto. Ainda em função de tal campanha, foi Dom Bergonzini eleito, pela revista Época, um dos cem brasileiros mais influentes em 2010, e a Igreja Católica Apostólica Romana foi considerada, no último trimestre daquele ano, a segunda instituição em que o povo brasileiro mais confia depois das Forças Armadas segundo o ICJBrasil (Índice de Confiança na Justiça), produzido pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.

Oremos pela alma de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o “Leão de Guarulhos”, destemido servo de Deus que tanto lutou em defesa do Evangelho e dos Direitos Naturais da Pessoa Humana, sobretudo o mais fundamental deles, que é, como bem sabemos, o Direito à Vida. Que a alma deste bravo legionário de Deus descanse em paz pela misericórdia divina e que o Altíssimo suscite, em nosso Brasil, homens de sua têmpera, religiosos e leigos.



Por Cristo e pela Nação!

Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.
São Paulo, 14 de junho de 2012-LXXIX.

Saturday, June 09, 2012

Cientistas negam aquecimento global antropogênico

Há alguns dias, um grupo de proeminentes cientistas brasileiros das mais importantes universidades e institutos do País, como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA,) a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade de Brasília (UNB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), estando entre eles o renomado físico, meteorologista e hidrólogo Luiz Carlos Baldicero Molion, Pesquisador Sênior do INPE e Professor Associado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), enviou uma carta aberta à Presidente Dilma Rousseff, apresentando uma série de argumentos que desmentem a nefasta farsa do aquecimento global antropogênico, isto é, provocado pela ação humana. Sob o título “Mudanças climáticas: hora de recobrar o bom senso”, tal carta demonstra, antes e acima de tudo, o caráter ideológico do mito do aquecimento global antropogênico, o qual compara ao lysenkoísmo que tanto prejudicou a ciência soviética, e proclama que “o alarmismo ambientalista, em geral, e climático, em particular, terá que ser apeado do seu atual pedestal de privilégios imerecidos e substituído por uma estratégia que privilegie os princípios científicos, o bem comum e o bom senso”. A Frente Integralista Brasileira subscreve a referida carta, que ora transcreve em seu Portal Nacional, e apoia a difusão de seu conteúdo, sublinhando que a falácia do aquecimento global antropogênico é apenas uma das muitas falácias que as forças do mamonismo internacional manejam para manter os países escravizados e, sobretudo, para deter a marcha das nações proletárias rumo ao desenvolvimento, nesta época em que, como diz a supracitada carta, nós outros detemos “um acervo de conhecimentos e recursos físicos, técnicos e humanos, para prover a virtual totalidade das necessidades materiais de uma população ainda maior que a atual”, o que possibilita a universalização, de “forma inteiramente sustentável”, dos “níveis gerais de bem-estar usufruídos pelos países mais avançados”.

Victor Emanuel Vilela Barbuy,
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.
São Paulo, 09 de junho de 2012-LXXIX.

Abaixo segue o texto, na íntegra:
Carta aberta à presidente Dilma Rousseff
Mudanças climáticas: hora de recobrar o bom senso.
Exma. Sra.
Dilma Vana Rousseff
Presidente da República Federativa do Brasil
Excelentíssima Senhora Presidente:
Em uma recente reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, a senhora afirmou que a fantasia não tem lugar nas discussões sobre um novo paradigma de crescimento - do qual a humanidade necessita, com urgência, para proporcionar a extensão dos benefícios do conhecimento a todas as sociedades do planeta. Na mesma ocasião, a senhora assinalou que o debate sobre o desenvolvimento sustentado precisa ser pautado pelo direito dos povos ao progresso, com o devido fundamento científico.
Assim sendo, permita-nos complementar tais formulações, destacando o fato de que as discussões sobre o tema central da agenda ambiental, as mudanças climáticas, têm sido pautadas, predominantemente, por motivações ideológicas, políticas, acadêmicas e econômicas restritas. Isto as têm afastado, não apenas dos princípios basilares da prática científica, como também dos interesses maiores das sociedades de todo o mundo, inclusive a brasileira. Por isso, apresentamos-lhe as considerações a seguir.
1) Não há evidências físicas da influência humana no clima global:
A despeito de todo o sensacionalismo a respeito, não existe qualquer evidência física observada no mundo real que permita demonstrar que as mudanças climáticas globais, ocorridas desde a revolução industrial do século XVIII, sejam anômalas em relação às ocorridas anteriormente, no passado histórico e geológico - anomalias que, se ocorressem, caracterizariam a influência humana.
Todos os prognósticos que indicam elevações exageradas das temperaturas e dos níveis do mar, nas décadas vindouras, além de outros efeitos negativos atribuídos ao lançamento de compostos de carbono de origem humana (antropogênicos) na atmosfera, baseiam-se em projeções de modelos matemáticos, que constituem apenas simplificações limitadas do sistema climático - e, portanto, não deveriam ser usados para fundamentar políticas públicas e estratégias de longo alcance e com grandes impactos socioeconômicos de âmbito global.
A influência humana no clima restringe-se às cidades e seus entornos, em situações específicas de calmarias, sendo estes efeitos bastante conhecidos, mas sem influência em escala planetária.
Para que a ação humana no clima global ficasse demonstrada, seria preciso que, nos últimos dois séculos, estivessem ocorrendo níveis inusitadamente altos de temperaturas e níveis do mar e, principalmente, que as suas taxas de variação (gradientes) fossem superiores às verificadas anteriormente.
O relatório de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) registra que, no período 1850-2000, as temperaturas aumentaram 0,74°C, e que, entre 1870 e 2000, os níveis do mar subiram 0,2 m.
Ora, ao longo do Holoceno, a época geológica correspondente aos últimos 12.000 anos em que a civilização tem existido, houve diversos períodos com temperaturas mais altas que as atuais. No Holoceno Médio, há 5.000-6.000 anos, as temperaturas médias chegaram a ser 2-3°C superiores às atuais, enquanto os níveis do mar atingiam até 3 metros acima do atual. Igualmente, nos períodos quentes conhecidos como Minoano (1500-1200 a.C.), Romano (séc. VI a.C.-V d.C.) e Medieval (séc. X-XIII d.C.), as temperaturas atingiram mais de 1°C acima das atuais.
Quanto às taxas de variação desses indicadores, não se observa qualquer aceleração anormal delas nos últimos dois séculos. Ao contrário, nos últimos 20.000 anos, desde o início do degelo da última glaciação, houve períodos em que as variações de temperaturas e níveis do mar chegaram a ser uma ordem de grandeza mais rápidas que as verificadas desde o século XIX.
Entre 12.900 e 11.600 anos atrás, no período frio denominado Dryas Recente, as temperaturas caíram cerca de 8°C em menos de 50 anos e, ao término dele, voltaram a subir na mesma proporção, em pouco mais de meio século.
Quanto ao nível do mar, ele subiu cerca de 120 metros, entre 18.000 e 6.000 anos atrás, o que equivale a uma taxa média de 1 metro por século, suficiente para impactar visualmente as gerações sucessivas das populações que habitavam as margens continentais. No período entre 14.650 e 14.300 anos atrás, a elevação foi ainda mais rápida, atingindo cerca de 14 metros em apenas 350 anos - equivalente a 4 m por século.
Por conseguinte, as variações observadas no período da industrialização se enquadram, com
muita folga, dentro da faixa de oscilações naturais do clima e, portanto, não podem ser atribuídas ao uso dos combustíveis fósseis ou a qualquer outro tipo de atividade vinculada ao desenvolvimento humano.
Tais dados representam apenas uma ínfima fração das evidências proporcionadas por, literalmente, milhares de estudos realizados em todos os continentes, por cientistas de dezenas de países, devidamente publicados na literatura científica internacional. Desafortunadamente, é raro que algum destes estudos ganhe repercussão na mídia, quase sempre mais inclinada à promoção de um alarmismo sensacionalista e desorientador.
2) A hipótese "antropogênica" é um desserviço à ciência:
A boa prática científica pressupõe a busca permanente de uma convergência entre hipóteses e evidências. Como a hipótese do aquecimento global antropogênico (AGA) não se fundamenta em evidências físicas observadas, a insistência na sua preservação representa um grande desserviço à ciência e à sua necessária colocação a serviço do progresso da humanidade.
A história registra numerosos exemplos dos efeitos nefastos do atrelamento da ciência a ideologias e outros interesses restritos. Nos países da antiga URSS, as ciências biológicas e agrícolas ainda se ressentem das consequências do atraso de décadas provocado pela sua subordinação aos ditames e à truculência de Trofim D. Lysenko, apoiado pelo ditador Josef Stálin e seus sucessores imediatos, que rejeitava a genética, mesmo diante dos avanços obtidos por cientistas de todo o mundo, inclusive na própria URSS, por considerá-la uma ciência "burguesa e antirrevolucionária".
O empenho na imposição do AGA, sem as devidas evidências, equivale a uma versão atual do"lysenkoísmo", que tem custado caro à humanidade, em recursos humanos, técnicos e econômicos desperdiçados com um problema inexistente.
Ademais, ao conferir ao dióxido de carbono (CO2) e outros gases produzidos pelas atividades humanas o papel de principais protagonistas da dinâmica climática, a hipótese do AGA simplifica e distorce um processo extremamente complexo, no qual interagem fatores astrofísicos, atmosféricos, geológicos, geomorfológicos, oceânicos e biológicos, que a ciência apenas começa a entender em sua abrangência.
Um exemplo dos riscos dessa simplificação é a possibilidade real de que o período até a década de 2030 experimente um considerável resfriamento, em vez de aquecimento, devido ao efeito combinado de um período de baixa atividade solar e de uma fase de resfriamento do oceano Pacífico (Oscilação Decadal do Pacífico, ODP), em um cenário semelhante ao verificado entre 1947-1976. Vale observar que, naquele intervalo, o Brasil experimentou uma redução de 10-30% nas chuvas, o que acarretou problemas de abastecimento de água e geração elétrica, além de um aumento das geadas fortes, que muito contribuíram para erradicar o café no Paraná. Se tais condições se repetirem, o País poderá ter sérios problemas, inclusive, nas áreas de expansão da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte e na geração hidrelétrica (particularmente, considerando a proliferação de reservatórios "a fio d'água",impostos pelas restrições ambientais).
A propósito, o decantado limite de 2°C para a elevação das temperaturas, que, supostamente, não poderia ser superado e tem justificado todas as restrições propostas para os combustíveis fósseis, também não tem qualquer base científica: trata-se de uma criação "política" do físico Hans-Joachim Schellnhuber, assessor científico do governo alemão, como admitido por ele próprio, em uma entrevista à revista Der Spiegel (17/10/2010).
3) O alarmismo climático é contraproducente:
O alarmismo que tem caracterizado as discussões sobre as mudanças climáticas é extremamente prejudicial à atitude correta necessária frente a elas, que deve ser orientada pelo bom senso e pelo conceito de resiliência, em lugar de submeter as sociedades a restrições tecnológicas e econômicas absolutamente desnecessárias.
No caso, resiliência significa a flexibilidade das condições físicas de sobrevivência e funcionamento das sociedades, além da capacidade de resposta às emergências, permitindo-lhes reduzir a sua vulnerabilidade às oscilações climáticas e outros fenômenos naturais potencialmente perigosos. Tais requisitos incluem, por exemplo, a redundância de fontes alimentícias (inclusive a disponibilidade de sementes geneticamente modificadas para todas as condições climáticas), capacidade de armazenamento de alimentos, infraestrutura de transportes, energia e comunicações e outros fatores.
Portanto, o caminho mais racional e eficiente para aumentar a resiliência da humanidade, diante das mudanças climáticas inevitáveis, é a elevação geral dos seus níveis de desenvolvimento e progresso aos patamares permitidos pela ciência e pela tecnologia modernas. Além disso, o alarmismo desvia as atenções das emergências e prioridades reais. Um exemplo é a indisponibilidade de sistemas de saneamento básico para mais da metade da população mundial, cujas consequências constituem, de longe, o principal problema ambiental do planeta.
Outro é a falta de acesso à eletricidade, que atinge mais de 1,5 bilhão de pessoas, principalmente, na Ásia, África e América Latina.
No Brasil, sem mencionar o déficit de saneamento, grande parte dos recursos que têm sido alocados a programas vinculados às mudanças climáticas, segundo o enfoque da redução das emissões de carbono, teria uma destinação mais útil à sociedade se fossem empregados na correção de deficiências reais, como: a falta de um satélite meteorológico próprio (de que dispõem países como a China e a Índia); a ampliação e melhor distribuição territorial da rede de estações meteorológicas, inferior aos padrões recomendados pela Organização Meteorológica Mundial, para um território com as dimensões do brasileiro; o aumento do número de radares meteorológicos e a sua interligação aos sistemas de defesa civil; a consolidação de uma base nacional de dados climatológicos, agrupando os dados de todas as estações meteorológicas do País, muitos dos quais sequer foram digitalizados.
4) A "descarbonização" da economia é desnecessária e economicamente deletéria:
Uma vez que as emissões antropogênicas de carbono não provocam impactos verificáveis no clima global, toda a agenda da"descarbonização" da economia, ou "economia de baixo carbono", se torna desnecessária e contraproducente - sendo, na verdade, uma pseudo-solução para um problema inexistente. A insistência na sua preservação, por força da inércia do status quo, não implicará em qualquer efeito sobre o clima, mas tenderá a aprofundar os seus numerosos impactos negativos.
O principal deles é o encarecimento desnecessário das tarifas de energia e de uma série de atividades econômicas, em razão de: a) os pesados subsídios concedidos à exploração de fontes energéticas de baixa eficiência, como a eólica e solar - ademais, inaptas para a geração elétrica de base (e já em retração na União Europeia, que investiu fortemente nelas); b) a imposição de cotas e taxas vinculadas às emissões de carbono, como fizeram a Austrália, sob grande rejeição popular, e a União Europeia, para viabilizar o seu mercado de créditos de carbono; c) a imposição de medidas de captura e sequestro de carbono (CCS) a várias atividades.
Os principais beneficiários de tais medidas têm sido os fornecedores de equipamentos e serviços de CCS e os participantes dos intrinsecamente inúteis mercados de carbono, que não têm qualquer fundamento econômico real e se sustentam tão somente em uma demanda artificial criada sobre uma necessidade inexistente. Vale acrescentar que tais mercados têm se prestado a toda sorte de atividades fraudulentas, inclusive, no Brasil, onde autoridades federais investigam contratos de carbono ilegais envolvendo tribos indígenas, na Amazônia, e a criação irregular de áreas de proteção ambiental para tais finalidades escusas, no estado de São Paulo.
5) É preciso uma guinada para o futuro:
Pela primeira vez na história, a humanidade detém um acervo de conhecimentos e recursos físicos, técnicos e humanos, para prover a virtual totalidade das necessidades materiais de uma população ainda maior que a atual. Esta perspectiva viabiliza a possibilidade de se universalizar - de uma forma inteiramente sustentável - os níveis gerais de bem-estar usufruídos pelos países mais avançados, em termos de infraestrutura de água, saneamento, energia, transportes, comunicações, serviços de saúde e educação e outras conquistas da vida civilizada moderna. A despeito dos falaciosos argumentos contrários a tal perspectiva, os principais obstáculos à sua concretização, em menos de duas gerações, são mentais e políticos, e não físicos e ambientais.
Para tanto, o alarmismo ambientalista, em geral, e climático, em particular, terá que ser apeado do seu atual pedestal de privilégios imerecidos e substituído por uma estratégia que privilegie os princípios científicos, o bem comum e o bom senso.
A conferência Rio+20 poderá ser uma oportuna plataforma para essa necessária reorientação.
Victor Emanuel Vilela Barbuy,
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.
São Paulo, 09 de junho de 2012-LXXIX.

Thursday, May 17, 2012

Duas datas esquecidas


Duas datas esquecidas
 

Palácio Guanabara em fotografia do início do século XX



Por Victor Emanuel Vilela Barbuy



No último dia 11 de Maio, celebramos o 74º aniversário do Levante de 11 de Maio de 1938, única reação armada de vulto contra a ditadura estadonovista de Getúlio Vargas, e, no último dia 13 de Maio, por seu turno, celebramos o 124º aniversário da assinatura, pela Princesa Isabel, então Regente do Império, da Lei Imperial n.º 3.353, de 13 de Maio de 1888, mais conhecida como Lei Áurea, por ter sido assinada com pena de ouro, dada à Regente do Império por grupo de abolicionistas encabeçado por José do Patrocínio.
 O Levante de 11 de Maio, cujo principal ato foi o ataque ao Palácio Guanabara, a despeito de precipitado e à revelia dos líderes do amplo movimento que ora se formara em prol da deposição do ditador, se não tirano, Getúlio Vargas, deve ser sempre recordado como um heroico ato de um pugilo de autênticos patriotas e nacionalistas na acepção integral, sadia e edificadora do vocábulo, e cujos mortos, a maioria fuzilada pelo criminoso Benjamim Vargas, irmão do ditador, devem ser reverenciados como lídimos mártires do Brasil Profundo, Autêntico e Verdadeiro. E que fique registrado que esses legionários de Deus, da Pátria e da Família não atacaram, naquela madrugada, o Palácio Guanabara para matar Vargas, como afirmam alguns adeptos da falsa religião marxista travestidos de historiadores, mas sim para depô-lo e prendê-lo. Ademais, cumpre assinalar que entre os atacantes do Palácio, todos Integralistas, com exceção do covarde Severo Fournier, que dali acabou fugindo, se encontravam o chamado “Almirante Negro” João Cândido, principal líder da denominada Revolta da Chibata, de 1910, e o Príncipe D. João Maria de Orleans e Bragança, neto da Princesa Isabel, que, aliás, residira, por vários anos, no Palácio Guanabara, de que era proprietária.     
Já o 13 de Maio marca o fim do ignominioso sistema escravista no Brasil. Pelo seu gesto grandioso, a Princesa Isabel, a partir de então cognominada a Redentora, trocou o Trono pela redenção de uma estirpe e inscreveu em ouro seu nome na História Pátria. Como recompensa, o Papa Leão XIII a agraciou com a Rosa de Ouro, ofertada a soberanos e personalidades católicas ilustres. Exilada do País, com toda a Família Imperial, após o golpe de Estado de 15 de Novembro de 1889, “guardou para sempre”, no dizer de Plínio Salgado, “a recordação e o amor ao Brasil e a íntima satisfação de haver livrado nossa Pátria da vergonhosa nódoa que maculava sua Bandeira” [1]. Esperamos que estejam corretos aqueles que a consideram santa, de modo que possam um dia se cumprir as palavras ditas pelo Barão de Paranapiacaba à Redentora: "Oxalá veja um dia o mundo católico a vossa beatificação e a Igreja acolha também em seu seio a Santa Isabel brasileira". E igualmente esperamos que ela nos abençoe em nossa luta contra as ideologias racistas que tanto se fortalecem nestes tempos em que as chamadas “esquerdas” trocam cada vez mais a “luta de classes” pela “luta de raças”, bem como em nossa peleja por uma Nova Abolição, Abolição do Povo e da Nação Brasileira da escravidão econômica aos grandes grupos financeiros internacionais, à usurocracia mamonística dos fariseus da Internacional Dourada.
Nestes tempos nefastos em que os ideólogos de um “Brasil Novo”, que não é senão o antiBrasil, substituem, pouco a pouco, nos calendários, as grandes datas da História Nacional por datas de fatos contrários à nossa Tradição Histórica, nós outros, arautos do verdadeiro Brasil Novo, do Brasil Eterno, Profundo, Tradicional e Autêntico, lutamos para que sejam lembradas as grandes datas legítimas e esquecidas de nossa tão nobre e desconhecida História, tais como o 11 de Maio e o 13 de Maio.
Pelo Bem do Brasil!

[1] SALGADO, Plínio. História do Brasil. Vol. II. São Paulo: Editora F.T.D. S.A., 1970, p. 145.
[2] Citado pelo Prof. Hermes Rodrigues Nery em discurso proferido na Catedral de Petrópolis aos 13 dias do mês de Maio do ano de 2012, durante homenagem à Redentora realizada diante do Mausoléu que abriga, dentre outros, os restos mortais dela, de seus genitores, D. Pedro II e D. Teresa Cristina, e de seu esposo, o Conde D'Eu.
Lei Áurea

Pena com que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea

Saturday, April 14, 2012

Padre Afonso Henriques Salgado Chrispim - In memomoriam

Padre Afonso Henriques Salgado Chrispim

Padre Afonso Henriques Salgado Chrispim – In memoriam*


Folheando, há poucos dias, o jornal Testemunho de Fé, da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, soubemos do passamento do companheiro Padre Afonso Henriques Salgado Chrispim para a Milícia do Além, que se deu no último dia 25 de fevereiro, na Capital Fluminense. Não é necessário dizer que recebemos tal notícia com profundo pesar, posto que a Igreja e o Brasil só perdem com a partida deste infatigável soldado de Cristo e da Nação, que tão alto ergueu o lábaro de Deus, da Pátria e da Família, jamais deixando de fazer suas as palavras de Plínio Salgado, injustiçado pensador e Homem de ação católico a que tanto admirava e em cuja memória celebrava todos os anos, aos vinte e dois dias do mês de janeiro, uma Santa Missa, no sentido de que fora por Cristo que se levantara; por Cristo que queria “um grande Brasil”; por Cristo que ensinava “a doutrina da solidariedade humana e da harmonia social”; por Cristo que pelejava e por Cristo que batalharia [1], proclamando, ainda, como o autor da Vida de Jesus, a realeza de Cristo, por cujo Reino devemos nós outros ir à luta, mas uma luta diferente, posto que não seremos portadores de morte, mas sim de vida; nem de aflições, mas sim de consolações e nem de crueza, mas sim de bondade [2].

Por outro lado, é forçoso assinalar que também nos sentimos felizes, pois o Padre Chrispim, como salientou Dom Orani João Tempesta, Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, nas exéquias deste ínclito sacerdote e apóstolo, enquanto todos se preparavam para a Páscoa deste ano, fez a sua quaresma, por meio do sofrer provocado pela doença, e, após falecer, passou a viver de forma definitiva aquilo que buscamos a cada dia. “Imerso no grande mistério de nossa fé, ele vive o que seu coração sempre buscou, exprimiu e pregou, a alegria eterna junto com o Senhor, sem doença, dor e sofrimento” [3].

Fiel até o fim da existência terrena à Fé Católica e à Doutrina, cristã e brasileira a mais não poder, do Integralismo, o Padre Afonso Henriques Salgado Chrispim, dotado, pois, em elevado grau, da magna virtude da fidelidade, foi, nas últimas décadas, não apenas um dos mais notáveis paladinos do Sigma como também um dos mais proeminentes sacerdotes da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que, pelo exemplo e pelos ensinamentos, muitíssimo contribuiu para o engrandecimento espiritual de muitas pessoas. Decerto, se a doença degenerativa que há anos o afetava não o houvesse tão cedo arrebatado deste Mundo, poderia o Padre Chrispim ser, um dia, um grande bispo, que, com suas elevadas virtudes morais e intelectuais, muito faria por Cristo Rei e Redentor e pela Terra de Santa Cruz.

Nascido no Rio de Janeiro a 19 de abril de 1955, filho de Alfredo Chrispim, secretário de Plínio Salgado, e de Magdath Salgado Chrispim, que, a despeito do nome, não era parente do autor de O estrangeiro, o Padre Afonso Henriques Salgado Chrispim, assim batizado em homenagem ao primeiro rei de Portugal, se formou em Engenharia, chegou a ser noivo e, após participar de um encontro vocacional, resolveu deixar tudo e abraçar a vida religiosa. Formado no Seminário São José, na cidade natal, foi ordenado presbítero por D. Eugênio Sales, então Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, aos nove dias do mês de agosto do ano de 1987.

Após as primeiras experiências como presbítero, na Paróquia de Cristo Operário e Santo Cura D’Ars, na Vila Kennedy, no Rio de Janeiro, e na Paróquia de São João Batista e Nossa Senhora das Graças, no bairro de Realengo, na mesma capital, o Padre Chrispim seguiu para Roma, onde fez Mestrado em Teologia Moral pela Università della Croce.

Voltando ao Brasil, foi designado pároco da Paróquia de Santo André, no bairro carioca de São Cristóvão, em que permaneceu por mais de onze anos, se transferindo, em setembro de 2008, para a Paróquia de São Rafael Arcanjo, em Vista Alegre, também na Capital Fluminense. Dali saiu a 09 de dezembro de 2011, um dia antes de ser internado no Hospital Balbino, no bairro de Olaria, onde entregaria a alma a Deus setenta e sete dias mais tarde.

O Padre Chrispim, que, como disse ao deixar a Paróquia de São Rafael Arcanjo, cumpriu sua missão, podendo, ademais, bem fazer suas as célebres palavras de São Paulo Apóstolo no sentido de que combateu o bom combate, consumou sua carreira e guardou a fé, lecionou por diversos anos no Seminário São José, na Escola Diaconal Santo Efrén, na Escola Mater Ecclesiae e no seminário da Arquidiocese de Niterói. Foi também orientador espiritual das comunidades Emaús e Coração Novo e apresentou, por anos, na Rádio Catedral, do Rio de Janeiro, o programa Em defesa da vida e da família.

Encerremos esta breve homenagem a um lídimo legionário de Deus Uno e Trino e deste grande Império do ontem e do amanhã, da Tradição Cristã e da Tradição Nacional Brasileira, tão cedo partido desta terra em demanda da Pátria Celeste, e que, como observou o diácono Thiago Nascimento, não apenas sempre pregou sobre o valor da Cruz como “carregou a sua cruz até o fim, sendo este testemunho vivo de Cristo para nós” [4]. Lamentando profundamente o fato de que, com a partida deste companheiro para a Milícia do Além, ficará mais pobre a Milícia do Aquém, perdendo o Rei dos reis e a Terra de Santa Cruz um de seus mais nobres cruzados, rogamos a Deus, Sumo Bem e Regente dos destinos dos povos e dos entes humanos, que suscite, nas novas gerações brasileiras, homens em geral e sacerdotes em particular da mesma estirpe do Padre Afonso Henriques Salgado Chrispim, claro exemplo daquilo a que o sapientíssimo Dom Jerónimo Osório, derradeiro Bispo de Silves e primeiro Bispo do Faro, chamado o “Cícero português”, denomina “nobreza civil” e “nobreza cristã”, a primeira fundada nas virtudes cívicas e a segunda, superior, “nobreza plena e fora de toda a limitação”, estribada na “verdadeira e perfeita virtude”, sendo clarificada “por aquele verdadeiro e divino lume da santidade” [5].



Por Cristo e pela Nação!

Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira, São Paulo, 12 de abril de 2012-LXXIX.









[1] SALGADO, Plínio. Cristo e o Estado Integral. In Idem. . O Integralismo perante a Nação. 5ª ed. In Idem. Obras Completas. 2ª ed., vol. IX. São Paulo: Editora das Américas, 1959, pp. 201-203.

[2] Idem. Primeiro, Cristo!. 4ª ed. (em verdade 5ª). São Paulo/Brasília: Editora Voz do Oeste/Instituto Nacional do Livro, 1979, pp. 26-27.

[3] TEMPESTA, Dom Orani João, apud MOIOLI, Carlos. Padre Afonso Chrispim celebra sua Páscoa definitiva. In Testemunho de Fé, ano XXI, nº 734 (edição semanal nº 578), Rio de Janeiro, 04 a 10 de março de 2012, p. 6.

[4] NASCIMENTO, Thiago, apud MOIOLI, Carlos. Padre Afonso Chrispim celebra sua Páscoa definitiva, cit.

[5] OSÓRIO, Jerónimo. Tratado da nobreza cristã. In Idem. Tratados da nobreza civil e cristã. Tradução, introdução e anotações de A. Guimarães Pinto. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1996, p. 136. Os Tratados da nobreza civil e cristã, escritos em latim, foram pela primeira vez publicados em Lisboa, no ano de 1542, por Luís Rodrigues, e tiveram mais de uma trintena de edições, no original e em diferentes línguas vernaculares, a maioria delas nos séculos XVI e XVII, sendo a edição aqui citada a primeira e até agora única no idioma de Camões.

*Texto publicado originalmente http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=153

Sunday, April 01, 2012

Homenagem à Revolução de 31 de Março de 1964

Marcha da Família com Deus pela Liberdade


Homenagem à Revolução de 31 de Março de 1964*




Neste dia 31 de Março, celebramos mais um aniversário do Movimento Redentor, do Levante Libertador, do Alçamento Nacional, enfim, da augusta Revolução – e Revolução tanto no sentido de resistência a um governo ilegítimo, contrário ao Bem Comum, quanto nos sentidos de Renovação e de Restauração da Ordem, ou, como diria Plínio Salgado, de retorno ao “equilíbrio perdido” [1], e, claro, jamais no sentido moderno de antiTradição – que, por Deus, pela Pátria e pela Família, unindo o Povo Brasileiro e as Forças Armadas num só ideal e como um só homem, salvou a Terra de Santa Cruz e, com ela, todas as Américas, e, por conseguinte, todo o Mundo, da praga comunista, do câncer vermelho que tantos males espalhou pelo Orbe Terrestre. Isto porque o triunfo daquela Revolução – comparável, em relevância, às vitórias da Polônia sobre o Exército Vermelho da Rússia Soviética, em 1920, na Batalha de Varsóvia, e da Espanha tradicional e autêntica contra as hordas da antiEspanha, ao final da Cruzada, ou segunda Reconquista, de 1936-39, iniciada pelo Alzamiento de 18 de Julho de 1936 – impediu que os sicários de Moscou, Pequim e Havana controlassem o nosso Brasil, País que, por sua importância e posição geopolítica, era, assim com ainda é, a chave para o controle das Américas, cujo domínio faria dos comunistas os vencedores da denominada “Guerra Fria”.

Estão livres para discordar de nós aqueles que afirmam que em 31 de Março de 1964 não tivemos uma Revolução, mas sim uma Contrarrevolução, mas tais indivíduos não podem nos acusar de revolucionários no sentido moderno e antitradicional do termo e devem ter em conta que a absoluta maioria daqueles que fizeram o Movimento de 64 o consideraram uma Revolução e que este termo não significa apenas o processo de desconstrução da Ordem Tradicional ou um movimento no sentido de substituir tal ordem por outra fundada em quimeras, em mitos de natureza ideológica, podendo significar também um movimento de resistência a um governo injusto, isto é, contrário ao Bem Comum, e podendo, ainda, ser compreendido nos sentidos de Renovação e de Restauração, de retorno à Tradição, à Ordem Tradicional, donde observar José Pedro Galvão de Sousa que “o revolucionário nem sempre se opõe ao tradicional” [1]. É este último sentido, aliás, o mais rigoroso do termo, pois, como ressalta Plínio Salgado, a palavra Revolução, como sua etimologia indica, tem o significado de retorno, querendo o prefixo “re” dizer voltar, volver a algo [2]. Daí observar João Ameal que, ao sair da conferência A aliança do sim e do não, de Plínio Salgado, se respirava “uma atmosfera que se poderia chamar, de fato, revolucionária, no sentido mais exato do termo revolução, que significava volta ao ponto de partida”, posto que nela o autor da Vida de Jesus exortara todos “a voltar ao ponto de partida, ao Senhor e Criador que está na origem de tudo e a quem devemos regressar com humilde e incondicional adesão se queremos merecer que nos ensine o Caminho, a Verdade e a Vida” [3].

Quanto à data da Revolução é ela mesmo o 31 de Março de 1964, quando partiu de Minas Gerais, com suas tropas, em direção ao Rio de Janeiro, o General Olímpio Mourão Filho, patriota e nacionalista exemplar, Herói Nacional na plena acepção do termo, que, na década de 1930, fora Chefe do Estado-Maior da Milícia Integralista e escrevera o livro Do liberalismo ao Integralismo. Com efeito, aqueles que alegam que a Revolução deveria ser chamada de Revolução de 1º de Abril por haver triunfado em tal dia deveriam se dedicar mais ao estudo da História, uma vez que todos os movimentos revolucionários são conhecidos pela data de seu início e não por aquela de seu término ou vitória.

No dia 19 de Março de 1964, foi realizada, nas ruas de São Paulo, a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que reuniu meio milhão de pessoas de todas as categorias sociais, unidas contra um desgoverno demagógico, corrupto e irresponsável que arrastava o nosso Brasil para rumos contrários à sua Tradição e à sua Vocação e que estava plenamente comprometido com os elementos que desejavam, na expressão de Plínio Salgado, “extinguir em nossa Nação as liberdades públicas e privadas, abalar as instituições democráticas e nossas tradições cristãs” [4]. Tal manifestação, a maior até então realizada na Capital Bandeirante, expressou, conforme sublinha a Revista Hora Presente, o clamor popular contra o desgoverno que infelicitava a Nação, enquanto a arrancada das tropas do General Mourão Filho, aos trinta e um dias daquele mês, não foi senão “o despertar das Forças Armadas, vindicando o seu pundonor, atendendo ao apelo da vox populi e desembainhando a espada” no intuito de dar um definitivo “basta” às tropelias que vinham sendo praticadas por aqueles que detinham o poder civil e iam conduzindo o País rumo ao caos [5].

Assim, como salienta o Professor Alfredo Buzaid, Ministro da Justiça no Governo do General Emílio Garrastazu Médici, em alocução proferida no dia 1º de abril de 1970, na Semana Comemorativa do Sexto Aniversário da Revolução de 31 de Março de 1964, intitulada Rumos políticos da Revolução Brasileira e transmitida por toda a rede de televisão e rádio, “a Revolução não nasceu de uma quartelada”, havendo sido “um brado de independência do povo e das Forças Armadas, que se identificaram num ideal comum”. “O povo”, prossegue o ilustre jurista e pensador patrício, “saiu à rua em marchas eloquentes por Deus, pela Pátria e pela Família”, e “as Forças Armadas, cuja política de segurança fora preparada pela Escola Superior de Guerra, puseram abaixo um Governo sem moral, sem dignidade e sem decoro”, anunciando “a vitória da Revolução” uma autêntica “aurora de paz e de confiança” [6].

Concordamos plenamente com o Professor Alfredo Buzaid, quando este observa que “a Revolução de 31 de Março é uma revolução no sentido verdadeiro da palavra, porque traz uma mensagem de renovação” [7], e salientamos que, no sentir do Povo e de muitos dos militares que a fizeram, cansados da farsa liberal-democrática que, aliás, a tornara necessária para sanear a vida política nacional, a Revolução Redentora de 31 de Março de 1964 foi uma Revolução Democrática no sentido Integral e Orgânico do termo, constituindo, no dizer do Professor Buzaid, “uma nova atitude do homem em face dos problemas fundamentais da Pátria” e preconizando uma “Democracia Real” que contivesse o “Estado de Direito” mas o superasse por tender a se constituir em “Estado de Justiça, que organizará a produção, manterá a ordem, realizará o equilíbrio dos interesses e assegurará a liberdade” [8]. Infelizmente, porém, sobretudo depois do final do Governo Médici, maior estadista do Brasil republicano, a Revolução foi desviada deste sentido em direção ao sentido da velha e mofada liberal-democracia, inautêntica e inorgânica, alicerçada, conforme demonstra Goffredo Telles Junior, em “frases feitas”, “‘chavões’”, “slogans”, “ficções” constituídas em “tabus”, não sendo nada além de um conjunto de “mitos”, “quimeras” [9], que, como faz ver Gerardo Dantas Barreto, mata a Democracia Autêntica [10].

Neste sentido, podemos fazer nossas as palavras do Manifesto à Nação, lançado a 25 de agosto de 1968, na tradicional cidade paulista de Jaú, pela Confederação de Centros Culturais da Juventude, quando este, havendo salientado a importância da Revolução de 1964, a que denomina “revolução da família brasileira”, pondera que esta trazia “um desejo de renovação, para que não se repetisse uma situação idêntica àquela propiciada pela insuficiência do próprio regime”, lamentando o fato de esta renovação não ter sido operada senão superficialmente pelos governos revolucionários, havendo, assim, se autolimitado a Revolução [11]. Os governos revolucionários, até aquele momento, assim como nos anos posteriores, salvo, parcialmente, no Governo Médici, não realizaram uma transformação do Estado Nacional Brasileiro capaz de consolidar plenamente a segurança do País e de conformar os textos constitucionais às novas exigências impostas pela realidade nacional e internacional, bem como às tradições nacionais, de que nos afastamos a partir da Constituição de 1824, profundamente liberal e apriorística, e, sobretudo, da Constituição de 1891, ainda mais liberal e apriorística, se constituindo, em nosso sentir, em uma verdadeira cartilha ideológica.

Assim, a Revolução de 1964, a “Revolução Vitoriosa” saudada por Goffredo Telles Junior, na Nota preliminar de sua obra A Democracia e o Brasil, cujo subtítulo é Uma doutrina para a Revolução de Março, como “a sublevação do Brasil autêntico, em consonância com os mais profundos anseios da Nação”, lamentavelmente, não deu ouvidos à advertência do jurista e pensador patrício, quando este afirma que, “no Brasil Novo, o que cumpre é não retornar às obsoletas, enganosas e nefastas fórmulas constitucionais, que iam levando o nosso País à desgraça” e que “se tais fórmulas forem mantidas, voltaremos, inevitavelmente, à sinistra situação em que nos achávamos, antes da Revolução” [12].

Isto, porém, não nos impede de reconhecer os méritos dos governos revolucionários, os quais, por exemplo, deram ao Brasil uma Constituição jurídico-política que se, por um lado, estava longe de ser a Constituição realista e plenamente de acordo com a Tradição Histórica Brasileira de que necessitamos, foi, por outro, bem menos utópica e contrária a esta Tradição do que a Constituição que a precedeu e do que aquela que a ela se seguiu. Isto para não mencionar diplomas legais da importância do Estatuto da Terra, de 1964, do Código Tributário Nacional, de 1966, e do Código de Processo Civil, de 1973, também denominado Código Buzaid, e que, já bastante mutilado pelos “nossos” congressistas, deve ser em breve substituído por um Código muitíssimo inferior em todos os sentidos. Já no campo econômico, os governos revolucionários, de acordo com o artigo 160 da Constituição de 1967, na redação dada pela Emenda Constitucional nº 1, de 1969, segundo o qual a ordem sócio-econômica tem por fim realizar o Desenvolvimento Nacional e a Justiça Social, tendo como base os princípios da Liberdade de Iniciativa, da valorização do Trabalho como condição da Dignidade da Pessoa Humana, da Função Social da Propriedade, da Harmonia e Solidariedade entre as categorias sociais de produção, da repressão aos abusos do poder econômico e da expansão das oportunidades de emprego produtivo, em nítida contraposição ao liberalismo econômico e graças à colaboração entre o Estado e a iniciativa privada, transformaram o Brasil, em pouco tempo, na oitava economia do Mundo, e criaram praticamente toda a infraestrutura de que o País dispõe hoje.

Poderíamos fazer referência a muitas outras realizações dos governos revolucionários, mas, como o tempo e o espaço nos são escassos, apenas lembraremos a grande derrota por eles infligida ao terrorismo e a guerrilha, cujo objetivo era transformar o Brasil numa ditadura comunista, embora lamentemos o fato de terem eles deixado os marxistas e os inocentes úteis a serviço destes dominarem a imprensa, as escolas e as universidades do País, realizando a nefasta “revolução cultural”, de inspiração gramsciana, cujos nefastos frutos colhemos hoje.

Fechemos este artigo. Louvemos a Revolução de 31 de Março de 1964, merecedora de nosso incondicional apoio, e reconheçamos os méritos dos governos que se proclamaram seus continuadores, embora reconhecendo igualmente os não poucos erros destes. E lutemos por uma Revolução muito maior, que efetivamente transforme o Estado Nacional Brasileiro, consolide a segurança do País, conforme toda a Ordem Jurídica Positiva às novas exigências impostas pela realidade nacional e internacional, bem como, é claro, às tradições nacionais e aos princípios do Direito Natural, e que implante, no Brasil, um regime em que o Povo seja efetivamente representado, isto é, uma Democracia Orgânica, ou Democracia Integral, que realize um autêntico Estado Ético de Justiça, ético não por ser a própria encarnação da Ética, mas sim por ser inspirado na Ética, que lhe é anterior e superior, e movido por um ideal ético, e de Justiça não por ser o criador da Justiça, que igualmente lhe é precedente e superior, mas por se pautar nas regras da Justiça e se mover por um ideal de Justiça.

Pelo Bem do Brasil!



            Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.

            São Paulo do Campo de Piratininga, 31 de Março de 2012- LXXIX.



[1] SOUSA, J. P. Galvão de. Política Tradicionalista e Política Revolucionária. In Reconquista, Ano I, Vol. I, número 3, São Paulo, 1950, p. 176.

[2] SALGADO, Plínio. Exposição em torno do Projeto de Lei Agrária, o problema da terra e a valorização do Homem (na sessão da Câmara dos Deputados de 29 de abril de 1963). In Idem. Discursos parlamentares. Sel. e intr. de Gumercindo Rocha Dorea (Perfis parlamentares, 18). Brasília: Câmara dos Deputados, 1982, p. 613.

[3] AMEAL, João. Apresentação. In SALGADO, Plínio. O Rei dos Reis. 5ª ed. (em verdade 6ª). In Idem. Primeiro Cristo!. 4ª ed. (em verdade 5ª). São Paulo/Brasília: Editora Voz do Oeste/Instituto Nacional do Livro, 1979, p. 94. Grifos em itálico no original.

 [4] SALGADO, Plínio. Homenagem a Ranieri Mazzilli (na sessão da Câmara dos Deputados de 22 de abril de 1964). In Idem. Discursos parlamentares, cit., p. 259.

[5] Hora Presente. A Revolução de Março de 1964. 2ª ed. Separata da Revista Hora Presente, nº 21. São Paulo, s/d, p. 3.

[6] BUZAID, Alfredo. Rumos políticos da Revolução Brasileira. In Idem. Conferências. Brasília: Ministério da Justiça, 1971, pp. 7-8.

[7] Idem, p. 8.

[8] Idem, pp. 29-30. Grifos em itálico no original.

[9] TELLES JUNIOR, Goffredo. A Democracia e o Brasil: Uma doutrina para a Revolução de Março. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1965, p. 14.

[10] BARRETO, Gerardo Dantas. Modelo político democrático. In VV.AA. O Estado de Direito, São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1980, p. 279.

[11] Confederação dos Centros Culturais da Juventude. Manifesto à Nação. Jaú, 25 de agosto de 1968, p. 5.

[12] TELLES JUNIOR, Goffredo. A Democracia e o Brasil: Uma doutrina para a Revolução de Março, cit., Nota preliminar.



*Texto originalmente publicado em http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=149