Wednesday, February 25, 2015

Ribeiro Couto e o Vale do Paraíba (I)*

Ribeiro Couto

Por Victor Emanuel Vilela Barbuy

Poeta, contista, cronista e romancista que se conta entre os primeiros, em importância, da Literatura Pátria, além de brilhante ensaísta e jornalista e exemplar diplomata, Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto, mais conhecido como Ribeiro Couto, nasceu na cidade paulista de Santos a 12 de março de 1898. Seu pai, José de Almeida Couto, era natural da Bahia, mas residia havia anos em Santos, onde chegou a ocupar o cargo de vereador, enquanto a mãe, D. Nísia da Conceição Esteves Ribeiro, era santista como ele, embora filha de imigrantes portugueses.[i]
Aos quatro anos de idade, Ribeiro Couto, que fora batizado com o nome de Rui em homenagem a Rui Barbosa, perdeu o pai, fato que obrigou a mãe a trabalhar como costureira em uma modesta casa da Rua Amador Bueno. Teve uma infância triste e humilde, marcada, como escreveu no Soneto da fiel infância, pela pobreza, pela solidão, pela casa sempre vazia, pelas lutas e pelo “pouco pão na pouca mesa”,[ii] sendo forçoso ressaltar, contudo, que tudo isto, que para ele foi, aliás, natural, lhe doía “na saudade mais que então doía”.[iii]
            Tal infância, que, a despeito de triste, teve alguns momentos felizes, transcorreu perto do mar que tanto amava e do porto de Santos, ao qual dizia dever sua essência[iv] e sobre o qual escreveu, ao longo da vida, vários versos belíssimos. Deste período de sua existência, o escritor falou com saudades na crônica intitulada Meus oito anos, na qual comparou sua vida em tal idade àquela descrita por Casimiro de Abreu no poema homônimo, havendo, ainda, registrado diferentes episódios marcantes de tal período em alguns dos mais belos e tocantes contos saídos de sua pena, tais como Bilu, Carolina e eu, Guerras religiosas e Destruição de Troia,[v] assim como em poemas e crônicas.
            No dizer de Ribeiro Couto, sua infância, passada não “à sombra das bananeiras” e “debaixo dos laranjais”, como aquela de Casimiro de Abreu, mas sim “à sombra dos armazéns de café e dos navios do porto”,[vi] era a “aurora” de sua vida, mas não podia dizer, como o poeta romântico, que os anos não mais a trariam, pois a impressão de tal “aurora” ia com ele ao longo dos anos, estando “sempre presente em cada nova manhã”.[vii] Em outras palavras, ainda portava dentro de si o menino que um dia fora.
            Aos sete anos de idade, em 1905, foi Ribeiro Couto matriculado no Grupo Escolar Barnabé, no sopé do Monte Serrat.
            Em 1912, ainda em sua praiana cidade natal, Ribeiro Couto, que sempre se destacara nos estudos como aluno brilhante, principiou a trabalhar, como guarda-livros, na empresa comissária de café Freitas, Lima, Nogueira & Cia. Ltda., e ingressou na Escola de Comércio José Bonifácio, de onde sairia bacharel em Ciências Comerciais. Ainda em tal ano teve, segundo Milton Teixeira, seus primeiros versos publicados na imprensa santista.[viii]
            No ano de 1914, já colaborador dos jornais A Cidade de Santos e O Diário e da revista A Fita, todos de Santos, fundou, com alguns colegas da Escola de Comércio José Bonifácio, um grêmio literário que recebeu o nome deste ilustre filho da Cidade de Brás Cubas, chamado por muitos o “Patriarca da Independência”. Na mesma época, dedicou-se, por gosto, à filatelia, chegando a possuir uma grande coleção de selos, muitos dos quais obtidos, por correspondência, de colecionadores estrangeiros ou trocados, nos vapores ancorados no porto, com marinheiros também estrangeiros e igualmente dedicados à filatelia. Segundo escreveu o próprio Ribeiro Couto, na crônica Posse do mundo, os melhores navios para trocar selos eram os vapores alemães, mas com o início da I Guerra Mundial , naquele ano de 1914, “um ou outro navio alemão ficou parado no porto, até que desapareceram todos”. Ademais, “com a guerra, chegou, também, o fim do curso” da Escola de Comércio, passando a coleção de selos a ficar esquecida.  Além disto, logo mais o rapaz daria “adeus ao porto”, uma vez que “o convento de S. Francisco, em São Paulo, esperava o candidato a bacharel”.  A Capital Paulista seria, segundo ele, “uma dupla descoberta: a bruma e a liberdade”. Nela, “a adolescência ia começar a viver, longe da meninice morta”, passando a ser a coleção de selos uma espécie de “abandonado brinquedo de dimensões infantis”, que, no entanto, no sentir do jovem aspirante a bacharel, lhe dera “a posse do mundo”, de modo que todos os mares agora poderiam ser seus.[ix]
            Em 1915, ingressou na tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, na São Paulo das brumas e da garoa, que, dada a grande importância que nela ainda tinha aquela academia jurídica, pareceu ao rapaz uma “espécie de Coimbra do Brasil meridional (com o Tietê fazendo de Mondego)”, mas “uma Coimbra paradoxalmente construída à feição de Chicago”, com centenas de milhares de habitantes, entregues à expansão das indústrias e do comércio do café.[x] Pouco depois, tornou-se revisor do jornal Comércio de S. Paulo e, em seguida, do Correio Paulistano, no qual logo passou a escrever e onde colaborou na composição de um romance-folhetim escrito a várias mãos.
            Em 1916, ganhou o primeiro lugar nos Jogos Florais promovidos pelo Liceu Feminino Santista e pela Prefeitura de Santos. Dois anos mais tarde, mais precisamente a 17 de março de 1918, venceu o concurso literário promovido pela revista paulistana A Cigarra sobre o tema Anhangabaú, com o soneto homônimo, assinado sob o pseudônimo de “Alma de Tântalo”. Com os quinhentos mil-réis que recebeu como prêmio deste último concurso, deixou a então chamada “Metrópole do Café”, mudando-se para o Rio de Janeiro, onde concluiu o curso de Direito iniciado sob as Arcadas do antigo Convento de São Francisco. 
            Na então Capital da República, Ribeiro Couto, que foi repórter do jornal A Época e redator da Gazeta de Notícias e, mais tarde, de A Notícia, passou a conviver com literatos da estirpe de Olavo Bilac, Coelho Neto, Goulart de Andrade, Alberto de Oliveira, Ronald de Carvalho, Álvaro Moreyra, Raul de Leoni e Manuel Bandeira. Deste último, aliás, se tornou grande amigo por toda a vida, cumprindo sublinhar que foi o romancista de Cabocla e poeta de Um homem na multidão quem fez o discurso, aliás, magnífico, de saudação ao autor de Estrela da manhã, Libertinagem e Itinerário de Pasárgada quando do ingresso deste na Academia Brasileira de Letras, em 1940.[xi]
            Em 1921, foi publicado, pela editora Monteiro Lobato & Cia., da Capital Paulista, O jardim das confidências, primeiro livro de Ribeiro Couto, dedicado a São Paulo, “às suas manhãs nevoentas de sol frouxo;/ às suas tardes nostálgicas,/ às suas noites de garoa fina e de luar gelado;/ à graça ornamental de seus jardins/ adormecidos sob o céu friorento;/ às alamedas silenciosas dos seus bairros/ aristocráticos;/ e dos seus bairros burgueses;/ e dos seus bairros pobres.”[xii] Em tal obra, Ribeiro Couto já se revela um brilhante poeta, sendo sua poesia, depois chamada, por alguns, de “penumbrista”, algo como um belo e triste lamento em surdina, uma espécie de agradável e melancólica canção entoada por um cantor solitário e nostálgico, numa noite escura, sob a neblina e a fria garoa e à mortiça luz de um lampião de gás. É este cantor solitário e nostálgico que, numa tarde fria, chuvosa e melancólica, proclama que “Dentro de nós existe uma tarde mais fria...” e que “Chove dentro de nós... Chove melancolia...”[xiii]
            Faz-se mister notar que, ao compararmos os versos de O jardim das confidências, escritos ainda durante a adolescência do poeta, com aqueles da maturidade do autor de Entre mar e rio e de Longe, notamos que os primeiros alcançam a mesma perfeição estilística dos últimos e que os temas centrais de sua poesia continuam os mesmos, assim como o cunho de Brasilidade que a marca, do mesmo modo que marca, aliás, toda sua obra literária. Isto porque Ribeiro Couto, “um dos poetas mais sentidamente brasileiros”, no dizer de Vasco Mariz,[xiv] e cuja obra inteira, na prosa como no verso, é, nas palavras de Ledo Ivo, “uma celebração do Brasil”,[xv] era, como bem observou o escritor português João Ameal, um “poeta nato”, possuidor do “dom singular de transfigurar o quotidiano”, sem deformá-lo ou engrandecê-lo.[xvi] Daí ter sido o notável autor de Poemetos de ternura e de melancolia e de Cancioneiro do Ausente, segundo escreveu Manuel Bandeira, ao apreciar suas Poesias reunidas, “um desses poetas que aos vinte anos atingem a mestria de sua arte”. Do ponto de vista técnico, ainda nas palavras do poeta de Cinza das horas, os primeiros versos de Ribeiro Couto têm exatamente a mesma perfeição dos últimos, havendo, contudo, se dado em sua obra, ao longo do tempo, “o amadurecimento da sensibilidade” e “o aprimoramento, o enriquecimento da expressão e dos ritmos”.[xvii]
            No mesmo sentido daquilo que acabamos de observar, ponderou Augusto Frederico Schmidt, após haver lido as Poesias reunidas de Ribeiro Couto, que em todos as poemas deste se encontra “uma nota de íntima unidade”, sendo “a voz que nos fala de experiências e contactos com o mundo – com as terras do exílio”, absolutamente a “mesma voz do poeta aos dezoito anos, aos dezesseis anos – do poeta na infância, quando o mundo se identificava ainda com o sonho”.[xviii] Ainda neste diapasão, Wilson Martins, também ao apreciar as Poesias reunidas do magno poeta santista, sublinhou que este, que, em seu sentir, traçara “as coordenadas do que poderá ser uma poesia espontânea, autenticamente brasileira”, havia permanecido, em quarenta anos de vida literária, fiel não apenas às técnicas e aos temas, posto que igualmente preservara, intacta, a sua sensibilidade poética, bem como a sua “capacidade  de emoção e a sua alta simplicidade de sentimentos”.[xix]
            Em 1922, foi dado à estampa, também por Monteiro Lobato & Cia., o primeiro livro de contos de Ribeiro Couto, intitulado A casa do gato cinzento. Nos melhores momentos de tal obra já se pode antever em seu autor o brilhante contista de O crime do estudante batista, Baianinha e outras mulheres e Largo da Matriz, contista este que foi comparado, pela crítica, a escritores como Lima Barreto, Monteiro Lobato, Alcântara Machado e mesmo Machado de Assis, sendo, em nosso entender, não apenas o maior contista brasileiro do século XX, como também o maior contista brasileiro depois ou, talvez, mesmo ao lado de Machado de Assis.
            Ainda no ano de 1922, descobriu Ribeiro Couto que estava sofrendo de tuberculose, doença que provavelmente contraíra em virtude da má alimentação e das noites passadas em claro nas redações de jornais ou nos bares da Lapa. A fim de recuperar a saúde abalada, seguiu, então, o jovem poeta, contista e jornalista patrício para Campos do Jordão, na esperança de que o salutar clima daquela estância da Serra da Mantiqueira, que então fazia parte do Município de São Bento do Sapucaí, curasse seu pulmão enfermo.
            Na chamada “Suíça Brasileira”, teve Ribeiro Couto, pela primeira vez na vida, contato com o campo, passando seus sonetos a refletir, como anotou Milton Teixeira, “a paisagem campestre que começava a amar e que deixaria influências marcantes no estilo do escritor”,[xx] assim como “o sol da montanha”, como ponderou Tristão de Ataíde, ainda que não tenha deixado de ser também o poeta da névoa, da penumbra e dos “crepúsculos chuvosos”, para usarmos expressão do mesmo Tristão de Ataíde.[xxi]
            A maior parte dos poemas escritos na denominada “Montanha Magnífica” foi publicada na segunda parte do livro Um homem na multidão, vindo à luz em 1926, dois anos depois de terem sido dadas à estampa as obras A Cidade do Vício e da Graça e Poemetos de ternura e de melancolia. Graças ao livro A Cidade do Vício e da Graça pode ser Ribeiro Couto reputado o mais importante cronista do Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX, depois de João do Rio, que, aliás, o influenciou nesta obra, como bem assinalou Brito Broca.[xxii] Poemetos de ternura e de melancolia, obra publicada, aliás, por Monteiro Lobato & Cia., é, por seu turno, um dos mais importantes livros poéticos do autor de Província e de Noroeste e outros poemas do Brasil, contendo, dentre outros, o famoso soneto Surdina, que assim principia: “Minha poesia é toda mansa./ Não gesticulo, não me exalto.../Meu tormento sem esperança/Tem o pudor de falar alto.”[xxiii]
            Como sublinhou Pedro Paulo Filho, o mais célebre dos poemas escritos por Ribeiro Couto em Campos do Jordão, a Canção de Campos do Jordão, não foi, porém, enfeixado na segunda parte de Um homem na multidão, intitulada O chalé na montanha, mas sim no livro Canções de amor,[xxiv] editado em 1928, em São Paulo, pela Companhia Editora Nacional, de Monteiro Lobato. É com este formoso soneto que encerramos a primeira parte deste trabalho, não sem antes salientar que Ribeiro Couto é, em nosso sentir, não apenas santista, mas também jordanense e sambentista e, como tal, mantiqueirense e valeparaibano, tendo sido, aliás, chamado por Plínio Salgado, mais ilustre dos filhos de São Bento do Sapucaí, “o poeta da minha terra natal”.[xxv]

                                                  Canção de Campos do Jordão
                                                   Os pinheiros, pelas colinas,/ Espalhando a copa redonda,/ Infiltram no ar suas resinas./ Faz frio. Antes que o sol se esconda/ Encho o peito de essências finas./ Bom ar, de Campos do Jordão,/ Bom ar, curai o meu pulmão!/ Há bois pastando, campo em fora,/ Roendo a relva de veludo./ Acabou-se: o sol foi-se embora./ Um ar tão doce pousa em tudo!/ Dói-me a tristeza desta hora./ Bom ar, de Campos do Jordão,/ Bom ar, curai o meu pulmão!/ Cheio de mágoa e de esperança,/ Vou a chorar pelo caminho,/ Enquanto em roda a noite avança./ Perdi o amor. Estou sozinho./ Mas, meu Deus, ainda sou criança.../ Bom ar, de Campos do Jordão,/ Bom ar, curai o meu pulmão![xxvi]

Vista de Vila Nova, ou Vila Abernéssia, em Campos do Jordão, por volta de 1920.





*Artigo originalmente publicado no jornal O Lince, de Aparecida-SP (nova fase, ano 8, número 58, Aparecida-SP, julho-agosto de 2014, pp. 10-11.
[i] Cumpre sublinhar que, embora Milton Teixeira, biógrafo de Ribeiro Couto, tenha afirmado que a mãe deste era natural da ilha da Madeira, no então Reino de Portugal (Ribeiro Couto, ainda ausente, São Paulo, Editora do Escritor, 1982, p. 28), o próprio Ribeiro Couto escreveu, no ensaio O pequeno emigrante português e a continuidade histórica do Brasil, enfeixado na obra Sentimento lusitano, que sua mãe era, como ele, natural de Santos, e “representava a confluência de duas famílias de comerciantes portugueses: a do pai oriunda do Minho, a da mãe, da ilha da Madeira” (Sentimento lusitano, São Paulo, Livraria Martins Editora, 1962, p. 32).
[ii] Entre mar e rio, 2ª edição, in Poesias reunidas, Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1960, p. 439.
[iii] Idem, loc. cit.
[iv] Meus oito anos, in Barro do Município, São Paulo, Editora Anhembi Limitada, 1956, p. 81. Crônica originalmente publicada no jornal A Manhã, do Rio de Janeiro, a 27/09/1941.
[v] O primeiro de tais contos foi publicado na obra Largo da Matriz e outras histórias (Rio de Janeiro, Getúlio Costa, Editor, 1940) e os dois últimos no livro Clube das esposas enganadas (Rio de Janeiro, Schmidt, Editor, 1933). Os três contos constam da antologia de contos de Ribeiro Couto organizada por Vasco Mariz e intitulada Maricota, Baianinha e outras mulheres (Rio de Janeiro, Academia Brasileira de Letras, Topbooks, 2001). Bilu, Carolina e eu foi transcrito, ainda, na antologia Melhores contos: Ribeiro Couto, organizada por Alberto Venancio Filho (São Paulo, Global, 2002).
[vi] Meus oito anos, in Barro do Município, São Paulo, Editora Anhembi Limitada, 1956, p. 82.
[vii] Idem, p. 84.
[viii] Idem, p. 391.
[ix] Posse do mundo, in Barro do Município, cit., pp. 98-99. Crônica originalmente publicada no jornal A Manhã, do Rio de Janeiro, a 11/10/1941.
[x] Lugares comuns de um admirador brasileiro de Eça de Queiroz, in Sentimento lusitano, cit., p. 97.
[xi] Tal discurso foi transcrito na obra Dois retratos de Manuel Bandeira, de Ribeiro Couto (Rio de Janeiro, Livraria São José, 1960), e, posteriormente, em Três retratos de Manuel Bandeira (Introdução, cronologia e notas de Elvia Bezerra, Rio de Janeiro, Academia Brasileira de Letras, 2004), livro que contém, além dos dois textos originais, um outro retrato do poeta pernambucano feito pelo escritor santista.
[xii] O jardim das confidências, 3ª edição, in Poesias reunidas, cit., p. 5.
[xiii] Chuva, in O jardim das confidências, cit., p. 7.
[xiv] A poesia de Ribeiro Couto, in Vasco MARIZ (coordenador) e Milton TEIXEIRA (organizador), Ribeiro Couto: 30 anos de saudade, Santos, Editora da UNICEB, 1994, p. 189.
[xv] O governador da nostalgia, in Ribeiro Couto: 30 anos de saudade, cit., p. 172.
[xvi] Ribeiro Couto: o poeta e o cronista, in Ribeiro Couto: 30 anos de saudade, cit., p. 130.  Artigo originalmente publicado no jornal A Manhã, do Rio de Janeiro, a 10/05/1945.
[xvii] Poesias reunidas de Ribeiro Couto, in Ribeiro Couto: 30 anos de saudade, cit., p. 164. Artigo originalmente publicado no Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, a 02/11/1960.
[xviii] Poesias reunidas de Ribeiro Couto, in Ribeiro Couto: 30 anos de saudade, cit., p. 166. Artigo originalmente publicado no jornal O Globo, do Rio de Janeiro, a 29/10/1960.
[xix] [xix] Poesias reunidas de Ribeiro Couto, in Ribeiro Couto: 30 anos de saudade, cit., p. 162. Artigo originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo, de São Paulo, 04/02/1961.
[xx] Ribeiro Couto, ainda ausente, cit., p. 108.
[xxi] Carta a Ribeiro Couto, in Ribeiro Couto: 30 anos de saudade, cit., p. 154. Artigo originalmente publicado no Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, nas edições de 23 e 24/10/1963.
[xxii] O Rio noturno de Ribeiro Couto, in Correio da Manhã, Ano LVIII, nº 20.182, Rio de Janeiro, 10/01/1959, p. 11.
[xxiii] Poemetos de ternura e de melancolia, 3ª edição, in Poesias reunidas, cit., p. 55.
[xxiv] Ribeiro Couto, poeta e diplomata, in A Montanha Magnífica (memória sentimental de Campos do Jordão), 2º Volume, São Paulo, O Recado Editora Ltda., 1997, p. 230.
[xxv] Ribeiro Couto (discurso proferido na Câmara dos Deputados na sessão de 31 de maio de 1963), Discursos parlamentares (Volume 18 – Plínio Salgado), Seleção e introdução de Gumercindo Rocha Dorea, Brasília, Câmara dos Deputados, 1982, p. 749.
[xxvi] Canções de amor, 2ª edição, in Poesias reunidas, cit., p. 184.

Monday, February 16, 2015

O ESTADO INTEGRAL E A ECONOMIA


O Integralismo, movimento cívico-político-cultural de renovação moral e social, propugna a implantação, no Brasil, do Estado Integral, isto é, do “Estado Corporativo Cristão, antitotalitário, antiliberal, anticomunista” [1], inspirado no Cristianismo, no Tomismo e nas realidades nacionais brasileiras e tendo por alicerces a dignidade da Pessoa Humana e os Grupos Sociais Naturais e por lema a tríade “Deus, Pátria e Família” [2]. Denominado “Estado Orgânico Integral Cristão” por Alcibíades Delamare [3], é o Estado Integral o Estado que, nas palavras de Plínio Salgado, “vem de Cristo, inspira-se em Cristo, age por Cristo e vai para Cristo” [4], obedecendo aos preceitos de Sua Lei, chamada Lei Divina por Santo Tomás de Aquino [5], assim como aos preceitos da Lei Natural, também denominada Lei Moral [6].
            O Estado Integral é o Estado Ético, antitotalitário e anti-individualista, que não se constitui em um princípio nem em um fim, mas sim em um meio, um instrumento a serviço do Ente Humano e do Bem Comum [7], sendo mister assinalar que o Homem, na tríplice esfera de suas aspirações materiais, intelectuais e morais, possui direitos naturais, que não decorrem do Estado, mas sim de sua própria essência e que não podem ser violados pelo Estado, cujo poder limitam [8].
            Isto posto, cumpre sublinhar que o Estado Ético Integral, ou, simplesmente, Estado Integral, é um Estado a um só tempo de Direito e de Justiça e é ético não por ser a própria encarnação da Ética, como querem, dentre outros, Hegel [9] e Gentile [10], mas sim por ser inspirado na Ética, que lhe é anterior e superior, e movido por um ideal ético [11], do mesmo modo que é de Direito e de Justiça não por ser o criador ou a encarnação do Direito e da Justiça, que igualmente lhe são precedentes e superiores, mas sim por se pautar nas regras do Direito e da Justiça e se mover por um ideal de Direito e de Justiça.
            Em matéria de Economia, o Estado Integral, inspirado nas lições do Evangelho, do pensamento tomista e da Doutrina Social da Igreja, defende o distributismo [12] e, fundado, como escreveu Gustavo Barroso, “na fórmula de Santo Tomás – de que o homem não foi feito para a economia, mas a economia foi feita para o homem” [13], pretende construir uma ordem social essencialmente cristã, repelindo, pois, “no campo econômico, a usura, a especulação e a escravização do homem pelo homem” [14]. Estado forte, sobretudo moralmente, e alicerçado na dignidade da Pessoa Humana e nos Grupos Naturais, o Estado Integral reconhecerá e fomentará, de acordo com o princípio da subsidiariedade, a propriedade privada e a iniciativa particular, dentro de seus justos limites, uma vez que o direito natural de propriedade não pode e não deve ser exercido de modo injusto, em detrimento do Bem Comum. Noutras palavras, ao direito de propriedade correspondem deveres, que o Estado Integral regulará, visando a Justiça Social [15].
            Isto posto, faz-se mister enfatizar que no século XIII, nas páginas de sua Suma Teológica, já proclamava Santo Tomás de Aquino que “qualquer bem da parte se ordena ao bem do todo” [16], de modo que os bens particulares devem atender tanto às necessidades de seu proprietário quanto àquelas do Bem Comum, não devendo o ente humano ter os bens terrenos como próprios, mas sim como comuns, de modo que os comunique facilmente aos outros, quando deles tiverem necessidade [17]. Tem a propriedade, pois, segundo a preleção do Aquinate, que fazemos nossa, um duplo caráter individual e social, que foi assinalado, dentre outros, por Leão XIII, na Encíclica Rerum Novarum [18], Pio XI, na Encíclica Quadragesimo Anno [19], e João XXIII, na Encíclica Mater et Magistra [20], e que, como bem assinalou Plínio Salgado, “não destrói, antes fortifica o direito de propriedade” [21].
            O Estado Integral defenderá, pois, o direito de propriedade, cuja difusão promoverá, da mesma forma que combaterá os dois grandes inimigos deste direito natural da Pessoa Humana, a saber, o capitalismo e o comunismo. Estes dois sistemas econômicos, além de atentarem contra o direito de propriedade, o último abertamente e o primeiro sub-repiticiamente, sobretudo por meio da ação dos trustes, cartéis, monopólios e oligopólios, são essencialmente materialistas, colocando os bens terrenos acima do Homem e vendo a riqueza material como um fim em si e não como um meio, um instrumento do Ente Humano, trocando, assim, a busca do Sumo Bem, que é Deus, por aquela da “suma riqueza”, como bem observou Heraldo Barbuy [22], ou, noutras palavras, trocando Cristo Rei e Redentor por Mamon e pelo Bezerro de Ouro.
            Havendo feito referência ao sistema capitalista e assinalado que é este um inimigo do direito de propriedade, reputamos oportuno sublinhar que por capitalismo compreendemos o sistema econômico em que o sujeito da Economia é o Capital, cujo acréscimo ilimitado, pela aplicação de pretensas leis econômicas mecânicas, é considerado o objetivo final e único de toda a produção. Neste sentido, podemos citar, dentre outros, Miguel Reale, que, na obra O capitalismo internacional, de 1935, definiu o capitalismo como “o sistema econômico no qual o sujeito da Economia é o Capital, sendo o acréscimo indefinido deste considerado o objetivo final e único de toda a produção” [23], e o Padre Julio Meinvielle, que, no livro intitulado Concepción católica de la Economía e publicado em 1936, aduziu que o  capitalismo se constitui em “um sistema econômico que busca o acréscimo ilimitado dos lucros pela aplicação de leis econômicas mecânicas” [24]. Do mesmo modo, julgamos ser mister frisar que a ação do capitalismo sobre a propriedade foi bem resumida por Gustavo Barroso, em O que o integralista deve saber:
Capitalismo não é a propriedade. Capitalismo é o regime em que o uso da propriedade se tornou abuso, porque cada indivíduo pode, se tiver dinheiro, especular no sentido de fraudar e oprimir os outros. Capitalismo é o regime em que o uso da propriedade se tornou desordenado, porque cada indivíduo pode agir à vontade e produzir sem se preocupar com as necessidades da coletividade, causando o desemprego, as falências, os salários ínfimos e a carestia da vida. Capitalismo é o regime em que um indivíduo ou um grupo de indivíduos pode açambarcar as propriedades por meio de trustes, cartéis ou monopólios. O Capitalismo, portanto, em última análise é um destruidor da propriedade [25].
            No mesmo sentido das palavras de Gustavo Barroso, ponderou Hilaire Belloc que o capitalismo não é o sistema da propriedade, mas sim o sistema que “emprega esse direito em benefício de uns poucos privilegiados contra um número muito maior de homens que, ainda que livres e cidadãos em [suposta] igualdade de condições, carecem de toda base econômica própria” [26], isto é, o sistema econômico no qual os meios de produção são controlados por uma minoria e a esmagadora maioria dos cidadãos se encontra excluída e despossuída [27]. Ainda neste diapasão, aduziu Gilbert Keith Chesterton que se poderia pensar que os grandes capitalistas são defensores da propriedade, mas, em verdade, são eles inimigos da propriedade, pois são inimigos de seus limites. “O duque de Sutherland possuir todas as chácaras numa única propriedade rural é”, segundo o escritor e pensador inglês, “a negação da propriedade, assim como seria a negação do casamento se ele tivesse todas as nossas esposas num único harém” [28].
            O Estado Integral promoverá, sob a égide da inteligência, a harmonia do Capital e do Trabalho [29], impondo a disciplina necessária a ambos, dentro de rigorosas normas de Justiça Social, de sorte que nenhuma classe possa excluir a outra dos resultados e benefícios da produção da riqueza nacional [30], cumprindo sublinhar que o Capital é, assim como a propriedade, trabalho acumulado [31]. No Estado Integral, o Trabalho, entendido como direito individual e dever social [32], não será tratado como uma mercadoria sujeita à chamada lei da oferta e da procura [33], como tem sido sob o nefando jugo do sistema capitalista.
            Do mesmo modo, no Estado Integral, deixará a moeda de ser outra mercadoria, assumindo integralmente seu papel de intermediária entre as trocas, instrumento de cálculo e padrão de medida, sepultando-se, desta forma, a funesta especulação financeira, conforme acentuou Sérgio de Vasconcellos, no pequeno grande artigo intitulado A Economia Integralista e enfeixado em sua obra Integralismo: um novo paradigma [34].
            Como bem observou Sérgio de Vasconcellos, no referido estudo, síntese admirável das doutrinas econômicas do Integralismo, o Estado Integral intervirá na Economia, mas cumpre salientar que sua intervenção será diversa daquela que se dá no sistema capitalista, no qual a interferência do Estado ocorre, em regra, para beneficiar indivíduos e grupos de indivíduos, em detrimento do Bem Social. A intervenção do Estado Integral, por seu turno, ocorrerá apenas quando for necessária e será sempre exercida em prol do Bem Comum [35], de acordo com o princípio da subsidiariedade.
            Já nos havendo estendido além do que inicialmente pretendíamos, encerramos aqui este singelo trabalho sobre o Estado Integral e a Economia, salientando que o Estado Ético Orgânico Integral Cristão, que é, como há pouco afirmamos, um Estado de Direito e de Justiça, reconduzirá a Economia à condição de instrumento do Homem e organizará a Nação numa autêntica Democracia Orgânica, moralizando-a, recristianizando-a integralmente e dando-lhe Harmonia e Justiça Social.

            Por Cristo e pela Nação!
            Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira, São Paulo, 13 de fevereiro de 2015- LXXXII.   


NOTAS:

[1] Cf. Gustavo BARROSO, Comunismo, Cristianismo, Corporativismo, Rio de Janeiro, Editora ABC Limitada, 1938, pp. 97-98.
[2] Idem, pp. 98 e 100.
[3] Aos moços universitários, in Enciclopédia do Integralismo, volume II, Rio de Janeiro, GRD/Livraria Clássica Brasileira, s/d, pp. 72-73.
[4] Cristo e o Estado Integral, in O Integralismo perante a Nação, 5ª edição, in Obras Completas, volume 9, 2ª edição, São Paulo, Editora das Américas, 1957, p. 201. Cristo e o Estado Integral é a peroração do discurso proferido por Plínio Salgado na Sessão Soleníssima das Cortes do Sigma, realizada a 12 de junho de 1937 no Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro.
[5] Suma Teológica, 1ª parte da 2ª parte, Questão 91, Artigos IV e V, Tradução de Alexandre Corrêa, Organização de Rovílio Costa e Luís Alberto de Boni, Porto Alegre, Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes, Livraria Sulina Editora; Caxias do Sul, Universidade de Caxias do Sul, 1980, pp. 1740-1743.
[6] Cf. Francisco Galvão de CASTRO, Os quatro pontos do Integralismo, in Enciclopédia do Integralismo, Suplemento, Rio de Janeiro, Livraria Clássica Brasileira, 1960, p. 23.
[7] Cf. Plínio SALGADO, Estado Totalitário e Estado Integral, in Madrugada do Espírito, 4ª edição, in Obras Completas. 2ª ed., volume 7, São Paulo, Editora das Américas, 1957, p. 443 (artigo publicado originalmente no jornal A Ofensiva, do Rio de Janeiro, a 01 de novembro de 1936); Goffredo TELLES JUNIOR, Justiça e Júri no Estado Moderno, São Paulo, Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, 1938, p. 31. Dentre os demais autores que afirmam que o Estado é meio e não fim, podemos citar: Marcus Claudio ACQUAVIVA,Teoria Geral do Estado, 2ª ed., revista e aumentada, São Paulo, Editora Saraiva, 2000; Tristão de ATHAYDE (Alceu Amoroso Lima), Política, Rio de Janeiro, Livraria Católica, 1932, p. 77; Darcy AZAMBUJA, Teoria Geral do Estado, 38ª edição, São Paulo, Globo, 1998, p. 122; Heraldo BARBUY, Sumo bem e suma riqueza, Separata do Anuário da Faculdade de Filosofia “Sedes Sapientiae”, da Universidade Católica de São Paulo, 1953; Idem, A Família e a Sociedade, in Servir, n° 1297, ano XXVII, São Paulo, 20 de setembro de 1957, p. 77; Victor Emanuel Vilela BARBUY, Justiça e Bem Comum, in Marcelo Roland ZOVICO (Organizador), Filosofia do Direito: Estudos em homenagem a Willis Santiago Guerra Filho, São Paulo, Editora Clássica, 2012, p. 322; José Carlos de Ataliba NOGUEIRA, O Estado é um meio e não um fim, 1ª edição, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1940, p. 113; Arthur Machado PAUPÉRIO, Teoria Geral do Estado, 7ª edição, Rio de Janeiro, Forense, 1979; José Pedro Galvão de SOUSA, Iniciação à Teoria do Estado, São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 1976, pp.12-13; José Soriano de SOUZA, Principios Geraes de Direito Publico e Constitucional, Recife, Casa Editora Empreza d'A Provincia, 1893, p. 63.
[8] Cf. Plínio SALGADO, Carta de Princípios do Partido de Representação Popular, Edição do Comitê de Propaganda pró Candidatura de Plínio Salgado, 1955, p. 3. A Carta de Princípios do Partido de Representação Popular foi escrita em meados do ano de 1946 e aprovada pela 2ª Convenção Nacional daquele partido, na sessão de 20 de agosto daquele ano.
[9] Princípios da Filosofia do Direito, Tradução de Norberto de Paula Lima, Adaptação e notas de Márcio Pugliesi, São Paulo, Ícone, 1997, §§ 257-258, pp. 204-205.
[10] Idee fondamentali, in Enciclopedia Italiana di Scienze, Lettere ed Arti, volume XIV, Milão, Treves-Treccani-Tumminelli, 1932-X, pp. 847-848.
[11] Cf. Gino. ARIAS, Corso di Economia Politica Corporativa, 2ª edição aumentada e atualizada, Roma, Società Editrice Del “Foro Italiano”, 1937-XV, p. XVIII; Idem, Manual de Economía Política, Buenos Aires, L. Lajouane & Cia. – Editores, 1942, p. 410; Victor Emanuel Vilela BARBUY, Justiça e Bem Comum, in Marcelo Roland ZOVICO (Organizador), Filosofia do Direito: Estudos em homenagem a Willis Santiago Guerra Filho, São Paulo, Editora Clássica, 2012, p. 333; Giorgio DEL VECCHIO, Teoria do Estado, Tradução portuguesa de António Pinto de Carvalho, Prefácio de Miguel Reale, São Paulo, Edição Saraiva, 1957, p. 210; Miguel REALE, O Estado Moderno: liberalismo, fascismo, integralismo, 2ª edição, Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1934, p. 197.
[12] Cf. Francisco Galvão de CASTRO, Os quatro pontos do Integralismo, in Enciclopédia do Integralismo, Suplemento, Rio de Janeiro, Livraria Clássica Brasileira, 1960, p. 8.
[13] Comunismo, Cristianismo, Corporativismo, Rio de Janeiro, Editora ABC Limitada, 1938, p. 99.
[14] Idem, p. 101.
[15] Cf. Gustavo BARROSO, Carta Brasileira do Trabalho, in Integralismo e Catolicismo, Rio de Janeiro, Editora ABC Limitada, 1937, p. 282.
[16] Suma Teológica, 2ª parte da 2ª parte, Questão 58, Artigo 5º, Solução, Tradução de Alexandre Corrêa, 1ª edição, volume XIV, São Paulo, Livraria Editora Odeon, 1937, p. 28.
 [17] , 2ª parte da 2ª parte, Questão 66, Artigo 2º, Solução, Tradução de Alexandre Corrêa, 1ª edição, volume XIV, São Paulo, Livraria Editora Odeon , 1937, p. 162.
[18] Encíclica Rerum Novarum, dada em Roma a 15 de maio de 1891. Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html. Acesso em 13 de fevereiro de 2015.
[19] Encíclica Quadragesimo Anno, dada em Roma a 15 de maio de 1931. Disponível em:
[20] Encíclica Mater et Magistra, dada em Roma a 15 de maio de 1961. Disponível em:
[21] Direitos e deveres do Homem, 4ª edição, in Obras Completas, 2ª edição, volume 5, São Paulo, Editora das Américas, 1957, p. 259.
[22] Sumo bem e suma riqueza, Separata do Anuário da Faculdade de Filosofia “Sedes Sapientiae”, da Universidade Católica de São Paulo, 1953, p. 146.
[23] O capitalismo internacional: introdução à Economia Nova. 1ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1935, p. 87.
[24] Concepción Católica de la Economía p. 5. Disponível em:
[25] Gustavo BARROSO, O que o Integralista deve saber, 5ª edição, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, S.A, 1937, p. 135. Grifos em itálico no original.
[26]  La crisis de nuestra civilización, Tradução castelhana de Carlos María Reyles, Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 1979.p. 154. Tradução nossa.
[27] An Essay on the Restoration of Property. Norfolk: HIS Press, 2002, p. 28.
[28] O que há de errado com o mundo, Tradução de Luíza Monteiro de Castro Silva Dutra, Campinas, SP, Ecclesiae, 2013, pp. 55-56.
[29] Cf. Gustavo BARROSO, Comunismo, Cristianismo, Corporativismo, Rio de Janeiro, Editora ABC Limitada, 1938, p. 100; Idem, Carta Brasileira do Trabalho, in Integralismo e Catolicismo, Rio de Janeiro, Editora ABC Limitada, 1937, p. 282.
[30] Idem, Carta Brasileira do Trabalho, in Integralismo e Catolicismo, Rio de Janeiro, Editora ABC Limitada, 1937, p. 283.
[31] Idem, p. 282.
[32] Idem, p. 283; Plínio SALGADO, Direitos e deveres do Homem, 4ª edição, in Obras Completas, 2ª edição, volume 5, São Paulo, Editora das Américas, 1957, p. 272.
[33] Cf. Gustavo BARROSO, Carta Brasileira do Trabalho, in Integralismo e Catolicismo, Rio de Janeiro, Editora ABC Limitada, 1937, p. 283; Plínio SALGADO, Direitos e deveres do Homem, 4ª edição, in Obras Completas, 2ª edição, volume 5, São Paulo, Editora das Américas, 1957, p. 267; Sérgio de VASCONCELLOS, Integralismo: um novo paradigma, São Paulo, Agbooks, 2014, p. 138.
[34] Integralismo: um novo paradigma, São Paulo, Agbooks, 2014, p. 138.
[35] Idem, loc. cit.

Friday, January 23, 2015

Cento e vinte anos de Plínio Salgado*

Por Victor Emanuel Vilela Barbuy



Há exatos cento e vinte anos, nasceu Plínio Salgado, na pequena cidade montanhesa de São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira, na região paulista do Vale do Paraíba. Brilhante escritor, jornalista e orador, profundo pensador e doutrinador político patriótico, nacionalista e tradicionalista, Plínio Salgado foi, ainda, o criador e principal líder do grande movimento de renovação moral e social a que denominamos Integralismo e o arauto de um Brasil Novo e Maior, sendo, nas palavras do ilustre pensador e escritor tradicionalista português Hipólito Raposo, “o mais eloquente intérprete da Brasilidade”.[i] Como observou, no mesmo sentido, o jusfilósofo espanhol Francisco Elías de Tejada y Spínola, um dos maiores vultos do pensamento tradicionalista hispânico e do jusnaturalismo tradicional, ou clássico, Plínio Salgado, “profeta incandescente e sublime de seu povo”, “encarnação viva do Brasil melhor”[ii], foi o primeiro pensador patrício a efetivamente compreender a Tradição Brasileira, sendo, pois, nas palavras de Tejada, o “descobridor bandeirante das essências de sua pátria”.[iii]
Plínio Salgado, esse nobre “cavaleiro do Brasil Integral”, na expressão de Ribeiro Couto, veio ao Mundo a 22 de janeiro de 1895, em São Bento do Sapucaí, pequena e bucólica “cidade colonial” que, ainda no dizer de Ribeiro Couto, “repousa entre verdes lavouras, num píncaro de serra, na Mantiqueira”.[iv] Seus pais foram o Coronel Francisco das Chagas Esteves Salgado, farmacêutico e chefe político da região, e D. Ana Francisca Rennó Cortez, professora normalista formada em São Paulo, no último ano do Império.
Nas veias de Plínio Salgado comungavam, nas palavras de Francisco Elías de Tejada, “as variadas genealogias que forjaram a gente brasileira”.[v] Seu avô paterno, Manuel Esteves da Costa, era português, nascido em São Pedro do Sul, distrito de Viseu, estudou humanidades em Coimbra e emigrou para o Brasil por conta da perseguição que sofreu em razão de suas ideias miguelistas. Como escreveram Francisco Elías de Tejada[vi] e Maria Amélia Salgado Loureiro, filha e biógrafa de Plínio Salgado,[vii] Manuel Esteves da Costa e os demais miguelistas pugnaram pela autêntica Tradição Portuguesa e, por conseguinte, contra a invasão liberal europeia, que iria destruir, na Península Hispânica, ou Ibérica, a substância do Portugal Profundo e Verdadeiro. Manuel Esteves da Costa se casou, em Pindamonhangaba, na região do Vale do Paraíba, com D. Mariana Salgado Cerqueira César, que viria a ser a avó paterna de Plínio Salgado e pertencia a uma das mais antigas e tradicionais famílias daquela região e descendia de bandeirantes como Bartolomeu Bueno, o primeiro “Anhanguera”, e Manuel Preto, o conquistador de Guairá, retratado por Plínio Salgado, aliás, em seu poema épico em prosa A voz do Oeste (1934), que inspirou Juscelino Kubitschek, amigo e grande admirador de Plínio Salgado, a edificar a cidade de Brasília.[viii]
Os avós maternos de Plínio Salgado, por sua vez, foram o Professor Antônio Leite Cortez, natural de Taubaté e descendente de castelhanos e portugueses, e de D. Matilde Sofia Rennó, também professora e filha do médico alemão Johann Rennow, que adotou, no Brasil, o nome de João Rennó de França, e de D. Ana Joaquina Ferreira, curitibana que descendia de alguns dos primeiros habitantes de São Paulo do Campo de Piratininga, dentre os quais podemos destacar a figura de Pero Dias, guardião das chaves daquela vila quando de sua fundação.
Como fez notar Francisco Elías de Tejada, repercutem na linhagem intelectual de Plínio Salgado várias procedências diversas, presididas sempre, em seu entender, pela “tradição sentimental e humana” daqueles miguelistas que, como há pouco salientamos, representavam a autêntica Tradição Portuguesa.[ix]
O Coronel Francisco das Chagas Esteves Salgado, pai, como há pouco dissemos, de Plínio Salgado, era um homem profundamente patriota e nacionalista na acepção sadia, equilibrada e construtiva do termo e tinha o costume de reunir os filhos à noite para lhes narrar os feitos de Felipe Camarão, de Henrique Dias, do General Osório, do Duque de Caxias, dos almirantes Barroso e Tamandaré e de outros vultos da História Pátria, incutindo-lhes, assim, desde cedo, o amor ao Brasil e às suas tradições históricas.
Pouco depois dessas primeiras aulas de patriotismo, D. Ana Francisca, que já ensinara Plínio a rezar e também lhe incutira o temor a Deus e lhe narrara histórias bíblicas, começou a dar ao filho lições de História do Brasil, Geografia, Aritmética e Francês.
Em 1907, Plínio, que havia iniciado os estudos secundários no Externato São José, dirigido pelo Professor José Calazans Nogueira, seguiu para Pouso Alegre, Minas Gerais, onde estudou humanidades no tradicional Ginásio Diocesano São José, em que também estudavam Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida e Teodoro Quartim Barbosa, com os quais o então futuro autor da Vida de Jesus (1942) firmou uma grande amizade, que se estenderia por toda a vida.
O falecimento do pai, no ano de 1911, forçou Plínio a abandonar os estudos e a retornar a São Bento a fim de cuidar da mãe e dos irmãos menores.
D. Ana Francisca, que ainda lecionava em sua escola isolada para meninas, que funcionava nos fundos de sua residência, transformou outro cômodo da casa em sala de aula, abrindo uma escola para meninos e confiando-a a Plínio.
Pouco mais tarde, Plínio principiou a trabalhar como agrimensor e topógrafo judicial. Em seguida, obteve o cargo de inspetor escolar no Município e, em virtude de se haver habilitado para requerer em juízo e promover o andamento dos feitos, foi nomeado solicitador, exercendo a função de advogado quando não havia advogados.
Por esse tempo, fundou, com o primo Joaquim Rennó Ferreira, o semanário Correio de São Bento, primeiro periódico da cidadezinha serrana, sentinela da terra bandeirante que muito se assemelha a um presépio vivo na Serra da Mantiqueira, como evocou, num belo poema, o jornalista, escritor e editor Cláudio de Cápua.[x]
Em 1913, Plínio Salgado se mudou para São Paulo, onde planejava concluir o curso secundário, interrompido quando da morte de seu pai, e, em seguida, ingressar no curso de Direito da tradicional Academia do Largo de São Francisco. Por conta, porém, da situação de pobreza da família, agravada com o início da I Guerra Mundial, Plínio abandonou os estudos em 1914, antes de ingressar na aludida faculdade, e deixou a Capital Paulista, retornando a São Bento.
Embora não tendo formação jurídica, Plínio Salgado, que, conforme salientou Ronaldo Poletti, “associava, como é notório, ao lado de sólidos conhecimentos em humanidades, uma intuição profunda reveladora de premonição atinente a fatos e a ideias futuras”, fez, em sua obra, inúmeras referências ao Direito, ciência da qual cuidou dos pontos de vista teórico e prático.[xi] Por suas reflexões sobre temas como o Homem, o Estado e a ideia de Império, podemos dizer que Plínio Salgado, defensor do Direito Natural Tradicional, ou Clássico, e do Estado Ético de Direito e de Justiça a que denominou Estado Integral, embora não tendo sido um jurista, foi e é, sem dúvida alguma, um dos mais notáveis jusfilósofos do Brasil. Cumpre sublinhar que, como enfatizou Ronaldo Poletti, as ideias jurídicas de Plínio Salgado tiveram um desdobramento na obra e na ação de diversos juristas patrícios, “cujas formações se deram ou completaram a partir de um ponto comum”, que vem a ser o pensamento do egrégio autor de O ritmo da História (1949) e de Direitos e deveres do Homem (1948). Dentre tais juristas, destacou Poletti Miguel Reale, San Tiago Dantas, Alfredo Buzaid, Goffredo Telles Junior e Loureiro Junior,[xii] aos quais poderíamos acrescentar, dentre outros vultos do Direito e das letras jurídicas, Rubem Nogueira, Arthur Machado Paupério, Ignacio da Silva Telles, Alberto Cotrim Neto, Ítalo Galli, Cláudio De Cicco, Acacio Vaz de Lima Filho e o próprio Poletti.
De volta a São Bento do Sapucaí, Plínio Salgado, aproveitando as horas de lazer, leu autores como Spencer, Comte, Kant, Hegel, Schopenhauer, Nietzsche, Büchner, Haeckel, Lamarck, Gustave Le Bon, Jhering, William James e Ingenieros, ao mesmo tempo em que se aprofundava no conhecimento de nossa Literatura, assim como das literaturas portuguesa, francesa, espanhola, italiana, inglesa, alemã e russa.
No ano de 1918, Plínio, que já tivera trabalhos publicados na Revista do Brasil e no Correio Paulistano e coordenara, em 1915, a publicação do Almanaque de São Bento, casou-se com Maria Amélia Pereira.
Por esse tempo, era ele a figura central da cidadezinha de São Bento do Sapucaí, sendo diretor do jornal local, secretário do Tiro de Guerra, presidente do clube de futebol, orador do Gabinete de Leitura, diretor do externato e do grupo dramático e agrimensor.
Ainda em 1918, enquanto se convalescia da gripe espanhola, que o atingira, Plínio leu o livro Farias Brito e a reação espiritualista, de Almeida Magalhães e, em seguida, as obras do próprio Farias Brito e de Jackson de Figueiredo, abandonando, assim, o materialismo e retornando ao espiritualismo cristão, ao mesmo tempo em que, preocupado com a questão nacional, lia também autores como Alberto Torres e Euclides da Cunha.
Conforme fez salientar Francisco Elías de Tejada, “o que Plínio Salgado levanta desde a sua conversão intelectual em 1918 são duas colunas solidíssimas: Cristo e o Brasil”, e o que ele nega são “as ideias estrangeiras que corrompem o Brasil e repelem o reinado social de Jesus Cristo”, a saber, o liberalismo, a liberal-democracia, os totalitarismos de todos os tipos, o positivismo e a herança do século XIX. O resultado disto será, ainda segundo Francisco Elías de Tejada, “o Integralismo como ação, como volta à Tradição brasileira” e, “por meta intelectual e política, a aproximação cada vez mais profunda, de Santo Tomás de Aquino”. Existe na obra pliniana, ainda de acordo com o ilustre jusfilósofo castelhano, “uma lógica evidente”, e, pois, “ano após ano, vão ficando mais claras as suas ideias, quer aperfeiçoando conceitos, quer estabelecendo mais exatamente as suas posições; mas são exposições e esclarecimentos conservados sempre em torno daquelas duas temáticas centrais, de Cristo e da pátria brasileira”.[xiii]
Em 1919, Plínio perdeu a esposa quinze dias depois de esta haver dado à luz Maria Amélia, única filha do casal, e teve publicado o seu primeiro livro, o volume de versos parnasianos Tabor, elogiado pela Revista do Brasil, cujo proprietário era então Monteiro Lobato, e de que consta o célebre soneto Canção das Águias.
Nesse mesmo ano, Plínio Salgado, que tempos antes fundara, ao lado do Dr. Gama Rodrigues, o Partido Municipalista, primeira agremiação política do País a defender o Municipalismo, deixou São Bento do Sapucaí em virtude de problemas políticos e seguiu para a Capital Paulista.
Em fevereiro de 1922, quando já era redator do Correio Paulistano, participou ativamente da Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo.
No ano de 1926, publicou O estrangeiro, que é, cronologicamente, o primeiro romance social em prosa modernista da Literatura Brasileira. Como ressaltaria Menotti Del Picchia, o romance de estreia de Plínio Salgado “confirmou-se como um marco renovador do romance brasileiro”, abrindo “a série das grandes obras que, num radioso renascimento de um sadio nacionalismo, escachoaram do Norte tendo na vanguarda a já histórica Bagaceira de José Américo de Almeida”.[xiv] Este último escreveu a Plínio, como observou Cláudio de Cápua, uma carta em que afirma que depois de haver lido O estrangeiro considerara esta obra o primeiro romance, em importância, do Modernismo e resolvera reescrever totalmente o seu livro A bagaceira, que viria a ser publicado em 1928.[xv]
O estrangeiro, maior poema em prosa do Modernismo Brasileiro,[xvi] teve um sucesso verdadeiramente extraordinário. A primeira edição se esgotou em menos de vinte dias e o burburinho que se fez em torno da obra na imprensa nacional foi algo realmente notável. Plínio Salgado, porém, ignoraria tudo o quanto então se publicava a respeito dele e de sua revolucionária obra, não fosse por seu amigo Fernando Callage, que colecionava todos os artigos, uma vez que, naquela ocasião, em São Bento do Sapucaí, falecia a mãe de Plínio, que, estando já à beira da morte, tomou o livro do filho nas mãos, projetando lê-lo mais tarde, quando estivesse melhor, o que infelizmente não ocorreu.
Considerado por Wilson Martins a maior realização romanesca brasileira da década de 1920, ao lado de O esperado, também de Plínio Salgado,[xvii] e classificado por Rachel de Queiroz como “o primeiro romance modernista”,[xviii] O estrangeiro, que seria considerado pelo autor o seu primeiro Manifesto Integralista[xix], fez do futuro criador da Ação Integralista Brasileira um escritor nacionalmente consagrado, tanto pelo público quanto pela crítica.
Dentre os diversos críticos literários e escritores de renome que elogiaram O estrangeiro na imprensa, nos meses seguintes à sua publicação, podemos citar Agripino Grieco, Afrânio Peixoto, Tasso da Silveira, Augusto Frederico Schmidt, Cassiano Ricardo, Nuto Sant’Anna, Jackson de Figueiredo, José Américo de Almeida, Tristão de Athayde e Monteiro Lobato. Este último dedicou ao romance um magnífico artigo intitulado Forças novas e publicado no jornal A manhã, do Rio de Janeiro, aos 19 de setembro de 1926.
No referido artigo, o autor de Cidades mortas e de O presidente negro, havendo reconhecido que “Plínio Salgado consegue o milagre de abarcar todo o fenômeno paulista, o mais complexo do Brasil, talvez um dos mais complexos do mundo, metendo-o num quadro panorâmico de pintor impressionista”, frisou que “todo o livro é uma inaudita riqueza de novidades bárbaras, sem metro, sem verniz, sem lixa acadêmica – só força, a força pura, ainda não enfiada em fios de cobre, das grandes cataratas brutas”. E terminou o escritor patrício o seu artigo sobre O estrangeiro dizendo que “Plínio Salgado é uma força nova com a qual o país tem que contar”.[xx]
Como já mais de uma vez observamos,[xxi] em O estrangeiro e nos dois romances sociais em prosa modernista que se lhe seguiram e que com ele compõem as denominadas Crônicas da vida brasileira (O esperado, de 1931, e O cavaleiro de Itararé, de 1933), Plínio Salgado se revelou o genial cronista, intérprete de uma época de dúvidas e de incertezas que, sob o signo dos mais sadios e edificadores ideais cristãos, patrióticos e nacionalistas e absolutamente livre das questões da forma e do estilo, demonstrou ser arguto espectador e profundo conhecedor de todas as correntes de opinião e de todos os dramas dos diferentes segmentos da Sociedade Brasileira de seu tempo. Revelou-se, ademais, dotado de formidável capacidade de compreender e amar todos os antagonismos, assim como de alma para efetivamente sentir, sofrer e expressar, sem temor ao uso da palavra, todos os complexos estados de espírito nacionais. Nenhuma frase pode, com efeito, defini-lo melhor do que aquela em que assim afirmou, no início de sua obra Despertemos a Nação: “O drama de meu povo apoderou-se de mim”.[xxii]
Conforme observou Francisco Elías de Tejada, a “vocação de escritor egrégio” impeliu Plínio Salgado “à literatura, mas uma literatura a serviço dos ideais de um Brasil autêntico”, tendo sido o romance O estrangeiro não apenas “uma das cumiadas da literatura brasileira”, mas também “a necessária análise sociológica” da qual nasceria “um pensamento robustíssimo, o mais brasileiro que dar-se possa”.[xxiii] Ainda como notou o autor de As doutrinas políticas de Farias Brito (1953), Jackson de Figueiredo apreendeu, com sua característica agudeza, o significado de O estrangeiro, que “acima dos seus maravilhosos méritos literários, e além do finíssimo estudo sociológico”, vem a ser “todo um programa político”,[xxiv] constituindo-se, nas palavras do próprio Jackson de Figueiredo, em “um livro de esperança e de fé” na grande Pátria Brasileira.[xxv]
Os anos seguintes à publicação de O estrangeiro foram fecundos na vida de Plínio Salgado, que colaborava em diferentes jornais e revistas e foi figura central dos grupos modernistas verde-amarelista e da Anta, bem como de diversos outros grupos, na meditação sobre a realidade e os problemas sociais e nacionais. Assim, dedicou-se, com Alarico Silveira e Raul Bopp, ao estudo da língua tupi e da etnografia nacional, ao mesmo tempo em que, ao lado de Cândido Motta Filho, Fernando Callage, Plínio Mello e outros, estudava Alberto Torres, Euclides da Cunha, Tavares Bastos, Oliveira Vianna, Calógeras, Oliveira Lima e outros autores que estudaram nossa Terra e nosso Homem. Ao mesmo tempo, com Augusto Frederico Schmidt e outros, dedicou-se ao estudo da obra de Jackson de Figueiredo e de outros pensadores católicos e espiritualistas. E, por fim, com Mário Pedrosa, Araújo Lima, Plínio Mello e outros, estudou o marxismo, lendo a obra de Marx, Lênin, Trótski, Plekhanov, Riazanov e outros pensadores socialistas e considerando válidas suas críticas ao capitalismo, mas não as supostas soluções por eles apresentadas.
            No ano de 1928, foi Plínio Salgado eleito Deputado Estadual pelo Partido Republicano Paulista (PRP), entrando pelo 2º turno e sendo o candidato mais votado. Foi sufragado não apenas por seu partido, mas pela totalidade das forças eleitorais do 3º Distrito, incluindo o Partido Democrático, de oposição, o Partido Independente, de Gama Rodrigues, e dissidências locais que se coligaram para elegê-lo,[xxvi] cumprindo ressaltar que toda sua atuação no PRP obedeceu ao firme propósito de criar uma corrente renovadora dentro daquele partido.
            Em julho de 1929, o autor de O estrangeiro (1926) e de Literatura e política (1927) tomou posse na Academia Paulista de Letras, ocupando a cadeira de número seis, cujo patrono é Couto de Magalhães, a quem muito admirava, e para a qual fora eleito à revelia, como então se usava naquela instituição.
Em 1930, Plínio Salgado viajou para o velho mundo, acompanhando o jovem Joaquim Carlos Egydio de Souza Aranha, percorrendo catorze países do Oriente Médio e da Europa. Na Palestina, conheceu os lugares que tão bem haveria de descrever em sua Vida de Jesus, obra que atingiria várias edições em diferentes países e idiomas e receberia entusiásticos elogios de notáveis pensadores, escritores, críticos e autoridades religiosas do Brasil e da Europa. Em Roma, encontrou-se com Benito Mussolini e com o Senador Giovanni Gentile, filósofo e ex-Ministro da Instrução Pública, e este, que coordenava os trabalhos da Enciclopédia Italiana, pediu a Plínio que completasse o verbete dedicado ao Brasil, o que ele fez em uma madrugada, com o auxílio de Mário Graciotti, Manoel Gomes e Joaquim Carlos Egydio de Souza Aranha. E em Paris, concluiu o romance O esperado, publicado no ano seguinte, e redigiu um manifesto que meses mais tarde se tornaria o Manifesto da Legião Revolucionária de São Paulo.
Em julho de 1931, foi lançado, em São Paulo, o primeiro exemplar do jornal nacionalista A Razão, que tinha Alfredo Egydio de Souza Aranha como proprietário e Plínio Salgado como principal redator e revolucionou a imprensa do País, tendo como colaboradores intelectuais da estirpe de Tristão de Athayde, Sobral Pinto, San Tiago Dantas, Mário Graciotti, Paulo Setúbal, João Carlos Fairbanks, Alpínolo Lopes Casali, Silveira Peixoto, Nuto e Leopoldo Sant’Anna e, é claro, Plínio Salgado. Este era autor do artigo diário de abertura daquele matutino, a célebre Nota Política, em que era analisada a situação do País, pondo-se em evidência pensadores até então relativamente olvidados, como Farias Brito, Alberto Torres, Euclides da Cunha, Oliveira Lima, Joaquim Nabuco e Tavares Bastos e rememorando-se fatos do Império e da República.
Foi na Nota Política, transcrita no jornal Era Nova, da Bahia, e em jornais do Ceará, que Plínio revelou, na expressão de Virgínio Santa Rosa, o sociólogo que vivia embuçado no romancista, sendo saudado por Tristão de Athayde como a maior revelação do ano.[xxvii]
            Também em 1931, foi lançado o Manifesto da Legião Revolucionária, elogiado por intelectuais do quilate de Oliveira Vianna, Tristão de Athayde, Azevedo Amaral, Octavio de Faria e Humberto de Campos, dentre outros, e que já é, pelo seu conteúdo, um autêntico manifesto integralista.
            Em 12 de março do ano seguinte, Plínio Salgado fundou oficialmente, na Sala de Armas do Clube Português, em São Paulo, a Sociedade de Estudos Políticos, que reuniria dezenas de intelectuais preocupados em dar um rumo ao Brasil, reconduzindo-o às bases morais de sua formação.
A 07 de outubro daquele ano de 1932, divulgou Plínio Salgado o Manifesto que redigira em maio e cujo anteprojeto fora aprovado em junho, não havendo sido divulgado então por conta da Revolução Constitucionalista ora já iminente.
O Manifesto de Outubro, que assim passou a ser denominado em virtude de haver sido divulgado em tal mês, marcou o surgimento oficial do Integralismo e da Ação Integralista Brasileira.
Inspirado, antes e acima de tudo, nos ensinamentos perenes do Evangelho, na Doutrina Social da Igreja e nas lições de grandes pensadores espiritualistas, patrióticos e nacionalistas patrícios, o Manifesto de Outubro já trata, ainda que resumidamente, de todos os princípios básicos da Doutrina Integralista, posteriormente aprofundados em outros manifestos, livros, artigos e discursos de Plínio Salgado e de outros doutrinadores integralistas.
A mensagem essencialmente cristã e brasileira do Manifesto de Outubro espalhou-se rapidamente por todo o Brasil. Em pouco tempo, a Ação Integralista Brasileira (AIB) já reunia centenas de milhares de membros e outros tantos simpatizantes em todo o País, constituindo o primeiro “movimento de massas” e o primeiro partido de âmbito nacional desde o fim do Império, reunindo, ainda, diversos intelectuais ilustres, que constituíam, na expressão de Miguel Reale, “o que havia de mais fino na intelectualidade da época”,[xxviii] formando, ainda, no dizer de Gerardo Mello Mourão, o “mais fascinante grupo da inteligência do País”.[xxix] No mesmo sentido das palavras de Miguel Reale e de Gerardo Mello Mourão, Roberto Campos, ao falar, em suas memórias, de San Tiago Dantas, evocou “o surpreendente fascínio que o Integralismo exerceu em sua geração, particularmente sobre a parte mais intelectualizada”,[xxx] e Pedro Calmon, na biografia de seu pai, Miguel Calmon, afirmou que a plêiade de intelectuais reunida pelo Integralismo “poderia lotar uma Academia, em vez de ocupar uma trincheira”.[xxxi]
O presente artigo não se propõe a analisar o Integralismo, tão augusta quanto deturpada Doutrina que se constituiu na glória e na cruz de Plínio Salgado, “pensador ilustre que arrebatava multidões na mocidade e serenava a ânsia dos intelectuais com o ouro da sua pena”, na expressão de Manoel Vítor, e cuja “rota pelo sigma”, ainda nas palavras deste, “nada mais era que a projeção da sua mesma personalidade em busca de Deus para dá-lo aos homens”, sendo “a Família e a Pátria” os “degraus por onde andou semeando rosas que lhe trouxeram o paradoxal perfume dos espinhos”.[xxxii] Não podemos deixar de assinalar, contudo, que o Integralismo realizou, como escreveu o próprio Plínio Salgado, “a maior obra cívica do Brasil”,[xxxiii] tendo mobilizado desde “o homem do sertão até os numerosos e legítimos expoentes da cultura nacional”[xxxiv] e havendo soprado “a brasa do patriotismo aparentemente adormecido do povo brasileiro, acendendo um clarão como de outro não há notícia na nossa Pátria”.[xxxv] Ainda como enfatizou o autor de Palavra nova dos tempos novos (1936) e Espírito da burguesia (1951), o Integralismo
Ensinou o povo a cantar o Hino Nacional (que raríssimas pessoas sabiam); levou multidões a aplaudir freneticamente os desfiles do Exército e da Marinha (que então, como hoje, passavam nas ocasiões das paradas, em meio ao silêncio de reduzidos espectadores frios e apenas curiosos); promoveu o culto das datas históricas e dos heróis do nosso Passado Nacional, realizando comemorações imponentes, como as de Caxias, de Carlos Gomes, de Tamandaré, de Couto de Magalhães, de Pedro II, que foram memoráveis; abriu cerca de 3.000 escolas de alfabetização para adultos e cerca de mil lactários para a infância; organizou bibliotecas e fez dar cursos de História do Brasil, Geografia, Instrução Moral e Cívica, Economia Política, elementos de Direito Público e de Filosofia; fundou milhares de ambulatórios médicos e cooperou na obra de recuperação física da nossa gente; realizou exposições e concertos e cursos de Cultura Artística, um dos quais foi notabilíssimo, no salão da Escola Nacional de Belas Artes; e – o que mais importava! – arregimentou a infância e a adolescência, incutindo-lhes entusiasmo pelos nobres ideais, formando-lhes os corações segundo a doutrina do Evangelho, incendiando-as num surto de patriotismo como nem antes nem depois se viu algo de semelhante.[xxxvi]
O Integralismo, ainda nas palavras do autor de O Integralismo na vida brasileira,
fez escola de austeridade e de firmeza de princípios, de altruísmo e abnegação, de idealismo construtor, de amor ardente pela Pátria, de sacrifício por ela. Uma escola de disciplina e de ordem, de simplicidade e de modéstia, de preocupação pela coisa pública, de apostolado pela regeneração dos costumes. Uma escola que tinha por base a revolução interior, a transformação do próprio Homem pelo domínio de si mesmo, na luta contra os baixos instintos que perseguem o Ser Humano como consequência da culpa original. Uma escola de vigilância constante na defesa das bases fundamentais da vida brasileira: a Religião, a Pátria, a Família.[xxxvii]
Exilado involuntariamente em Portugal pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, que decretara o fechamento da Ação Integralista Brasileira em 1937, Plínio Salgado lá permaneceu, juntamente com D. Carmela Patti Salgado, com quem se casara em segundas núpcias, de 1939 até 1946.
Em Portugal, Pátria de que nasceu sua Pátria, o autor de Primeiro, Cristo! (1946) estudou profundamente o pensamento tradicionalista português e espanhol, proferiu algumas de suas mais belas conferências, escreveu as suas mais pujantes obras religiosas e foi reconhecido pela intelectualidade católica como um dos maiores pensadores católicos de todos os tempos e um verdadeiro apóstolo brasileiro.[xxxviii]
Foi em Portugal, ademais, que Plínio terminou sua obra prima, a Vida de Jesus, que o Padre Leonel Franca qualificou de “joia de uma literatura”[xxxix] e que é inegavelmente um clássico não apenas da Literatura Brasileira, mas da própria Literatura Universal, assim como uma das obras máximas da Cristologia. Como salientou o escritor português José Sebastião da Silva Dias, a Vida de Jesus, que “no gênero é o melhor que até hoje se publicou em língua portuguesa”, tendo realmente “conseguido ser ‘a joia de uma literatura’”, teria “o mundo inteiro por mercado”, caso tivesse sido “escrita em qualquer das grandes línguas europeias”.[xl]   
De volta ao Brasil em 1946, Plínio Salgado ingressou no Partido de Representação Popular (PRP), que havia sido fundado no ano anterior por ex-membros da Ação Integralista Brasileira e que pugnava pelos mesmos ideais cristãos e brasileiros pelos quais esta havia pugnado. Por este partido foi candidato às eleições presidenciais de 1955 e se elegeu Deputado Federal em 1956, 1960 e 1964. Exerceu outros dois mandatos na Câmara, eleito pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA), até deixar definitivamente a política, em 1974. Faleceu um ano depois, no Hospital Sírio-Libanês, na Cidade de São Paulo, tendo sido sepultado no Cemitério do Morumbi.
Como Deputado Federal, integrou sempre a Comissão de Educação, na qual produziu inúmeros pareceres, e apresentou projetos como os de Reforma Agrária e de criação do Fundo Nacional para a Reforma Agrária, ambos de 1963, e o da Emenda Constitucional n. 609, que criaria a Câmara Orgânica, consagrando o princípio organicamente democrático da representação política dos trabalhadores de acordo com suas categorias profissionais.
Plínio Salgado, “esse injustiçado”, nas palavras de Pedro Paulo Filho, deixou à Pátria, ao morrer, “exemplo inolvidável de um dos maiores pensadores políticos brasileiros e uma herança cultural soberba”, que o elenca “entre os mais notáveis escritores do Brasil”.[xli] Como bem salientou Francisco Elías de Tejada, “com todos os defeitos que toda obra humana possui, e Plínio era um ser humano, a sua obra aparece majestática” pelo muito “que tem de coerente, pela lógica interna que anima o seu sistema” e, sobretudo, “pela magnitude do pensamento que sabe elaborar uma teoria da Tradição brasileira com traços de granítico castelo, destinado a suscitar adesões para quem queira em tempos vindouros conhecer a substância do Brasil”.[xlii]
Seja esta nossa singela homenagem a esse grande arauto e apóstolo do Cristianismo e da Brasilidade que foi e é Plínio Salgado, neste centésimo vigésimo aniversário de seu nascimento. Como escrevemos algures,[xliii] os já muitos anos de calúnias, de incompreensões e de silencio não foram capazes de apagar o brilho do autor da Vida de Jesus (1942) e de O Rei dos reis (1946), que fulgirá sempre, magna estrela da constelação do pensamento pátrio, luciluzente joia da rica coroa que representa a autêntica inteligência nacional, farol magnífico a guiar a nau dos verdadeiros tradicionalistas, patriotas e nacionalistas brasileiros pelos tenebrosos mares do Império de Calibã, que é o Império da Matéria, rumo ao porto seguro do Império de Ariel, que não é outro senão o Império do Espírito.
Mais genial, pujante e vigoroso intérprete da Tradição Nacional e do Espírito do Povo brasileiro, esse assinalado bandeirante da Fé e do Império, general de Deus e da Pátria, viverá, imortal, em sua obra notabilíssima e sempre atual, em que defende a restauração do Primado do Espírito e da Tradição, a recristianização integral do Brasil e a instauração de um Estado Ético e de uma Democracia Integral, assim como viverá sua alma igualmente imortal, junto do Cristo que tanto amou. Em uma palavra, o nome de Plínio Salgado perpetuar-se-á, conforme previu Juscelino Kubitschek, “como um símbolo iluminando o futuro”[xliv] deste vasto Império da Terra de Santa Cruz-Brasil.

Por Cristo e pela Nação!
Victor Emanuel Vilela Barbuy,
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira e 1º Vice-Presidente da Casa de Plínio Salgado.
São Paulo, 22 de janeiro de 2015-LXXXII.

*Artigo originalmente publicado em http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=334.




[i] A notável oração do Dr. Hipólito Raposo, in VV.AA., Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. II. São Paulo, Voz do Oeste/Casa de Plínio Salgado, 1986, p. 189.
[ii] Plínio Salgado na tradição do Brasil, in VV.AA., Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. II, cit., p. 47.
[iii] Idem, p. 70.
[iv] O cavaleiro do Brasil Integral, in Sei que vou por aqui!, ano I, n. 2, São Paulo, setembro-dezembro de 2004, p. XVII. Artigo originalmente publicado no Jornal do Brasil a 20/07/1933.
[v] Plínio Salgado na tradição do Brasil, in VV.AA, Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. II, p. 48.
[vi] Idem, p. 49.
[vii] Plínio Salgado, meu pai, São Paulo, Edições GRD, 2001, p. 9.
[viii] Cf. Juscelino KUBITSCHEK, Carta a Plínio Salgado, in VV.AA., Plínio Salgado: “In memoriam”, vol. I., São Paulo, Voz do Oeste/Casa de Plínio Salgado, 1985, p. 223.
[ix] Plínio Salgado na tradição do Brasil, in VV.AA., Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. II, cit., p. 49.
[x] Plínio Salgado (biografia), 5ª ed., São Paulo, De Cápua, 2000, p. 5.
[xi] O Direito em Plínio Salgado, in Gumercindo Rocha DOREA (Organizador e introdutor), Anais do centenário e da 2ª Semana Plínio Salgado, São Paulo, Edições GRD; São Bento do Sapucaí, São Paulo, Espaço Cultural Plínio Salgado, 1996, p. 97. Trabalho escrito para as comemorações do centenário de nascimento de Plínio Salgado, em 1995, e que foi tema da palestra proferida pelo autor a 08 de outubro daquele ano, em São Bento do Sapucaí, por ocasião da 2ª Semana Cultural Plínio Salgado.
[xii] Idem, p. 98.
[xiii] Plínio Salgado na tradição do Brasil, in VV.AA., Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. II, cit., pp. 52-53.
[xiv] Plínio Salgado, o fraterno amigo, in VV.AA., Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. I., cit., p. 45.
[xv] Cf. RODRIGUES, Rodrigo, O Pensamento Nacionalista no Modernismo Brasileiro, São Paulo, EditorAção, 2005, p. 35.
[xvi] Bem nos lembramos de que, durante a conversa que tivemos, no ano de 2005, com o Professor Miguel Reale, concordou este conosco quando dissemos que O estrangeiro é o maior poema em prosa do Modernismo Brasileiro e ressaltou, em seguida, que não apreciava muito os poemas em verso de Plínio Salgado, mas gostava bastante de seus poemas em prosa, como os romances O estrangeiro, O esperado, O cavaleiro de Itararé e A voz do Oeste, assim como a Vida de Jesus.
[xvii] O modernismo, 4ª edição, São Paulo, Editora Cultrix, 1973, p. 251. Cumpre ressaltar que Wilson Martins cometeu um pequeno equívoco ao considerar o romance O esperado, escrito quase que integralmente em 1930 e publicado no ano seguinte, como uma obra da década de 1920.
[xviii] In A Hebraica, São Paulo, julho de 1995, p. 33.
[xix] Despertemos a Nação, 3ª edição, in Obras Completas. 2ª ed., vol. X, São Paulo: Editora das Américas, 1957, p. 9.
[xx] Forças novas, in VV.AA., Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. I, cit., pp. 112-113.
[xxi] Oitenta anos de “O estrangeiro”,  in Linguagem Viva, ano XVIII, nº 214, junho de 2007, p. 4. Também disponível em: http://www.linguagemviva.com.br/214.pdf. Acesso em 22 de janeiro de 2015; Plínio Salgado, arauto e apóstolo de Cristianismo de Brasilidade, in O Lince, nova fase, ano 4, nº 31, Aparecida-SP, jan/fev. de 2010, p. 17. Também disponível em: http://www.jornalolince.com.br/2010/fev/pages/focus-plinio-salgado.php. Acesso em 22 de janeiro de 2015.
[xxii] Despertemos a Nação, cit., loc. cit.
[xxiii] Plínio Salgado na tradição do Brasil, in VV.AA., Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. II, cit., p. 50.
[xxiv] Idem, p. 51.
[xxv] O saci, o Avanhandava e o imperialismo pacífico, in VV.AA., Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. I, cit., p. 100. Artigo originalmente publicado na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, a 1 de dezembro de 1926.
[xxvi] Cf.,Maria Amélia Salgado LOUREIRO, Plínio Salgado, meu pai, cit., p. 154.
[xxvii] A personalidade de Plínio Salgado,  in VV.AA., Plínio Salgado, 4ª edição, São Paulo, Edição da Revista Panorama, 1937, p. 73.
[xxviii] Entrevista concedida ao Jornal da USP.  Disponível em: http://espacoculturalmiguelreale.blogspot.com/2007/08/entrevista-concedida-pelo-prof-reale-ao.html. Acesso em 22 de janeiro de 2015.
[xxix] Entrevista concedida ao Diário do Nordeste. Disponível em:
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=414001. Acesso em 22 de janeiro de 2015..
[xxx] A lanterna na popa, Rio de Janeiro, Topbooks, 1994, p. 843.
[xxxi] Miguel Calmon – uma grande vida, Prefácio de Afonso Arinos de Melo Franco, Rio de Janeiro, José Olympio Editora; Brasília, INL, 1983, p. 170.
[xxxii] Plínio Salgado, pensador ilustre, in  VV.AA., Plínio Salgado: “In memoriam”, vol. I., cit., pp. 41-42.
[xxxiii] O Integralismo na vida brasileira, in Enciclopédia do Integralismo, vol. I, Rio de Janeiro, Edições GRD/Livraria Clássica Brasileira, s/d (1958), p. 37.
[xxxiv] Idem, p. 7.
[xxxv] Idem, p. 37.
[xxxvi] Idem, pp. 37-38.
[xxxvii] Idem, p. 38.
[xxxviii] Sobre as atividades realizadas por Plínio Salgado durante o exílio em Portugal, bem como sobre o reconhecimento que ali recebeu dos mais altos vultos do pensamento católico lusitano: Augusta Garcia R. DOREA, Plínio Salgado, um apóstolo brasileiro em terras de Portugal e Espanha, São Paulo, Edições GRD, 1999.
[xxxix] Carta a Plínio Salgado, Plínio SALGADO,  Vida de Jesus, 22ª edição, São Paulo, Voz do Oeste, 1985, pp. IX/XI. 
[xl] Vida de Jesus, de Plínio Salgado, in in VV.AA., Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. II, cit., pp. 146-147.
[xli] Plínio Salgado, esse injustiçado, in Gumercindo Rocha DOREA (Organizador e apresentador), São Bento do Sapucaí, São Paulo, Espaço Cultural Plínio Salgado, 1994, p. 25. Texto da palestra proferida por Pedro Paulo Filho em São Bento do Sapucaí a 07 de outubro de 1993, por ocasião da 1ª Semana Plínio Salgado.
[xlii] Plínio Salgado na tradição do Brasil, in VV.AA., Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. II, cit., p. 53.
[xliii] Plínio Salgado, arauto e apóstolo de Cristianismo de Brasilidade, cit., p. 18. Também disponível em: http://www.jornalolince.com.br/2010/fev/pages/focus-plinio-salgado.php. Acesso em 22 de janeiro de 2015.
[xliv] Carta a D. Carmela Patti Salgado, in VV.AA.,  Plínio Salgado: “In memoriam”, vol. I., cit., p. 225.