Wednesday, December 15, 2010

Evola e Gentile (parte 1 de 3)

Segue a primeira parte de nosso trabalho sobre "Evola e Gentile", que seria a base de nossa palestra no "Encontro Nacional Evoliano" iniciado hoje (15/12) na Paraíba, mas que infelizmente não poderemos proferir por motivos alheios à nossa vontade.

Evola e Gentile
Por Victor Emanuel Vilela Barbuy

Mestre do denominado Tradicionalismo Integral e mais importante pensador esotérico antimoderno de todos os tempos ao lado de René Guénon, de quem se considerava discípulo e cuja obra A crise do Mundo Moderno (La crise du Monde Moderne) traduziu para o idioma italiano e prefaciou[1], Evola é, sem sombra de dúvida, o autor mais influente nos círculos da chamada Nova Direita europeia. Giorgio Almirante, fundador e secretário do Movimento Social Italiano (MSI) e principal líder da denominada Direita italiana entre a segunda metade da década de 1940 e o final da década de 1980, declarou, certa feita, que Evola era “o nosso Marcuse, mas melhor”[2], e o filósofo Franco Volpi, que foi Professor de História da Filosofia da Universidade de Pádua e colaborador do jornal La Repubblica, afirmou, de acordo com o escritor e jornalista Giano Accame, em entrevista ao telejornal Tg1, da RAI, que “os grandes do pensamento italiano do século XX são três: Croce, Gentile e Evola”[3].
Mestre do Attualismo, Giovanni Gentile é, na abalizada opinião do filósofo e historiador da Filosofia Michele Federico Sciacca, o maior filósofo italiano do século 20[4]. Conhecido como o “filósofo do Fascismo”, ou, como diria Evola, o filósofo “especificadamente fascista”[5], Gentile é inegavelmente o principal doutrinador do Fascismo ao lado de Benito Mussolini, com quem, aliás, colaborou na redação do famoso texto A Doutrina do Fascismo (La Dottrina del Fascismo), que, publicado em 1932 na Enciclopédia Italiana (Enciclopedia Italiana), se constitui no mais importante texto doutrinário fascista. Organizada por Gentile e publicada graças ao mecenato do Senador Giovanni Treccani, a Enciclopédia Italiana é, sem dúvida, uma das mais importantes enciclopédias de todo o Mundo e um dos grandes legados do autor da Teoria geral do espírito como ato puro (Teoria generale dello spirito come atto puro), ao lado da reforma do ensino que levou a cabo como Ministro da Instrução Pública do Reino da Itália e, é claro, de sua Filosofia Atual, que faz dele o maior filósofo idealista desde Hegel.
Patrick Romanell, que foi Professor de Filosofia da Universidade do Texas, afirma, na introdução que fez à sua tradução do Breviário de estética (Breviario di estetica), de Benedetto Croce, que Gentile “carrega tanto a honra de haver sido o mais rigoroso neo-Hegeliano de toda a história da filosofia ocidental quanto a desonra de haver sido o filósofo oficial do Fascismo na Itália”[6].
Concordamos com Romanell quando este afirma que Gentile porta a honra de haver sido o mais rigoroso pensador neo-Hegeliano da história da filosofia ocidental. Discordamos dele, porém, quando afirma que o filósofo do Attualismo leva a desonra de haver sido o “filósofo oficial do Fascismo na Itália”, posto que, embora discordemos de certos aspectos da Doutrina do Fascio, todos eles de caráter não-tradicional, reconhecemos o valor e a importância histórica do Fascismo, lídimo representante italiano dos Movimentos tradicionalistas de renovação nacional florescidos em todo o Mundo durante os primeiros decênios do século XX e que teve o mérito de salvar a Itália do liberalismo e do comunismo, de dar a ela a Ordem e o Desenvolvimento e de reconduzi-la a sua vocação histórica, herdada do Império Romano, de dilatar o Imperium e a Auctoritas.
Dentre os aspectos não-tradicionais do Fascismo a que fizemos referência no parágrafo precedente, podemos destacar a estatolatria e o modelo corporativo de cunho estatizante, que via nas corporações meros órgãos do Estado Totalitário, ao passo que o corporativismo tradicional, que encontrou seu apogeu na tão gloriosa quanto achincalhada era conhecida como Idade Média, se caracterizou pela autonomia das corporações, que, em vez de meros órgãos do Estado eram a peça-mestra da Sociedade.
Isto posto, cumpre assinalar que os aspectos não-tradicionais do Fascismo não são suficientes para fazer dele um Movimento não-tradicional. Aliás, a Revolução Fascista, movida pela Vontade de Transcendência e pela Vontade de Império e profundamente inspirada na Tradição da Eterna Roma dos Césares, foi, inegavelmente, uma Revolução Tradicional no mais alto sentido da palavra. E, uma vez que falamos em Fascismo e em Tradição, julgamos oportuno transcrever algumas palavras do Duce Benito Mussolini, no Breve prelúdio (Breve preludio) ao primeiro número da revista Gerarchia, por ele dirigida, em 1922, e transcritas no livro Tempos da revolução fascista (Tempi della rivoluzione fascista): “A tradição é certamente uma das maiores forças espirituais dos povos, porquanto forma sucessiva e constantemente o seu espírito”[7].
Pouco adiante, observa o Duce que, conciliando os conceitos de “conservação e de renovação, de tradição e de progresso”, os fascistas “não nos agarramos desesperadamente ao passado, como a uma tábua suprema de salvação, nem nos atiramos de olhos fechados nas nuvens sedutoras do futuro”[8].
Registre-se, ademais, que o Fascismo é, inegavelmente, um “movimento revolucionário que modelou grande parte da história do século XX”, como registra A. James Gregor (cujo verdadeiro nome é Anthony Gimigliano), Professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e um dos mais importantes e honestos estudiosos do fenômeno fascista na Itália[9]. Ainda segundo Gregor, o principal aspecto que diferencia o totalitarismo de Mussolini daqueles de Stálin e de Hitler é a coerência de sua doutrina. Como sublinha o referido autor, “mesmo antes de sua ascensão ao poder, o Fascismo havia articulado uma consistente e relevante ideologia [diríamos doutrina] de renovação nacional e desenvolvimento, predicada na suposição de que somente uma unidade ‘orgânica’ de todos os elementos da comunidade serviria aos propósitos de uma nação ‘proletária’ em sua desigual disputa com as ‘plutocracias’”[10] Ademais, de acordo com o autor de Giovanni Gentile: Filosófo do Fascismo (Giovanni Gentile: Philosopher of Fascism), “o Fascismo possui uma ideologia [mais uma vez, diríamos doutrina] que era mais coerente e relevante para a revolução moderna do que praticamente qualquer outra coleção de ideias do século XX”[11], havendo os “intelectuais do Fascismo de Mussolini criado a mais consistente, coerente e relevante lógica doutrinária para a reação nacionalista e as revoluções desenvolvimentistas em nosso tempo”[12].
Feito este longo parêntese, voltemos a falar de Evola e de Gentile, que são os temas centrais da presente palestra.
Gentile jamais admirou Evola e o seu ideário, havendo sido devido, sobretudo, a ele o fato de o pensamento evoliano haver marchado no silêncio durante a Era Fascista. Isto se explica em virtude de Gentile haver sido a figura de proa da nau da Cultura Italiana durante o vintênio fascista e também durante os primeiros meses da República Social Italiana, também conhecida como República de Salò, isto é, até seu assassinato, em abril de 1944.
Faz-se mister sublinhar, contudo, que Gentile reconheceu, ao menos parcialmente, o valor de Evola nos campos do esoterismo e da alquimia, tanto que solicitou ao pensador tradicionalista esotérico que fosse o curador do verbete sobre a revista iniciática Atanòr na Enciclopédia Italiana.
Evola também jamais admirou Gentile, a quem votou mesmo, na expressão do pensador e escritor português António José de Brito, “injusto desprezo”[13], havendo chegado a afirmar que era tão somente por ignorância ou por um “provincialismo intelectual” que pensadores como Croce e Gentile, que ele sequer considerava filósofos, haviam podido ser levados a sério e mesmo admirados na Itália. Na opinião do pensador esotérico, era necessário não haver estudado diretamente “os grandes sistemas do idealismo transcendental germânico”, não haver tomado conhecimento dos “problemas imanentes que conduziram, por exemplo, além de Hegel, ao ’segundo’ Fichte e ao ‘segundo’ Schelling, a Schopenhauer e ao próprio von Hartmann, para não perceber que Croce e Gentile não são senão dois fracos epígonos, cujo único mérito é o de haver conduzido ao absurdo as posições do idealismo absoluto, até um verdadeiro e próprio colapso especulativo”[14].
O pensamento filosófico e religioso de Evola e de Gentile é muito diverso, o mesmo se dando em relação ao pensamento político de ambos, tanto que os aspectos que Evola mais condena no Fascismo são os aspectos do mesmo mais afirmados por Gentile, a exemplo do Estado Ético de inspiração hegeliana, do nacionalismo, do culto do Trabalho e do culto do Risorgimento e de seus heróis, ou profetas, vistos como precursores do Fascismo. Com efeito, assim afirma o filósofo do Idealismo Atual em seu artigo intitulado Risorgimento e Fascismo, publicado em 1931, na revista Politica sociale e em diversos jornais e transcrito na obra Memórias italianas e problemas da filosofia e da vida (Memorie italiane e problemi della filosofia e della vita), de 1936:

"O Fascismo é filho do Risorgimento: do Risorgimento heróico, criador de um Estado moderno, que é potência política na medida em que é potência econômica e civilização: um homem novo, vivo, são, inteligente, original.
Perder este fio, rompê-lo, não pode ser e não é de interesse do Fascismo. Cuja revolução é progresso na medida em que é restauração: consolidação das bases para edificar-vos sobre um sólido edifício, alto, na luz. Toda originalidade sem tradição, como toda espontaneidade sem disciplina, é veleidade estéril, não vontade viril. Capricho, não programa. Não é o espírito do Fascismo, mas sua caricatura"[15].

Isto posto, cumpre assinalar que, na opinião do autor de Os profetas do “Risorgimento” Italiano (I profetti del Risorgimento Italiano), o Risorgimento foi um movimento de cunho tradicionalista, coincidindo com aquela renovação geral que pode ser considerada lato sensu como Romantismo, considerando Vincenzo Gioberti e Antonio Rosmini, dois dos principais vultos do Risorgimento, como os mais importantes pensadores tradicionalistas italianos[16].
Tal não é, como bem sabemos, a opinião de Evola. Ao contrário, sempre foi ele um agudo crítico do Risorgimento. Com efeito, para o filósofo do Idealismo Mágico, Giuseppe Mazzini – que para Gentile era um dos grandes precursores da Nova Itália[17] – “não é senão o expoente italiano do protestantismo e do mal europeu[18].
A despeito, porém, de todas as divergências, Evola e Gentile têm importantes elementos em comum: ambos são grandes filósofos e doutrinadores políticos; ambos são tradicionalistas, ainda que cada qual a seu modo; ambos, por fim, pertencem ao rol dos maiores vultos do pensamento universal do século XX e também ao rol dos maiores vultos da denominada Terceira Posição, ao lado de nomes como os de Gabriele D’Annunzio e Giovanni Papini, Luigi Pirandello e Alfredo Rocco, Filippo-Tomaso Marinetti e Ardengo Soffici, Ugo Spirito e Giuseppe Prezzolini, Giorgio Del Vecchio e Gino Arias, Sergio Panunzio e Robert Michels, Martin Heidegger e Carl Schmitt, Gottfried Feder e Ernst Jünger, Rainer Maria Rilke e Knut Hamsun, Ezra Pound e T.S. Eliot, G.K. Chesterton e Hilaire Belloc, Sir Oswald Mosley e Wyndham Lewis, D.H. Lawrence e Louis-Férdinand Céline, Drieu la Rochelle e Robert Brasillach, Charles Maurras e Maurice Barrès, Léon Degrelle e Henri de Man, Corneliu Codreanu e Mircea Eliade, José Antonio Primo de Rivera e Ramiro de Maeztu, António Sardinha e João Ameal, Francisco Rolão Preto e Fernando Pessoa, sem falar nos nossos Plínio Salgado e Gustavo Barroso, Miguel Reale e Alfredo Buzaid, Câmara Cascudo e San Tiago Dantas, Gerardo Mello Mourão e Tasso da Silveira, Goffredo e Ignacio da Silva Telles, Jackson de Figueiredo e Arlindo Veiga dos Santos.
Feitas essas considerações, passemos a falar, separadamente, da vida e da obra dos dois grandes pensadores de que cuida a presente palestra, principiando por Julius Evola.

[1] GUÉNON, René. La crisi del Mondo Moderno. Trad. italiana e intr. de Julius Evola. Roma: Edizioni Mediteranee, 2003.
[2] ALMIRANTE, Giorgio, apud LAMENDOLA, Francesco. Alcuni aspetti del pensiero filosofico di Julius Evola. Disponível em: http://www.juliusevola.it/documenti/template.asp?cod=615. Acesso em 16 de novembro de 2010.
[3] Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=YMUtRc3u4SI. Acesso em 16 de novembro de 2010.
[4] SCIACCA, Michele Federico. História da Filosofia - vol. III. São Paulo: Mestre Jou, 1962, p. 216.
[5] EVOLA, Julius. Gli uomini e le rovine. 1ª ed. Roma: Edizioni del`Ascia, 1953, p. 21. Apud BRITO, António José de. Apontamentos sobre Julius Evola. Disponível em: http://cadernosevolianos.weblog.com.pt/arquivo/093086.html. Acesso em 16 de novembro de 2010.
[6] ROMANELL, Patrick. Translator's Introduction. In CROCE, Benedetto. Guide to Aesthetics. Trad., intr. e notas de Patrick Romanell. 2ª ed. Indianápolis: Hackett Pub Co Inc, 1995, p. VIII.
[7] MUSSOLINI, Benito. Tempi della rivoluzione fascista. Milão: Alpes, 1930, p. 13.
[8] Idem, p. 14.
[9] GREGOR, A. James. Presentazione. In PIRAINO, Marco e FIORITO, Stefano. L’identità fascista: Progetto politico e dottrina del fascismo. 2ª ed. Lulu Enterprises, 2009, p. 5.
[10] Idem. Phoenix: Fascism in our time. 1ª ed., 4ª reimpr. New Brunswick: Transaction Books, 2009, p. 176.
[11] Idem, p. 21.
[12] Idem, p. 184.
[13] BRITO, António José de. Apontamentos sobre Julius Evola. Disponível em: http://cadernosevolianos.weblog.com.pt/arquivo/093086.html. Acesso em 16 de novembro de 2010.
[14] EVOLA, Julius. Gentile non è il nostro filosofo. Disponível em: http://www.juliusevola.it/documenti/template.asp?cod=373. Acesso em 16 de novembro de 2010.
[15] GENTILE, Giovanni. Risorgimento e fascismo. In Idem. Memorie italiane e problemi della filosofia della vita. Florença: G. C. Sansoni – Editore, 1936-XIV, p. 120.
[16] Idem. La tradizione italiana. In Idem Frammenti di estetica e di filosofia della storia. Florença: Le Lettere, 1992, pp. 112-113.
[17] Cf. Idem. Mazzini e la Nuova Italia. In Idem. I profetti del Risorgimento Italiano. 3ª ed. acresc. Florença: G. C. Sansoni-Editore, 1944-XXII, pp. 127-152.
[18] EVOLA, Julius. Imperialismo pagano: Il fascismo dinnanzi al pericolo euro-cristiano. 4ª ed. corrigida, com dois apêndices e Heidnischer Imperialismus. Roma: Edizioni Mediteranee, 2004,p. 93.

Wednesday, November 10, 2010

O que é a Democracia Orgânica




Por Luiz Gonçalves Alonso Ferreira


Movidos por ignorância ou má fé, acusam alguns espíritos superficiais os integralistas de se posicionarem contra o voto e defenderem a implantação no Brasil de uma ditadura de tipo fascista.
Nada mais falso.
Na verdade, tais vilanias, dentre tantas outras assacadas contra os seguidores da doutrina do Sigma, nada mais são do que fruto do ódio cego cultivado pelos tradicionais adversários políticos do Integralismo, única corrente de idéias que representa hoje em nosso país, através da Frente Integralista Brasileira (FIB), a legítima reação ao moribundo regime liberal-burguês e às falsas oposições de cunho socialista e/ou comunista.
Em seus ataques irracionais, desconhecem ou se esquecem os detratores do Integralismo que este movimento, na crítica que sempre realizou à liberal-democracia, jamais se colocou, em toda sua trajetória história e política, contra a própria Democracia, em sua concepção mais ampla. Pregou e continua pregando, isto sim, seu aperfeiçoamento, através da superação do Estado de caráter liberal-burguês – anacronismo do século XVIII, cujos erros e males vêm se acumulando nos últimos trezentos anos - pela construção de uma forma mais perfeita de Estado, fundamentada sobre os princípios da Democracia Orgânica – idéia nova dos séculos XX e XXI - proposta no Brasil pelo gênio político de Plínio Salgado (1895-1975). Da mesma forma, jamais se declarou o Integralismo contra o voto, propugnando, isto sim, sua valorização, pela defesa de uma urgente reforma no sistema representativo brasileiro, que conceda funções legislativas ás representações de classe, ou seja, aos setores produtivos que contribuem verdadeiramente para a riqueza material, cultural, moral e espiritual da nação.
Mas, num plano geral, no que consiste a Democracia Orgânica?
Para o bom entendimento da proposta, de forma didática, Plínio Salgado comparava o funcionamento do Estado com o funcionamento do próprio corpo humano. Neste, cada órgão cumpre uma atividade específica e, conjuntamente, cooperam todos para a realização plena de nossas funções vitais. Se acometido por alguma enfermidade, um órgão passa a desempenhar mal seu trabalho, não somente ele, mas todos os demais órgãos sentirão sua debilidade. Assim como na vida biológica, o mesmo ocorre na vida social. Os trabalhadores – do capital, do trabalho, da inteligência -, órgãos da nação, cada qual em sua área de atuação, competem todos para o progresso e desenvolvimento do país. Se as necessidades básicas de qualquer setor produtivo não forem atendidas, resultará que, observando-se as relações de interdependência, a saúde do organismo social, toda ela, ficará comprometida.
Nesta visão integral, os grupos profissionais devem ser reconhecidos pelo Estado conforme sua importância para a sociedade, pois são eles os lídimos construtores da riqueza nacional. O atual sistema de representação é falho e inviável precisamente por ignorar e desdenhar a relevância social dos setores produtivos, não considerando suas justas aspirações. O erro provém da Revolução Francesa, cujo preconceito iluminista e burguês contra as instituições da Idade Média abolira as antigas corporações de ofício, as quais regulavam e organizavam o trabalho, representando-o à época junto aos centros de decisão política. Com o surgimento dos partidos políticos – idealizados como organismos artificiais de representação para remediar a situação -, elementos intermediários foram criados, isolando governo e trabalhadores. Estes passaram a designar para as funções legislativas homens que, pertencendo a profissões diferentes, jamais poderiam defender de forma satisfatória os interesses de seus eleitores. Era instituído então o voto deslocado, perdido. Considerado em sua expressão meramente numérica, ele não estabelecia uma base de correspondência entre o que votava e o que era votado. O erro perdurou. E, até os dias atuais, vemos, por exemplo, um professor elegendo um médico para cuidar de seus interesses, um comerciante elegendo um advogado, um agricultor elegendo um industrial, etc. O absurdo é maior se dirigirmos nossa atenção para os altos escalões dos governos: ministérios e secretarias, muitos deles estratégicos, são reservados a indivíduos que, sem familiaridade alguma com as áreas para as quais foram destinados – por não terem formação nelas -, recebem pastas levando-se em conta apenas o mesquinho critério da filiação partidária. No corpo humano, tal descalabro seria como se o fígado quisesse realizar as tarefas do coração ou os rins as do estômago. Um Estado assim, funcionando em descompasso, dificilmente estará apto a sanar os problemas relativos ao Trabalho. Pelo contrário: distanciando o governo dos setores produtivos da nação – daí a origem dos sindicatos, forma legítima encontrada pelos trabalhadores para fazerem valer seus direitos - viverá sempre em clima de tensão social, preparando terreno fértil ao avanço de movimentos defensores de filosofias políticas negativistas, que trabalham com oportunismo na exploração da lutas de classes, através da manipulação dos órgãos de representação profissional.
Para restaurar o equilíbrio entre governo e trabalhadores, Plínio Salgado considerava justo o Estado delegar funções legislativas ás representações de classe, com o estabelecimento das chamadas Câmaras Orgânicas. Nos EUA, foi o ex-bispo de Nova Iorque, Fulton Sheen quem, defendendo a idéia, justificava-a com um argumento poderoso: “Há mais motivo de identidade de interesse entre um ferroviário da Califórnia, no Pacífico, e outro em Nova Iorque, no Atlântico, do que entre duas pessoas que, residindo na mesma cidade – e até votando na mesma seção eleitoral, acrescentamos nós - são de profissão diferente”.
Inúmeros pontos contam a favor da Câmara Orgânica. De fato, mais que os partidos políticos, são os grupos profissionais os que, pela experiência cotidiana, detém o conhecimento e a capacidade técnica necessários para empreender projetos e leis eficientes, viabilizando soluções efetivas para os mais variados problemas nacionais. A qualidade intelectual de nossos representantes aumentaria. A Câmara Orgânica conciliaria as relações entre Capital e Trabalho, ao garantir assento tanto a empregados quanto a empregadores que, compartilhando dos mesmos poderes e atribuições, estariam representados em igualdade de direitos. Combateria a corrupção: os grupos econômicos deixariam de pressionar os políticos, sugestionando-os financeiramente com propinas ou doações para campanhas, pois os grupos profissionais seriam elevados na vida nacional como membros efetivos de participação política. Limitando-se em épocas eleitorais a campanha e propaganda política aos círculos mais restritos das representações de classe, os recursos necessários para cobrir os gastos com campanhas milionárias – note-se a atualidade do problema – perderiam seu sentido. Candidatos humildes e capazes teriam mais condições de expor suas idéias e elegerem-se.
Naturalmente, não obstante a perenidade e imutabilidade de seus valores doutrinários essenciais, reconhecem e reafirmam os integralistas o caráter prospectivo e dinâmico da História, o que determina - na marcha empreendida pelo movimento em pleno século XXI, bem como, na complexidade do tempo que ora vivemos - a necessidade da constante revisão e atualização de seus valores acidentais.
Dessa forma, com a Democracia Orgânica, não colimam os integralistas a extinção dos atuais partidos políticos, mas sua continuidade e fortalecimento. Tampouco menosprezam a importância do voto, mas valoriza-o, dando-lhe um real significado, ao ligar o eleitor a um candidato inserido em sua categoria profissional e, portanto, identificado com seus justos anseios e aspirações.
Assim, dentre várias propostas estudadas pelos integralistas para a efetivação da Democracia Orgânica e o voto profissional, destaca-se, por exemplo, a da necessidade da estruturação no seio das organizações político-partidárias das representações de classe, que elegeriam para as Câmaras e Assembléias Técnicas os candidatos inscritos em suas legendas. Estes, por sua vez, passariam a desempenhar suas funções legislativas de acordo com a orientação doutrinária e programática de seus respectivos partidos. Nos pleitos internos dos partidos, os representantes de classe reunidos na mesma legenda política, poderiam eleger os dirigentes da agremiação nas três esferas: municipal, estadual e federal.
Como se vê, longe de se constituir um modelo acabado, a instituição da Democracia Orgânica deve obrigatoriamente ser precedida por uma ampla discussão nacional sobre sua organização e funcionamento, a qual convidam os integralistas os mais amplos setores pensantes da sociedade brasileira – juristas, imprensa, professores, cientistas políticos, etc. – e mesmo seus adversários no campo político.
Num momento em que a sociedade brasileira acaba de comparecer às urnas para a escolha de seu novo Presidente da República, triste é constatar, nos diversos debates políticos travados entre os candidatos – tanto em primeiro quanto em segundo turno –, a total ausência de propostas concretas para as principais reformas reclamadas pela nação. Dentre elas, a elaboração de um novo sistema representativo para o país é certamente a mais ignorada, embora das mais urgentes.
Reorganizados no século XXI, são os integralistas hoje a única corrente de pensamento e ação política que se apresenta como portadora de uma proposta clara, eficaz e verdadeiramente revolucionária para o problema.
Nesta luta pelo estabelecimento da Democracia Orgânica, nós, da Frente Integralista Brasileira, pedimos o apoio e a participação de todos os trabalhadores, de todos os setores produtivos da nação, infelizmente negligenciados e desvalorizados pelas falhas e omissões de um sistema representativo que opera tão somente em benefício dos caciques dos partidos, dos politiqueiros profissionais e dos grupos plutocráticos que os apóiam.

Thursday, November 04, 2010

Os Dozes Princípios da Doutrina Integralista


Os Doze Princípios da Doutrina Integralista.*

Existem muitos brasileiros que combatem o Integralismo sem conhecê-lo. Alguns de má-fé, outros por ignorância. Para estes, aqui vão algumas teses defendidas pelo Integralismo. Estamos certos de que a leitura do que abaixo vai escrito levará muitos patrícios bem intencionados aos documentos fundamentais da doutrina criada por Plínio Salgado, transformando-os, dentro em pouco, em novos defensores da trilogia Deus, Pátria e Família. Ei-los, portanto:

1. O Integralismo exige que a mocidade não se entregue aos prazeres materiais, mas dignifique a sua Pátria no trabalho, no estudo, no aperfeiçoamento moral, intelectual e físico.

2. O Integralismo não concede o direito de se denominarem “revolucionários” aqueles que revelarem incultura e simples temperamento de aventureiros ou de insubordinados.

3. O Integralismo declara verdadeiros heróis da Pátria: os chefes de família, zelosos e honestos; os mestres; os humildes de todos os labores, das fábricas e dos campos, que realizam pelo espírito, pelo cérebro, pelo coração e pelos braços a prosperidade e grandeza do Brasil.

4. O Integralismo considera inimigos da Pátria todos os que amarem mais os sofismas, as sutilezas filosóficas e jurídicas do que o Brasil, à ponto de sobrepô-los aos interesses nacionais; os que forem comodistas; preguiçosos mentais; vaidosos; alardeadores de luxo e de opulência; opressores de humildes, indiferentes para com os cidadãos de valor moral ou mental; os que não amarem as suas famílias; os que pregarem doutrinas enfraquecedoras da vitalidade nacional; os “blasés”; os céticos; os irônicos, míseros palhaços desfibrados.

5. O Integralismo quer a Nação unida, forte, próspera, feliz, exprimindo-se no lineamento do Estado, com superior finalidade humana.

6. O Integralismo não pretende erigir o Estado em fetiche, como o socialismo; nem tampouco reduzi-lo a um fantoche, como o liberalismo. Ao contrário de um e de outro, quer o Estado vivo, identificado com os interesses da Nação que ele representa.

7. O Integralismo não admite que nenhum Estado se superponha à Nação ou pretenda dominar politicamente os outros. Não admite que o regionalismo exagerado e dissociativo se desenvolva em qualquer ponto do território da Pátria.

8. O Integralismo, pela constante ação doutrinária e apostolar, não permite que os demagogos incultos ou de má-fé explorem a ingenuidade das turbas, muito menos que a imprensa subordine a sua diretriz a interesses de argentários ou poderosos em detrimento da Nação.

9. O Integralismo dará um altíssimo relevo aos pensadores, filósofos, cientistas, artistas, técnicos, proclamando-os supremos guias da Nação.

10. O Integralismo quer a valorização das corporações de classe, como se fazia na Idade Média, onde os grupos de indivíduos eram valorizados.

11. O Integralismo quer acabar, de uma vez para sempre, com as guerras civis, as masorcas, as conspirações, os ódios, os despeitos, unindo todos os brasileiros no alto propósito de realizarem uma Nação capaz de impor-se ao respeito no Exterior.

12. O Integralismo não é um partido; é um Movimento. É uma atitude nacional. É um despertar de consciências.

É a marcha gloriosa de um Povo!




* Publicado originalmente no mensário A Marcha, do Rio de Janeiro, em 12 de Junho de 1959.

Thursday, October 28, 2010

Discurso do Papa Bento XVI aos prelados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Regional Nordeste V) em visita "ad limina apostolorum"


Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010



Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. Gaudium et spes, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem,82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. Gaudium et spes 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17 de setembro de 2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

Carta à Revista de História da Biblioteca Nacional

Os diversos textos referentes ao Integralismo, publicados na edição deste mês de outubro da Revista de História da Biblioteca Nacional, que traz, na capa, famosa foto de Plínio Salgado, demonstram, ao menos, o reconhecimento da importância que este representa para a História do Brasil.
Infelizmente, porém, a Revista de História da Biblioteca Nacional repetiu velhos chavões que há decênios vêm sendo repetidos pela chamada intelligentsia deste País, caracterizada, antes de tudo, pelo sectarismo “esquerdista” e pelo preconceito ideológico, publicando alguns artigos repletos de imprecisões a respeito do Integralismo. Dentre tais artigos, os mais cheios de imprecisões são os de Gilberto Grassi Calil e de Roney Cytrynowicz. O primeiro afirma, por exemplo, que os Integralistas foram os “cães de guarda” da ordem burguesa, quando, em verdade, sempre foram anticapitalistas e antiburgueses (vide, por exemplo, as obras O capitalismo internacional, de Miguel Reale, e Espírito da burguesia, de Plínio Salgado), e afirma, também, que os Integralistas não eram verdadeiros democratas por considerarem os comunistas inimigos da Democracia, quando qualquer um que conheça um pouco de História e tenha ouvido falar em Lênin, Trótski, Stálin, Béria, Brejnev, Pol-Pot, Mao Tsé-Tung e em diversos outros tiranos e assassinos comunistas sabe muito bem que os comunistas são, sim, inimigos da Democracia.
Já o texto de Cytrynowicz afirma, dentre outros absurdos, que a primeira Marcha Integralista teve quarenta mil participantes, quando na verdade teve apenas cerca de quarenta, sendo conhecida como Marcha dos Quarenta, e que o Integralismo é racista, nega a Democracia e o pluralismo político e prega o “controle absoluto do Estado sobre a sociedade”. Ao contrário, o Integralismo sempre se opôs ao racismo, reunindo, inclusive, milhares de negros, alguns dos quais ocupando mesmo posições de liderança nos quadros da AIB; sempre defendeu a Democracia Orgânica, em que a Sociedade é representada por meio de seus Grupos Naturais como as Paróquias, os Sindicatos, as Corporações e os Municípios e se opôs à absorção da Sociedade e dos Grupos Naturais que a compõem pelo Estado, defendendo a intangibilidade da Pessoa Humana em face desse mesmo Estado. As linhas que lerão a seguir, escritas por Plínio Salgado, constam do artigo Nacional Socialismo e Cristianismo Social, publicado a 14 de fevereiro de 1936 no jornal A Ofensiva, e respondem a essas e a várias outras acusações infundadas presentes em diversos artigos da revista.
“No caso da Alemanha, não tenho dúvida (pelo que tenho lido nos livros nazistas, notadamente no livro de Hitler – Minha Luta – e pelo que tenho deduzido das medidas e iniciativas governamentais), que o governo hitlerista está, sem dúvida alguma, infringindo as mais sagradas leis naturais e humanas e dando lugar a que católicos, ciosos do livre arbítrio e da intangibilidade do homem e de sua família, se rebelem contra o Estado. (...) O ascetismo, a mística, (...) a super-humanização do tipo do Fuehrer, a sua divinização ao ponto de o considerarem, os mais exaltados, a encarnação de Odin, exprime um artificialismo político que foge de toda a base e equilíbrio da razão humana. Nós, os integralistas, que somos coisa absolutamente diferente do nazismo e do fascismo, não nos cansamos de dizer que o nosso fundamento é cristão”.
Há, porém, na revista, um artigo magnífico e honestíssimo. É o artigo de Alberto da Costa e Silva, da Academia Brasileira de Letras, sobre a revista de alta cultura Cadernos da Hora Presente, dirigida pelo grande poeta e ensaísta Integralista Tasso da Silveira.
Finalizamos a presente carta ressaltando que, ao contrário do que afirma Hélgio Trindade, o Integralismo não é o “pesadelo dos anos 30”, “rejeitado pela História”, mas sim o “sonho nacionalista e espiritualista” de que fala Miguel Reale em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo a 17 de dezembro de 2005, e que constituiu, na expressão de Gerardo Mello Mourão, em entrevista ao Diário do Nordeste, o “mais fascinante grupo da inteligência do País”.
Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.São Paulo, 28 de outubro de 2010-LXXVIII.

Sunday, October 24, 2010

Nota de esclarecimento à revista Istoé

A revista Istoé, na reportagem intitulada Os santos e santinhos de uma guerra suja, demonstrou profundo descompromisso com a verdade, gritante desonestidade intelectual e total desconhecimento a respeito do que são e do que defendem a Igreja e os movimentos tradicionalistas.
Ao contrário do que afirma a revista, o Apelo a todos os brasileiros e brasileiras é autêntico e não contém “boatos” e nem “informações falsas” a respeito do PT e de Dilma Rousseff. O Apelo a todos os brasileiros e brasileiras, que só contém informações verídicas e comprovadas a respeito do PT e de sua candidata à Presidência da República, foi elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul-I da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sendo que a Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul-I da CNBB, em reunião ordinária, julgaram por bem acolher tal Apelo, recomendando, ainda, sua ampla difusão.
Isto posto, passemos ao Integralismo. Em primeiro lugar, tal Movimento não é inspirado no fascismo italiano, mas sim nos ensinamentos perenes do Evangelho, na Doutrina Social da Igreja, nas tradições pátrias e nos ensinamentos de pensadores como Alberto Torres, Farias Brito e Jackson de Figueiredo.
Ademais, ao contrário do que sustenta a supracitada reportagem, o Integralismo jamais foi contrário à participação da Sociedade (não composta apenas de civis, mas também de militares) no Estado. Aliás, o Integralismo sempre defendeu a Democracia Orgânica, em que a Sociedade é representada por meio de seus Grupos Naturais, a exemplo das Paróquias, dos Sindicatos, das Corporações e dos Municípios.
Ainda diversamente do que afirma a revista Istoé, a Ação Integralista Brasileira (AIB), não foi “um dos maiores partidos de massa do País”, mas sim o primeiro e maior “partido de massas” do Brasil e que era tão democrático (na acepção legítima do termo) que escolheu seu candidato às eleições presidenciais que deveriam ocorrer em 1938 por meio de um plebiscito em que votaram mais de oitocentas mil pessoas, enquanto os demais partidos da época, bem como os de hoje, se caracterizavam pelos métodos autocráticos pelos quais escolhiam seus candidatos...
Por fim, os Integralistas não apoiam Serra e o PSDB, que, tanto no ideário quanto na prática, são muito próximos do PT, e nenhum Integralista jamais doou dinheiro algum para a campanha do Sr. Índio da Costa ao cargo de Deputado Federal. O Sérgio Vasconcellos que teria doado dinheiro para a campanha do atual candidato a Vice-Presidente pela chapa de José Serra é apenas um homônimo de nosso Secretário Nacional de Doutrina e Estudos.

Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira. São Paulo, 24 de outubro de 2010-LXXVIII.

Friday, October 22, 2010

Nota de esclarecimento da FIB

Diante das tão difundidas acusações de que nós outros, os Integralistas, somos os responsáveis pela onda de “boatos” contra o PT e que estaríamos ligados ao candidato José Serra, do PSDB, julgamos oportuno fazer alguns esclarecimentos:
1º - Não há nenhum “boato” contra o PT, uma vez que o “boato” pressupõe a inexistência de autor conhecido que o autentique e o Apelo a todos os brasileiros e brasileiras, que alguns Integralistas ajudaram a difundir, - juntamente com centenas, quiçá milhares de não-Integralistas - apenas seguindo a recomendação de diversos Bispos da Igreja, tem autor conhecido, que não é senão a Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul-I da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Como é sabido, a Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul-I da CNBB, em reunião ordinária, julgaram por bem acolher tal Apelo, recomendando, ademais, sua ampla difusão.
O Apelo a todos os brasileiros e brasileiras se encontra disponível, por exemplo, no portal da Diocese de Guarulhos, no seguinte endereço eletrônico: http://www.diocesedeguarulhos.org.br/miolo.asp?fs=menu&seq=729&gid=10.
2º – O responsável pelo ocorrido foi o próprio PT, que, em seu III Congresso, realizado em setembro de 2007, assumiu a descriminalização do aborto como programa partidário; o próprio PT, que, em setembro de 2009, puniu os Deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários ao aborto; o próprio PT, que, em fevereiro de 2010, durante o IV Congresso Nacional, manifestou incondicional apoio ao 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), assinado pelo atual Presidente e pela então Ministra da Casa Civil, e que reafirma a luta pela legalização do aborto; o próprio PT, que aclamou a ex-Ministra da Casa Civil, que já defendeu a descriminalização do aborto em inúmeras ocasiões, como candidata à Presidência da República; o próprio PT, que boicotou a CPI do aborto, que investigaria as origens do financiamento de campanhas de legalização do aborto no Brasil.
3º – Nós outros, os Integralistas, não apoiamos Serra ou o PSDB, como já afirmamos diversas vezes. Aliás, o ideário do PSDB e do PT é muito parecido e diversos erros do atual (des)Governo já estavam presentes no (des)Governo anterior, do PSDB, como podemos ver, por exemplo, pela política econômica de ambos, que privilegia claramente o capital especulativo em detrimento do capital produtivo. Ademais, quase todas as aberrações do PNDH-3 já estavam presentes, ainda que de forma um pouco mais branda, nos PNDHs 1 e 2, do (des)Governo FHC, como, aliás, já apontamos em artigo intitulado Ponderações a respeito do III Programa Nacional de Direitos Humanos e publicado em janeiro deste ano [1].
Mais do que isso, os Integralistas não apoiam qualquer partido e rejeitam a liberal-democracia burguesa, que não é senão uma politicocracia a serviço da plutocracia internacional, a ela opondo a Democracia Integral, a Democracia Orgânica, onde as pessoas serão representadas por meio dos Órgãos, dos Grupos Naturais a que pertencem no seio da Sociedade e em cujo seio contribuem para o Bem Comum da Nação, a exemplo das Paróquias, dos Municípios, dos Sindicatos e das Corporações.
4º – Antes de nos demonizar, os petistas deveriam se lembrar que há e houve diversos Integralistas no PT, a exemplo do saudoso Professor Ignacio da Silva Telles, um dos fundadores de tal partido, e do também saudoso Osmar Pedrollo, um dos pioneiros do PT no Mato Grosso. O irmão do Professor Ignacio, o igualmente saudoso Professor Goffredo Telles Junior, que também foi ligado ao PT, foi, como o irmão, Integralista até o último de seus dias, sendo, ainda, colaborador da Casa de Plínio Salgado, cuja imagem certos militantes petistas vêm tentando denegrir. Há, ainda, Integralistas em outros partidos da base aliada, a exemplo do PMDB e do PP; por outro lado, cumpre ressaltar que jamais ouvimos falar de Integralistas no PSDB...
5º - Nenhum Integralista doou dinheiro para qualquer campanha do Sr. Índio da Costa. O Sérgio Vasconcellos que doou dinheiro para a campanha do atual candidato a Vice-Presidente da República pela chapa de José Serra é apenas um homônimo do Secretário Nacional de Doutrina e Estudos da FIB...
6º – O Integralismo, ao contrário do que têm afirmado certos militantes do PT, não é um movimento de extrema-direita. Aliás, partindo da concepção integral do Universo e do Homem, o Integralismo não aceita os critérios de “direita” e “esquerda”, que remontam ao tempo da revolução burguesa de 1789 e nada mais exprimem na hora presente.
Ademais, o Integralismo é diverso do Fascismo, sobretudo no que diz respeito à concepção de Estado e de Direito. Enquanto o Fascismo defende que o Estado é um fim e encarna a própria Ética, o Integralismo sustenta que o Estado é um meio, um instrumento da Pessoa Humana e do Bem Comum e que não encarna a Ética, mas é transcendido por ela. Do mesmo modo, para o Fascismo, o Estado é o criador de todo o Direito, restando excluído, pois, o Direito Natural, Direito Natural que o Integralismo, ao contrário, sempre afirmou.
Isto posto, cumpre assinalar que o Integralismo é também – e mais ainda – diverso do Nazismo, sendo, ao contrário deste, adversário figadal do racismo, tanto que reuniu em suas fileiras milhares de negros, incluindo personalidades como Guerreiro Ramos, Abdias do Nascimento, Ironides Rodrigues, Sebastião Rodrigues Alves, João Cândido e Dario de Bittencourt, sendo que este último chegou a ser Chefe Provincial da Ação Integralista Brasileira no Rio Grande do Sul. Ademais, o Integralismo defende a vida, se opondo radicalmente ao aborto, ao passo que a Alemanha de Hitler foi a segunda nação do Mundo a legalizar o aborto, sendo a primeira a União Soviética...
Por fim, para o governo de muitos militantes petistas, o Integralismo nada tem que ver com a TFP e Plínio Salgado não é Plínio Correa de Oliveira...

***


Feitos tais esclarecimentos, julgamos oportuno sublinhar que o fato de o Integralismo ainda incomodar tanta gente, a ponto de tantos jornais, bem como sítios e blogues da rede mundial de computadores, haverem falado de nós outros, desesperados por estarmos aqui, alertas em defesa da Pátria ameaçada, só mostra a força de nossa Doutrina, a única Doutrina capaz de realmente amedrontar as forças da antitradição e da antinação.
Nas duas vezes em que houve o risco de serem implantadas ditaduras comunistas no Brasil, lá estavam os Integralistas, alertas, para defender a Nação, ainda que com isso pudessem sofrer graves consequências, incluindo a perda das próprias vidas. Contra a ditadura estadonovista de Vargas, a mais brutal da História Pátria, foram os Integralistas os únicos que derramaram o seu sangue. Assim, conscientes de que estamos, como no passado, alertas e dispostos a tudo para defender o Brasil Profundo, Verdadeiro e Autêntico por elas tão odiado, as forças antitradicionais e antinacionais, que ainda pranteiam a queda do Muro de Berlim e tentam edificar na nossa América um novo Leste Europeu, nos temem mais do que tudo. Para elas, um fantasma ronda o Brasil. É o fantasma do Integralismo.
Anauê!
Pelo Bem do Brasil!


Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.
São Paulo 22 de outubro de 2010-LXXVIII.

[1] BARBUY, Victor Emanuel Vilela. Ponderações a respeito do III Programa Nacional de Direitos Humanos. Disponível em: http://cristianismopatriotismoenacionalismo.blogspot.com/2010/01/ponderacoes-respeito-do-iii-plano.html. Acesso em 21 de outubro de 2010.

Saturday, October 16, 2010

Militantes petistas tentam calar a Igreja e a imprensa

Neste sábado, 16 de outubro, por volta das 14:00, um grupo de militantes petistas enfurecidos tentou invadir, armado de paus, empresa de jornal responsável pela publicação de panfletos encomendados oficialmente pela Diocese de Guarulhos. Os panfletos continham o Apelo a todos os brasileiros e brasileiras, da Regional Sul I da CNBB, que traz provas cabais da política abortista do PT. Os referidos militantes, que não aceitam que a Igreja e a imprensa tenham liberdade, desconhecendo – ou fingindo desconhecer – as resoluções de seu próprio partido, acusavam de mentirosos e “boateiros” aqueles que tão somente reproduziam tais resoluções.

Friday, October 15, 2010

Gustavo Barroso, racista?


Por Sérgio de Vasconcellos




Hoje corre mundo a afirmação de que Gustavo Barroso era racista, acusação que ganhou ares científicos depois que “historiadores” passaram a sustentá-la e divulgá-la. No entanto, como procedem os “ilibados” pesquisadores? Pegam passagens em que Barroso fala de anti-semetismo, amputam-nas, descontextualizam-nas, adulteram-nas mesmo, e apresentam tais trechos falsificados como “prova” incontestável que o nosso saudoso Companheiro era racista. Nós, Integralistas, sabemos perfeitamente o que pensar desta caterva, que de historiadores só possuem o rótulo, pois, são, na verdade, marxistas se fingindo de pesquisadores. Mas, muitos Brasileiros se deixam iludir pela pretensa cientificidade das provas apresentadas e, na impossibilidade de verificar direta e pessoalmente as fontes, acabam por curvar-se ao argumento de autoridade, afinal, estariam mentido tantos professores, mestres e doutores? Sim, infelizmente, estão mentindo, mentindo pela gorja, e o que estes canalhas escrevem não vale o que o gato enterra.

Mas, perguntar-me-ão, Barroso não falou em “anti-semitismo”? Sim, de fato, Gustavo Barroso empregou tal expressão, porém, toda a questão é esta: Teria Gustavo Barroso, naquela época, o mesmo entendimento de “anti-semitismo” que o imposto pelos supostos historiadores que pontificam totalitariamente nas Universidades ou mesmo pelo simples senso comum dos nossos dias? Para responder de forma leal e sincera, transcreverei a seguir alguns trechos do Autor de “O Integralismo em Marcha”.

Eis o que ele disse no "O Integralismo e o Mundo", pág. 17:
"Separam-nos, no entanto, diferenças profundas: O Fascismo se enraiza na gloriosa tradição do Imperio Romano e sua concepção do Estado é cesariana, anti-cristã. O Estado nazista é tambem pagão e se basêa na pureza da raça ariana, no exclusivismo racial. Apoiado nêste, combate os judeus. O Estado Integralista é profundamente cristão, Estado forte, não cesarianamente, mas cristãmente, pela autoridade moral de que está revestido e porque é composto de homens fortes. Alicerça-se na tradição da unidade da pátria e do espirito de brasilidade. Combate os judeus, porque combate os racismos, os exclusivismos raciais, e os judeus são os mais irredutiveis racistas do mundo" (Gustavo Barroso, "O Integralismo e o Mundo". 1ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936, 290 págs.).

Ora, Barroso, julgava o seu "anti-semitismo" uma forma de ANTI-RACISMO e não de racismo, e isso pode ser confirmado pela seguinte passagem de "Judaísmo, Maçonaria e Comunismo", pág. 10: "Entre nós, o anti-semitismo não póde provir dum sentimento racista, porque o brasileiro é eminentemente contrário a qualquer racismo; porém, dêsse sentido exatamente anti-racista. O que traz o mundo nos sobressaltos continuos atuais, minado pelo revolucionarismo e pelo terrorismo, é justamente o racismo judaico. O judeu não se mistura com outros povos, mantem através dos séculos a pureza de sua raça, e, dentro das outras nações, alicerçado nêsse racismo, conserva a sua nacionalidade, feito um Estado dentro do Estado"(Gustavo Barroso, "Judaísmo, Maçonaria e Comunismo". Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1937. 235 págs., il.). Portanto, paradoxalmente, ele era um "anti-semita" por ser anti-racista... Evidentemente, não estou entrando no mérito da justeza ou não da apreciação barrosiana sobre os judeus, só estou dizendo que ele não se entendia como racista, e atribuir a ele intenções racistas redundará numa compreensão viciosa e viciada do seu Pensamento. Também não pretendo tapar o Sol com a peneira, pelo contrário, estou querendo impedir que seus raios sejam interceptados por algum material opaco...

Não concordo, não posso concordar, que se coloque o Pensamento Barrosiano numa camisa de força ideológica, pré-estabelecida, que assim pode ser caracterizada: Todo o anti-semitismo é racismo; ora, Gustavo Barroso era anti-semita, logo, Gustavo Barroso era racista. Sinto, me perdoem, mas não posso compactuar com tal silogismo – um belo sofisma! -, um reducionismo que não esclarece coisa alguma, ao contrário, só serve para dificultar a apreensão e compreensão da Obra Barrosiana em sua especificidade.

Já transcrevi aqui dois trechos de Gustavo Barroso, em que ele diz claramente que o seu anti-semitismo não é racismo. Que ele não enfocava esse tema sobre o prisma racial, ele o diz desde a primeira Obra em que aborda a “Questão Judaica”(como se dizia na época), “Brasil, Colônia de Banqueiros”, onde afirma na pág. 71: “O anti-semitismo é muito mais antigo que o cristianismo. Nem foi creação dêste. Porque o judaísmo foi o problema mais dificil e perigoso de todos os tempos, não como problema racial ou religioso; porem como problema politico e econômico”(Gustavo Barroso, “Brasil, Colonia de Banqueiros. 2ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1934, 259 págs.).

Vejam o que diz Barroso no “Judaísmo, Maçonaria e Comunismo”, pág. 128:
“Não somos racistas e encontramos apesar de natural simpatia pelo Nazismo, graves defeitos no racismo germanico, os mêsmos que brilhantemente aponta Pierre Lucius no seu livro “Les Révolutions Étrangéres”. Um brasileiro profundamente brasileiro e ao mesmo tempo descendente de raças as mais diversas só por um contrasenso seria racista. Aliás, o estudo constante e amoroso de nossa história mostra que a Nação brasileira é o produto de um espirito de continuidade, de um sentimento e de um pensamento comuns, sem cor de pele ou indagação de procedencia.
“Então, por que combate sem coerencia o judaismo? Perguntarão os abelhudos. E responde-se, serenamente: Combate-se o “racismo judaico” em nome da ausencia de racismo brasileiro. Não se pode admitir que o povo de Israel entenda de se não misturar com os outros, de ser um quisto irredutivel no seio de todos os povos; não se póde admitir que os judeus nascidos no Brasil pertençam a “colonias israelitas” e a toda a espécie de organizações israelitas públicas e secretas”(Gustavo Barroso. “Judaismo, Maçonaria e Comunismo”. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1937, 235 págs., il.).

No livro “Sinagoga Paulista” – que tanta celeuma causou -, no meio de um capítulo em que critica um judeu paulista, revela nas págs. 68 e 69, que o filho do dito judeu é Integralista e mais, que esperava que o mencionado judeu “imite o filho, vista uma camisa-verde e venha trabalhar conôsco”(Gustavo Barroso, “Sinagoga Paulista”. 3ª edição revista e com acrescimos. Rio de Janeiro: Empresa Editora ABC, 1937, 281 págs.). Ora, se Barroso fosse um anti-semita racista, não seria mais lógico que ele combatesse a entrada de judeus na A.I.B ao invés de concitá-los a vestir a Camisa-Verde?

Poderia multiplicar as citações, mas, para quê? Afinal, para os inteligentes, as que fiz serão suficientes. Para os demais, basta o dito de nosso sábio Povo: Quem é burro, pede a Deus que o mate e o diabo que o carregue.

Não conheci Barroso, mas, fui amigo pessoal de vários Integralistas que o conheceram e privaram de sua amizade – só para citar um, o Companheiro Benedicto de Aquino, que aparece depondo no filme “Soldados de Deus” -, e, posso afirmar com tranqüilidade e certeza do que estou dizendo que, Gustavo Barroso não nutria qualquer preconceito racial em relação aos judeus. Ninguém é obrigado a acreditar na minha palavra, mas, isso não alterará a verdade em nada.

Só quero deixar bem claro que, não tirei da Obra de Barroso nada que ela não contivesse, ao contrário dos pseudo-historiadores, que atribuem à Barroso opiniões que ele nunca externou. Barroso não era racista, e os que prosseguirem mantendo este julgamento, não estão mais no terreno da razão, mas, no da crença, crença pessoal e ideológica, de que Barroso era racista. Não conheço toda a Obra de Gustavo Barroso, que é imensa - só perde para Coelho Netto em número de livros publicados -, mas, já li todos os seus Livros Integralistas, vários anteriores ao Sigma, e diversos posteriores ao fechamento ilegal da A.I.B. pelo funesto Estado Novo, e, adianto, que nada encontrei neles que justificasse a afirmação de que Gustavo Barroso era racista. Portanto, concluindo, não estou no terreno da crença, mas, no da Verdade, no da autêntica Ciência Histórica, no terreno dos fatos e dos documentos, e, portanto, posso afirmar com toda a Razão: Gustavo Barroso era anti-racista.

Antes de finalizar, não posso deixar de abordar um aspecto que ficou em aberto mais acima: Não seria exagerada a opinião de Gustavo Barroso em atribuir aos judeus um posição racista? Ora, todos nós que convivemos com judeus, por qualquer razão, podemos dar o nosso testemunho de que os mesmos não são racistas, muito pelo contrário. Então, como explicar a surpreendente generalização de Barroso? Na época em que escreveu sua denúncia, a maioria dos judeus no Brasil eram estrangeiros, recém chegados, portanto, com as cautelas comuns aos imigrantes – judeus ou não -, o que reforçaria o estereótipo do judeu que não quer integrar-se na Vida Nacional. Nós, que vivemos sete décadas depois, quando duas gerações de judeus – filhos e netos daqueles imigrantes -, não só nasceram, mas se deixaram assimilar perfeitamente pelo nosso Povo, sendo bons Brasileiros, sem os pruridos exclusivistas de seus avós, temos uma visão da colônia judaica de que não poderia dispor o ínclito Gustavo Barroso. Evidentemente, não estou dizendo que não existam judeus racistas, eles existem e são ativos, como o prova – só para citar um exemplo -, o artigo da revista judaica “Veja”, de tempos atrás, onde os judeus – também tomados generalizadamente – são apresentados como superiores aos demais Povos.

Outrossim, entre os próprios judeus há manifestações de anti-judaismo, e exemplo famoso e inquestionável é o do judeu Kyssel Mordechai, mais conhecido por Karl Marx, que no seu “A Questão Judaica”, denuncia generalizadamente o judaísmo. Portanto, se algum fanático, desses que vêem nazistas até debaixo da cama, quiser vir com acusações ridículas, sugiro que vá primeiro fazer uma auto-crítica junto dos seus pares e depois, venham... nos pedir desculpas – aos Soldados de Deus e da Pátria – pelas injúrias que sempre assacaram contra o Integralismo.

(Obs.: Em todas as transcrições o autor conservou a ortografia da época)

Thursday, October 07, 2010

O Integralismo e o Homem Integral


Por Victor Emanuel Vilela Barbuy

O Integralismo Brasileiro, ou, simplesmente, Integralismo, não é, como preleciona Gustavo Barroso, um partido, mas sim “uma Ação Social, um Movimento de Renovação Nacional em todos os sentidos”, pregando “uma doutrina de renovação política, econômica, financeira, cultural e moral” [1]. No mesmo sentido, ensina Plínio Salgado que:
“O Integralismo não é um partido: é um movimento. É uma atitude nacional. É um despertar de consciências.
É a marcha gloriosa de um Povo” [2].
Não cansamos de repetir, outrossim, que o Integralismo não é um partido, mas sim um Movimento, e um Movimento doutrinário. Mais do que isso, o Integralismo é uma Doutrina, fundamentalmente Cristã e brasileira, inspirada, antes de tudo, nas lições perenes do Evangelho, na Doutrina Social da Igreja e nas tradições nacionais e caracterizada sobretudo pela concepção integral do Universo e do Homem.
O Integralismo não é uma ideologia, mas uma Doutrina, uma vez que se apoia na Tradição, na realidade, no Homem concreto, e não em abstrações surgidas na cabeça de intelectuais sonhadores de utopias. Aliás, como Doutrina essencialmente realista que é, o Integralismo condena todas as utopias e tem plena consciência de que não se pode construir o Paraíso na Terra. Em uma palavra, o Integralismo é uma Doutrina realista para o Homem, a Sociedade e a Nação reais.
O Integralismo não deseja o Nacionalismo fraco, resumido ao culto à Bandeira e ao Hino Nacional, nem tampouco o Nacionalismo exacerbado, xenofóbico e agressivo. Considerando estas duas posições como meras modalidades do falso Nacionalismo, o Integralismo defende um Nacionalismo justo, sadio, forte, lúcido, equilibrado, edificador e vivificador, alicerçado na Tradição e tendente ao Universalismo.
Do mesmo modo, não deseja o Integralismo o Estado fraco do liberalismo nem tampouco o Estado Totalitário, mas sim o Estado Integral, que é o Estado Ético, transcendido pela Ética e movido por um ideal ético, não sendo um princípio e nem um fim, mas tão somente um meio, um instrumento a serviço da Pessoa Humana e do Bem Comum.
Como sublinha Plínio Salgado, no discurso intitulado Cristo e o Estado Integral e proferido a 12 de junho de 1937, durante a sessão soleníssima das Cortes do Sigma, no Rio de Janeiro, o Estado Integral é essencialmente “o Estado que vem de Cristo, inspira-se em Cristo, age por Cristo e vai para Cristo” [3].
O Estado Integral é essencialmente revolucionário. Renovando-se sempre, é ele a Revolução Permanente em marcha. Com efeito, a própria Doutrina Integralista é essencialmente revolucionária. Conciliando Tradição e Renovação, Conservação dos valores perenes e Progresso, a Revolução Integralista nada tem que ver, é claro, com o processo antitradicional iniciado com a chamada “Reforma” e o chamado “Renascimento” e que tem como marcos a “Revolução” (anti)Francesa, a “Revolução” (anti)Russa e o Maio de 1968 em Paris. É, antes, a Revolução no sentido tradicional do vocábulo, que corresponde ao sentido astronômico do mesmo e que definimos como sendo uma mudança de atitude em face da realidade e dos problemas, uma transmutação integral de valores no sentido de destruir os valores passageiros da antitradição e de restaurar os valores perenes da Tradição, uma revolta do Espírito da Nobreza contra o Espírito da Burguesia, dos arautos e paladinos do Império de Ariel contra as hordas do Império de Calibã. Em uma palavra, fazemos nossas as palavras de António Sardinha, principal doutrinador do Integralismo Lusitano, quando este afirma:
“Como homens de tradição, somos assim renovadores e, como tal, revolucionários” [4].
O objetivo do Integralismo não é, pois, a reforma e muito menos a conservação da ordem ora vigente, mas sim a Revolução que edificará uma Ordem Nova, restaurando o Primado do Espírito e reconduzindo o Brasil às bases morais de sua formação.
Enganam-se redondamente aqueles que pensam que somos os cães de guarda da burguesia e do capitalismo. Ao contrário, somos violentamente antiburgueses e anticapitalistas, inimigos figadais do Espírito Burguês e do Império de Mamon. Isto posto, cumpre assinalar que o capitalismo não é o regime da propriedade privada e da livre iniciativa, que defendemos e que já existem desde os primórdios da Humanidade, muito antes, portanto, do nascimento do capitalismo, que somente se deu durante a denominada Idade Moderna. O capitalismo é, em verdade, o sistema econômico no qual o sujeito da Economia é o Capital, sendo considerado o acréscimo indefinido deste o objetivo final e único de toda a produção.
Primeiro “movimento de massas” do Brasil, o Integralismo, que representa, na expressão de Gerardo Mello Mourão, o “mais fascinante grupo da inteligência do País” [5], é, antes e acima de tudo, uma escola de Moralidade, Civismo, Patriotismo e Nacionalismo, bem como radiante foco de irradiação, inexpugnável cidadela e vigilante atalaia do Brasil Profundo, Autêntico e Verdadeiro.
O lema do Integralismo é “Deus, Pátria e Família”; sua saudação é o “Anauê!”, de origem indígena e significado incerto [6], e seu símbolo é a letra grega Sigma maiúscula, escolhida por Leibniz para indicar a soma dos infinitamente pequenos, além de ter sido o símbolo pelo qual os primeiros cristãos gregos indicavam Deus e que servia de sinal de reconhecimento, uma vez que a palavra SOTEROS, ou SALVADOR, principia por um Sigma e termina por um Sigma. Por derradeiro, o Sigma é a letra que designa a Estrela Polar do Hemisfério Sul, onde está situado o Brasil. O Sigma, símbolo do Integralismo, está, portanto, presente na ciência, na Tradição religiosa da Cristandade e nas próprias estrelas de nosso firmamento [7].
A Doutrina Integralista, exposta, desde 1932, em diversos manifestos doutrinários e programáticos, livros, discursos e artigos publicados em jornais, revistas, boletins e, de alguns anos para cá, também em diversas páginas da rede mundial de computadores, está sintetizada – e de forma magistral – já no seu documento inaugural, o denominado Manifesto de Outubro, divulgado em São Paulo aos sete dias do mês de outubro do referido ano.
O Manifesto de Outubro, da lavra do grande escritor, jornalista e pensador patrício Plínio Salgado, criador e principal doutrinador do Integralismo Brasileiro, defende, em suma, a concepção integral do Universo e do Homem; a Democracia Orgânica; a Família, cellula mater da Sociedade; o Município, cellula mater da Nação; o Princípio de Autoridade; a Harmonia e a Justiça Social; o Nacionalismo sadio e construtivo e a ideia do Estado Ético-Integral. Ao mesmo tempo, condena o materialismo e o Espírito Burguês em todas as suas faces.
Plínio Salgado, Chefe Perpétuo da Revolução Integralista e, portanto, Eterno Líder do grande, nobre e belo Movimento de Renovação Social e Nacional a que denominamos Integralismo, preleciona que “o Integralista é o soldado de Deus e da Pátria, homem-novo do Brasil, que vai construir uma grande Nação” [8].
A Doutrina Integralista é uma formadora, educadora integral de homens de pensamento e de ação conscientes de sua missão e da missão que Deus deu ao Brasil, como herdeiro e continuador de Portugal, de dilatar a Fé e o Império.
Não há que se falar em Educação Integral do Homem sem antes se falar em Fé, Autoridade, Disciplina, Hierarquia e Obediência. O Homem Integral é, com efeito, um Homem de profunda fé religiosa, obediente, disciplinado, respeitador da Autoridade e da Hierarquia. É, além disso, um Homem profundamente honesto, bom e heroico, disposto mesmo aos maiores sacrifícios em prol de Deus, da Pátria e da Família. Aliás, como salienta Gustavo Barroso, a Revolução Integralista é a “regeneração pela disciplina, pela bondade, pelo sacrifício e pelo heroísmo” [9].
O Homem Integral é o Homem que venceu o ceticismo, a descrença, o comodismo, a covardia física e mental, o apego aos prazeres e aos bens materiais.
O Homem Integral é, ademais, o Homem que tem plena consciência de que deve buscar a santidade, uma vez que aquele que não luta para ser santo, para ser perfeito, não tem moral para lutar por Cristo ou por uma Sociedade mais justa, não podendo ser, pois, uma pedra viva do Novo Império, da Nova Civilização, da Nova Humanidade, da Idade Nova em cujo limiar nos encontramos.
O Homem Integral é, enfim, o Homem que venceu o burguês que havia dentro de si, o Homem em quem o Espírito da Nobreza triunfou sobre o Espírito da Burguesia, em quem Ariel derrotou Calibã.
São estes os ideais do Integralismo, Doutrina dos séculos XX e XXI, que os falsos profetas adeptos das ideologias dos séculos XVIII e XIX não cansam de combater por todos os métodos possíveis, incluindo os mais escusos, conscientes que estão da ameaça que a Doutrina Integralista, profundamente realista, representa para suas utopias. Neste dia 07 de Outubro de 2010, quando celebramos os setenta e oito anos do lançamento do Manifesto de Outubro, rogamos a Deus que todos os patriotas sinceros enganados por tais ideologias despertem de seu sono e de seu sonho, percebendo que estão cultuando deuses mortos há muito tempo, carregando cadáveres já putrefatos desde que o Mundo deixou para trás a era do lampião de gás, do tear mecânico e do motor a vapor. Que todos eles se levantem e, em torno da Bandeira Azul e Branca do Sigma, lutem conosco, ombro a ombro, por um Brasil Maior e Melhor.
No prefácio ao livro Filosofia, Pedagogia, Religião, do pensador, engenheiro, sociólogo, historiador, educador e doutrinador Católico e Integralista Lúcio José dos Santos, o historiador Afonso de Escragnolle Taunay, demonstrando profunda admiração pelo Integralismo, observa que o autor de A Incofidência Mineira mostra quanto, “acima de tudo, correram-lhe os dias empolgados pelo dever integral”. “Seu lema inflexível”, prossegue Taunay, “filia-se à tríade, grandiosa como nenhuma outra, do Deus, Pátria, Família” [10]. Peçamos, pois, a Deus, para que corram os nossos dias empolgados pelo dever integral e para que nos mantenhamos sempre filiados à tríade, de grandiosidade ímpar, de “Deus, Pátria e Família”.
Pelo Bem do Brasil!
Anauê!

Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira, São Paulo, 07 de Outubro de 2010-LXXVIII.

[1] BARROSO, Gustavo. O que o Integralista deve saber. 5ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira S/A, 1937, pp. 9-10.
[2] SALGADO, Plínio. O que é o Integralismo. 4ª ed. In Idem. Obras Completas. 2ª ed., vol. IX. São Paulo: Editora das Américas, 1957, p. 77.
[3] Idem. O Integralismo perante a Nação. 3ª ed. In Idem. Obras Completas. 2ª ed., vol. IX. São Paulo: Editora das Américas, 1957, p. 200.
[4] SARDINHA, António. A Teoria das Cortes Gerais. 2ª ed. Lisboa: qp, 1975, p.283.
[5] MOURÃO, Gerardo Mello. Entrevista concedida ao Diário do Nordeste. Disponível em:
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=414001. Acesso em 20/03/2010.
[6] BARROSO, Gustavo. O que o Integralista deve saber, cit., p. 149; CASCUDO, Luís da Câmara. Que quer dizer “anauê”? In Anauê!, ano II, n° 12, Rio de Janeiro, setembro de 1936, p. 29. Também disponível em: http://espacoculturalcamaracascudo.blogspot.com/2007/06/que-quer-dizer-anau.html. Acesso em 06 de de outubro de 2010.
[7] Cf. BARROSO, Gustavo. O que o Integralista deve saber, cit., p. 147.
[8] Citamos de memória.
[9] BARROSO, Gustavo. Espírito do século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira S/A, 1936, p. 38.
[10] TAUNAY, Afonso de E. Algumas palavras. In SANTOS, Lúcio José dos. Filosofia, Pedagogia, Religião. São Paulo: Comp. Melhoramentos, 1936, p. 7.

Thursday, September 30, 2010

Somos pela Vida!



Por Victor Emanuel Vilela Barbuy


Somos pela Vida. Esta, que se inicia no momento da concepção, como ensinam tanto a Religião quanto a Ciência, é, sem dúvida alguma, o mais fundamental dos Direitos Naturais da Pessoa Humana, Direitos estes que são inerentes à sua própria essência e que, portanto, o Estado e o Direito Positivo não criam, mas simplesmente reconhecem.
É dever do Estado preservar todos os Direitos Naturais da Pessoa Humana e, em particular, o Direito à Vida e os Direitos que permitem que este seja exercido em plenitude, tais como o Direito à Educação Integral, ao Trabalho, à Liberdade de Associação, à Propriedade, à Saúde, à Integridade Física e Moral.
Como ressalta o Professor Ives Gandra Martins, sem o respeito à Vida “nenhum ordenamento jurídico é justo”. Do mesmo modo, segundo o ilustre jurista, “nenhum povo permanece no tempo quando o desrespeita” e “a decadência das civilizações, normalmente, coincide com o desrespeito da injusta ordem legal a tal respeito” [1].
Nesse mesmo diapasão, assim preleciona o insigne filósofo e pensador tradicionalista Heraldo Barbuy:
“Pode-se legalizar a injustiça e a fraude; pode-se erigir em sistema a espoliação da família pelos impostos de transmissão e as partilhas obrigatórias; pode-se eliminar o direito de propriedade pelos tributos extorsivos; pode-se proletarizar o trabalhador e gravar o rendimento do trabalho com taxas excessivas e contribuições calamitosas; pode-se confundir a educação com a instrução, negando à religião o direito de educar e conferindo ao Estado o a obrigação inoperante de instruir. Pode-se em suma negar o direito natural em todos os seus graus. Mas não se pode com isso abolir um profundo senso de injustiça, nem substituir o direito natural por um direito artificial. O Estado tem a força para garantir a execução de suas leis escritas, justas ou injustas. Mas a ordem natural tem uma sanção muito mais poderosa no fato de que toda a sua violação é punida pela desgraça geral, pela desordem, pela instabilidade, pela revolta e pelo caos” [2].
Defendemos, em suma, que o Ente Humano é dotado de Direitos Naturais decorrentes de sua própria essência e, uma vez que o mais fundamental de tais Direitos é o Direito à Vida, nós o sustentamos acima de qualquer outro dos Direitos do Homem. E temos plena consciência de que os Estados que, afastados da Tradição e da Lei Natural, violentarem tal Direito, sofrerão as consequências disso, fatalmente entrando em decadência. Em uma palavra, somos pela Vida!



[1] MARTINS, Ives Gandra da Silva. Fundamentos do Direito Natural à Vida. Disponível em: http://www.academus.pro.br/professor/ivesgranda/artigos_fundamentos.htm. Acesso em 1º de outubro de 2010.
[2] BARBUY, Heraldo. A Ordem Natural. In Ecos Universitários (Órgão Oficial do Centro Acadêmico "Sedes Sapientiae". Ano III, nº 13, São Paulo, setembro de 1950, p. 1. Também disponível em: http://centroculturalprofessorheraldobarbuy.blogspot.com/2009/09/odem-natural-heraldo-barbuy.html. Acesso em 1º de outubro de 2010.

Algumas indicações sobre as próximas eleições

A Frente Integralista Brasileira (FIB) sempre se pautou pela defesa de Deus, da Pátria, da Família, da Tradição e dos Direitos Naturais da Pessoa Humana, dos quais o mais fundamental é, sem dúvida alguma, o Direito à Vida.
Poucos brasileiros têm se destacado tanto na heroica luta em defesa de tais valores quanto nosso nobre companheiro Paulo Fernando Costa, um dos fundadores da FIB e Conselheiro desta instituição, cuja candidatura ao cargo de Deputado Federal pelo Distrito Federal apoiamos integralmente.
Além do companheiro Paulo Fernando, exemplar católico, patriota e nacionalista na acepção sadia, justa e construtiva do vocábulo, apoiamos outros três candidatos à Câmara dos Deputados, dois deles por São Paulo e um pelo Rio de Janeiro. Esses três nobres soldados de Cristo e da Pátria, que igualmente vêm se destacando no bom combate em defesa do Brasil Profundo, Verdadeiro e Autêntico e de tudo quanto este representa, são o Professor Hermes Nery, o Coronel Paes de Lira e o Doutor Wilson Leite Passos.
O Professor Hermes Nery, formado em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sendo também jornalista, escritor, membro da Academia de Letras de Campos do Jordão e ex-Presidente da União Brasileira de Escritores, nasceu em Curitiba/PR e há anos reside em São Bento do Sapucaí/SP. É Secretário Geral da Executiva Nacional do Movimento Brasil Sem Aborto e coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida e do “Movimento Legislação e Vida”, da Diocese de Taubaté/SP, a que pertence o Município de São Bento do Sapucaí. Presidente da Câmara dos Vereadores desta bucólica e tradicional cidadezinha da Serra da Mantiqueira, na região do Vale do Paraíba, que tem a honra de ser a terra natal de Plínio Salgado e de Miguel Reale, o Professor Hermes Nery é o principal responsável pela transformação de tal Município no primeiro Município Pró-Vida do Brasil.
O Coronel Paes de Lira, da Polícia Militar de São Paulo - a tradicional Força Pública Paulista de tão gloriosa história – tem se destacado como nenhum outro Deputado Federal na luta contra o III Programa Nacional de Direitos Humanos, o famigerado PNDH-3, bem como contra o aborto, a legalização das drogas e outras aberrações que os inimigos do Brasil querem ver aprovadas neste País. Apoia ele a candidatura de nosso companheiro Paulo Fernando pelo Distrito Federal e, considerando-se já eleito, apoia também a candidatura do Professor Hermes Nery por São Paulo.
O Dr. Wilson Leite Passos, ilustre jornalista, ex-Deputado Federal e Vereador na Cidade do Rio de Janeiro, há décadas pugna em prol dos lídimos valores tradicionais consubstanciados no lema “Deus, Pátria e Família”, bem como dos valores, destes decorrentes, de Moralidade e de Civismo. De 1949 a 1950 organizou e presidiu o Movimento Nacional Popular Pró-Eduardo Gomes, promotor da segunda candidatura presidencial do brigadeiro, e foi o autor, em 1954, do pedido de impeachment de Getúlio Vargas.
Nosso apelo é no sentido de que todos os verdadeiros Integralistas do Distrito Federal façam, nestes últimos dias antes das eleições, tudo aquilo que for humanamente possível para eleger o companheiro Paulo Fernando à Câmara dos Deputados; que os companheiros de São Paulo façam o mesmo em prol da candidatura do Professor Hermes Nery, uma vez que o Coronel Paes de Lira já se considera eleito e apoia a candidatura do Professor Hermes; e, por derradeiro, que os companheiros do Rio de Janeiro façam o mesmo em prol da candidatura do companheiro Wilson Leite Passos.
Que nenhum Integralista vote em qualquer candidato contrário às tradições cristãs do Brasil e defensor do aborto e de qualquer outra das demais aberrações contidas no PNDH-3, que deve ter como destino a latrina da História, assim como o PNDH-1 e o PNDH-2, estes últimos lançados ainda no (des)Governo FHC. E que todos os Integralistas tenham plena consciência de que esta Democracia inorgânica que aí está, ou melhor, que esta politicocracia a serviço da plutocracia internacional que aí está, deve ser o quanto antes substituída por uma Democracia Orgânica, onde o Povo Brasileiro se sinta e de fato seja efetivamente representado.
São estes os rumos de nossa Marcha, que é a Grande Marcha que levará à edificação do Grande Império da Terra de Santa Cruz/Brasil.
Pelo Bem do Brasil!
Anauê!

Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira. São Paulo, 30 de setembro de 2010/LXXVII.

Wednesday, September 29, 2010

Carta aos militantes lulistas

Escrevo aos militantes do lulismo para que desistam e que mudem de posição. Não se preocupem, abram suas mentes e perceberão que as diferenças entre "o boneco" Dilma e outras opções não são significativas no plano programático. Não teimem que todo aquele que discorda da eleição de Dilma é um "tucano", mesmo porque a maioria dos críticos deste governo mantém as mesmas críticas ao anterior.
Desistam de fazer papel de papagaios irracionais. Pensem!

Em pouco mais de dez dias do início do meu trabalho, recebi meia dúzia de ataques grosseiros, mas sequer uma palavra contestando as poucas informações que já reuni aqui. Nem mesmo os vídeos (que não fui eu que fiz) foram comentados. Isso mesmo tendo ficado claro meu desafio aos militantes: contestem e me escrevam que publicarei atalhos para as respostas sérias.

Verdades sobre "O novo Brasil" ("fundado" em 2003)

O governo Lula foi uma “Xerox” mal feita do governo anterior. Sabe quando a cópia faz do cinza escuro, preto e do cinza claro, branco? Exagerando em alguns pontos e ignorando outros. Isso ocorreu em vários casos. O mais gritante e lamentável foi na política econômica, sobretudo na questão bancária, com a vergonha dos maiores lucros e lucratividades da história da humanidade. Aliás, conhecem Carlos Lessa? Entre outras coisas oportunas declarou ele a respeito de Lula: "está sendo enganado pela elite brasileira e pela elite mundial".

Se prestarem atenção, perceberão que o campo não produz de um dia para o outro, que uma indústria não se implanta em uma semana nem que a qualificação profissional adequada se faz em um mês. Se prestarem atenção, perceberão que parte enorme do que foi colhido e festejado como "o novo Brasil" foi plantado anos antes - e muitas coisas foram preparadas há décadas. Já para perceber que o petróleo não se cria em menos de mil anos, acho que ninguém precisou prestar muita atenção - apesar da propaganda oficial tentar puxar a sardinha (que é de Deus) para a brasa do "são" Lula.

Um dos erros mais lamentáveis [da forte propaganda] foi ignorar o passado e forçar a barra do tal novo Brasil (chegam a usar até a Eletrobrás - cujos serviços não são consumidos pelo povo, mas que insistia em repetir a este que "estamos vivendo um novo Brasil", semanas antes do início legal das campanhas). Este abuso acaba por gerar (além da ignorância do povo), um despreparo geral para as próximas décadas, pois passam a ignorar o que tem que ser feito antes. A frase de Arlindo Veiga dos Santos é uma síntese brilhante "O Presente que nega o Passado não terá Futuro".

Este novo Brasil que estão tentando proclamar na marra seria um Brasil ateu, materialista, consumista e escravo. Isso é incompatível com nossos valores; serve para tapear o povo durante algum tempo, mas não somos assim. A metodologia da tapeação, que tanto o PT criticou, não tem força muito menos quando comete o equívoco de declarar guerra aos valores sagrados do Brasil. Negar nossa história, nossa tradição e nossa fé foi o erro que entrará para a história como a perda definitiva da capacidade de expansão das "esquerdas" no Brasil. Nosso amado Brasil se movimenta e se reordena; os brasileiros que estavam se dedicando aos seus trabalhos, às suas famílias e a Deus, estão percebendo que há uma tentativa de golpe e estão acordando para a defesa.


"Xiitas" suicidas

Peço desculpas ao povo xiita, mas este termo define bem aqui no Brasil as noções que temos por fanatismo suicida. O suicídio pode ser romântico para alguns, mas não vale a pena e é um erro. Algumas pessoas muito competentes, inteligentes e bem intencionadas estão entrando no jogo da "onda-vermelha". Onda de loucura, de superficialidade, de fanatismo cego, de ira, de paranóia coletiva e até mesmo de encorajamento para o crime! Tentei inúmeras vezes debater com vocês, mas ficam em pânico e fogem de qualquer debate sério. Este tipo de fenômeno tem colocado na condição de massa de manobra até mesmo pessoas com grande visão, incluindo bons jornalistas que resolveram amarrar-se a bombas na tentativa quixotesca de ferir o monstro que não existe.
Ver jornalistas que admiro pela competência sendo levados por esta onda me preocupa muito: estão abrindo mão da credibilidade. Não que um jornalista não possa manifestar sua posição política, aliás, acho que não erram os que o fazem de forma clara. Mas entre isso e teimar com absurdos há um caminho enorme. Vi jornalistas enfurecidos falando que violar sigilos é normal, falando que tudo isso é mero "factóide" eleitoral.

Senhores, prestem atenção. Não vejam em cada pensamento contrário um tucano: até porque pensam de forma muito parecida em relação às questões políticas. Não fiquem com este ódio que os tem cegado a ponto preocupante.
A senhora Dilma foi uma péssima escolha e é muito provável que não seja eleita por todos os sinais que vão se evidenciando. Então, poupem-se e reflitam. Abram mão do fanatismo para pensar e depois, se perceberem o erro do PT, colaborem com a divulgação deste trabalho.

Salve o Brasil!

Lucas P. de Carvalho

Saturday, September 18, 2010

Os Integralistas na Hora Presente


Por Luiz Gonçalves Alonso Ferreira



Eleições chegando e, em meio ao desolador panorama político – patente nos tragicômicos horários gratuitos –, a Frente Integralista Brasileira (FIB) se apresenta como esperançosa alternativa para os brasileiros insatisfeitos com os engodos e mentiras do decrépito sistema liberal-democrático vigente. Inspirados na trilogia Deus, Pátria e Família, há cinco anos trabalham os integralistas – nesta nova iniciativa – pela divulgação dos valores espiritualistas e dos princípios cívico-patrióticos em nossa sociedade.

Herdeira da Ação Integralista Brasileira – fundada no ano de 1932, pelo escritor e líder político Plínio Salgado, com o lançamento do célebre Manifesto de 7 de Outubro e fechada em 1937, pela ditadura do Estado Novo –, a Frente Integralista Brasileira desenvolve-se aos poucos, mas segura e firme, em todo o Brasil.

Como movimento político – encarando política no sentido aristotélico do termo, ou seja, política ético-finalista, visando o bem comum e a felicidade coletiva –, a FIB atua, porém, fora da linha partidária. Os integralistas não são ávidos caçadores de votos e, repudiando o fisiologismo e o parasitismo, tampouco cobiçam cargos políticos ou colocações nos órgãos públicos.

Isto porque, não obstante a visão utilitarista dos politiqueiros profissionais – lamentavelmente dominante nos dias de hoje -, acreditam os integralistas que, ao invés de se dirigir a um povo apenas de quatro em quatro anos com objetivos meramente eleitoreiros, fazendo da política um fim em si mesma, um movimento ou partido político deve, antes de mais nada, defender e pregar uma Idéia. A partir desta, construir, apresentar e trabalhar por um Programa.

Por isso, nos diversos núcleos e representações integralistas que vão se espalhando pelo país, muitos dos quais em estágio ainda embrionário, progredindo à custa de seus próprios (e escassos) recursos, dedicam-se seus membros, com afinco e elevado sentimento de brasilidade, no estudo dos mais variados temas nacionais. Analisando e discutindo a origem dos problemas brasileiros, os integralistas, a partir de sua doutrina – de sua concepção espiritualista do Homem e do Universo – constroem soluções, comunicando à sociedade suas propostas.

Depreende-se daí a aversão que o Integralismo provoca nos espíritos imediatistas, seguidores de homens (personalistas políticos) e não de idéias; nos adeptos dos populismos baratos e nefastos; nos propugnadores das soluções prontas e dos modelos importados - muitos dos quais aplicados em total inobservância às especificidades históricas e culturais do povo brasileiro. Os integralistas riem das receitas dos milagreiros políticos da liberal democracia, os quais, nas últimas décadas, em sua inépcia e covardia, levaram a nação ao acentuado estado de decomposição que ora se encontra e, a cada processo eleitoral, voltam sempre a pedir a “confiança de seu voto”, prometendo (em quatro anos!) curar o Brasil de seus males...

Assim é que, reagindo contra tais mentalidades e práticas, a FIB empreende suas ações, concretizadas já em congressos nacionais, encontros regionais, palestras, conferências, debates, publicações periódicas, manifestações públicas, ações sociais, etc. Também sua forte presença nos meios virtuais vem atraindo positivamente a atenção de um número crescente de brasileiros para este movimento renovador.

Pouco a pouco, o Integralismo se faz conhecido e os ideais da doutrina do Sigma se expandem pela nação. Opondo-se aos dois principais sistemas reinantes – de um lado o liberalismo, de outro o socialismo, doutrinas siamesas nascidas das concepções naturalistas e materialistas –, os integralistas pugnam pelo estabelecimento da verdadeira Democracia: a Democracia Orgânica. Nela, o Estado Integral propõe uma verdadeira reforma representativa, criando uma Câmara Técnica e dando voz política aos grupos profissionais; incentiva a cooperação entre as diferentes classes sociais, conciliando e regulando as relações entre capital e trabalho; estabelece em todas as áreas o perfeito equilíbrio entre os direitos individuais e os direitos coletivos; promove a harmonia e a unidade da Pátria, combatendo o jogo dialético de luta e as tentativas criminosas de divisão da sociedade brasileira – divisão entre raças, sexos, família, estados, etc. –, ultimamente muito fomentadas pelas forças antinacionais.

À Revolução do Espírito deverá seguir-se a grande obra de reconstrução nacional. Uma Idéia Nova vem proclamar os integralistas.

Sunday, September 12, 2010

A Associação Theotokos


Por Victor Emanuel Vilela Barbuy


A Associação Theotokos é uma entidade inspirada, antes de tudo, nos ensinamentos perenes do Evangelho e constituída por cristãos consagrados pelos votos de Pobreza, Castidade e Obediência. Tendo como patronos São Miguel Arcanjo, São Tiago Maior, São Jorge, Santa Helena e Constantino, pugna ela pela recristianização integral da Terra de Santa Cruz, isto é, pelo resgate de todos os princípios e valores cristãos componentes da Tradição do Brasil, Nação que nasceu sob o signo da Santa Cruz e que sob ele deve viver.
Os Missionários Theotokianos, homens e mulheres, solteiros e casados cuja vida diária é marcada pela oração contínua e pelo constante trabalho pelo pão de cada dia e pelo engrandecimento do Bem Comum, procuram viver de acordo com os preceitos do Evangelho, cuja Boa Nova anunciam. Anunciam, da mesma forma, as virtudes da Virgem Maria, Mãe de Deus (Theotokos), a quem consideram modelo para todos os cristãos.
Visando particularmente a formação dos jovens, os Missionários Theotokianos sustentam que a Pessoa Humana, dotada de corpo gerado a partir da concepção e de alma infundida por Deus no momento da concepção, é um Ente Integral, devendo receber uma Educação Integral, isto é, uma educação completa nos planos religioso, moral, ético, cívico, intelectual, físico e profissional. Do mesmo modo, os Missionários da Mãe de Deus, colocando o “nós” acima do “eu” e trocando o consumir pelo partilhar, o odiar pelo amar, o separar pelo unir e o egoísmo pela solidariedade, procuram auxiliar seus irmãos em todas as suas necessidades espirituais, morais, intelectuais e materiais. Ao contrário da corrente dominante nestes tempos de avassalador materialismo, os Missionários Theotokianos consideram os seus semelhantes não por aquilo que possuem ou pela classe social ou etnia a que pertencem, mas sim por suas virtudes morais e éticas e pelo trabalho por eles exercido em prol do Bem Comum, que está subordinado a Deus, o Ser Supremo, Absoluto e Imutável, princípio e fim de todas as coisas.
Os Theotokianos, tomando como inspiração o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo no episódio conhecido como Lava-Pés, quando Ele, o Divino Mestre, demostrou, por meio de Seu exemplo, que o serviço ao próximo é o serviço a Deus. Destarte, o membro da Associação Theotokos é um homem de serviço, sempre preparado para a ação em prol do próximo, pois, como mostra o referido exemplo do Cristo, dedicar a vida a servir o outro não é senão dedicá-la a Deus.
Tendo consciência de que, infelizmente, a maioria dos cristãos, mesmo muitos católicos, desconhecem o magno pensamento dos Doutores da Igreja, bem como muitos dos inúmeros tesouros que compõem a Tradição da Santa Igreja, a Associação Theotokos tem, entre suas finalidades, a divulgação de tal pensamento e de tais tesouros.
Funcionando como Centro de Estudos da Religião e da Filosofia Cristã, a Associação Theotokos adota, no plano filosófico, o Tomismo, proclamando, outrossim, a imperiosa necessidade de restauração da Filosofia Perene da Escolástica.
No plano jurídico, a Associação Theotokos adota a doutrina do Direito Natural Tradicional, também conhecido como Direito Natural Clássico, assentado na tradição formada pelos filósofos da Hélade, pelos jurisconsultos romanos e pelos teólogos e canonistas da Cristandade. Proclama, outrossim, a Associação Theotokos, que a Pessoa Humana é dotada de Direitos Naturais, decorrentes de sua própria condição e que devem ser respeitados pelo Estado e pelas demais pessoas. Em uma palavra, a Associação Theotokos defende a Intangibilidade da Pessoa Humana e de seus Direitos Fundamentais.
Sendo o mais fundamental dos Direitos Naturais o Direito à Vida, ora ameaçado em todo o Mundo pelas forças defensoras do aborto e da eutanásia, a Associação Theotokos tem, como uma de suas principais bandeiras, a defesa da Vida e, por conseguinte, o combate sem tréguas às hordas daqueles que apoiam o genocídio de inocentes, chegando mesmo a considerá-lo, por ironia das ironias, um Direito Fundamental da Pessoa Humana.
No plano econômico, a Associação Theotokos adota os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja, afirmando o Solidarismo Cristão e se opondo tanto ao capitalismo liberal quanto ao comunismo. Defende ela a livre iniciativa, a Propriedade privada, subordinada à sua Função Social, e o Princípio de Subsidiariedade, que consiste em as sociedades maiores, particularmente o Estado, auxiliarem e complementarem as atividades das pessoas e dos Grupos Sociais Naturais tanto no campo econômico quanto nos demais setores da vida humana, respeitando, é claro, a Intangibilidade da Pessoa Humana e dos Grupos Sociais Naturais.
Os Missionários Theotokianos defendem a Família, cellula mater da Sociedade e primeiro e mais fundamental dos Grupos Naturais, e proclamam que ela e todos os demais Grupos Naturais são anteriores ao Estado, que, por sua vez, não é senão a síntese espontânea dos Grupos Naturais e que existe para servir ao Homem e aos referidos grupos e não para violentá-los.
.Os Missionários Theotokianos têm consciência da importância do patriotismo, sentimento espontâneo e, como preleciona Leão XIII, decorrente da própria Lei Natural, que nos impõe o amor devotado ao país em que nascemos e crescemos [1]. Estão conscientes estes servos de Cristo e de Maria, porém, de que o amor à Pátria terrena não se deve sobrepor em hipótese alguma ao amor à Pátria Celeste, a quem deve o Homem a sua maior devoção.
Considerando que o verdadeiro nacionalismo, tendente ao universalismo e alicerçado na Tradição, é, como ressalta o pensador e sacerdote jesuíta Yves de la Brière, a “armadura do patriotismo” [2], os Missionários Theotokianos se proclamam nacionalistas, seguindo a lição do Papa Pio XI, quando este fala “do sentimento de justo nacionalismo, que a reta ordem da caridade cristã não somente não desaprova, mas com regras próprias santifica e vivifica” [3].
É por Nosso Senhor Jesus Cristo e pela Virgem Maria que os Missionários Theotokianos auxiliam o próximo, pregam os ensinamentos do Evangelho e da Tradição e lutam por uma Sociedade mais justa, solidária e fraterna, com harmonia e justiça social. E tendo consciência de que todos os males do Mundo Moderno derivam do descoroamento de Cristo e da Santíssima Virgem, proclamam os Missionários Theotokianos a imperiosa necessidade de restauração da realeza Daquele que é, a um só tempo, Deus e Filho de Deus, bem como de Sua Mãe, da Mãe de Deus.

In Corde Jesu et Mariae, semper.
Victor Emanuel Vilela Barbuy ,
São Paulo, 29 de agosto de 2010.


Notas:
[1] Leão XIII. Encíclica Sapientiae Christianae. Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_10011890_sapientiae-christianae_en.html. Acesso em 15 de outubro de 2007.
[2] BRIÈRE, Yves de la. Quels sont nos devirs envers la cité?. Paris: Editions Flammarion, 1930, p. 62.
[3] PIO XI. Encíclica Caritate Christi Compulsi. Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/pius_xi/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19320503_caritate-christi-compulsi_it.html. Acesso em 23 de julho de 2010.

Saturday, September 11, 2010

Discurso de 7 de Setembro


No dia 7 de Setembro de 1822, o então Príncipe Regente D. Pedro I, Defensor Perpétuo do Brasil, proclamou a nossa independência política em face da Pátria-Mãe, Portugal, independência esta que, de fato, já era uma realidade desde a vinda de seu pai, o tão grande quanto injustiçado Rei D. João VI, verdadeiro fundador do Império do Brasil.
No dia 7 de Setembro de 2010, o Brasil, governado por uma plutocracia corrupta e vassala da plutocracia internacional, dos grandes grupos econômico-financeiros com sede na City e em Wall Street, necessita de uma nova independência. Apesar das mentiras do “nosso” (des)Governo, o Brasil está, mais do que nunca, endividado perante tais grupos e espoliado, escravizado por eles, que nunca lucraram tanto, em nosso País, quanto no (des)Governo “Lula”.
A democracia que temos é uma mentira. Apoiada em quimeras e falácias, não é ela uma verdadeira Democracia, mas sim uma politicocracia a serviço do capitalismo internacional. Aliás, o capitalismo e o comunismo não são senão faces de uma mesma medalha, sendo ambos materialistas e filhos do Espírito Burguês, não sendo, pois, de se estranhar a aliança entre os comunistas do “nosso” (des)Governo e a plutocracia mundial.
Isto posto, cumpre ressaltar que o capitalismo não é o regime da propriedade privada e da livre iniciativa, que defendemos e que já existem desde os primórdios da Humanidade, muito antes, portanto, do surgimento do capitalismo, que somente se dá na Idade Moderna. O capitalismo é, em verdade, o sistema econômico no qual o sujeito da Economia é o Capital, sendo considerado o acréscimo indefinido deste o objetivo final e único de toda a produção.
É contra o Espírito Burguês, antitradicional e antinacional por excelência, que nós outros nos levantamos ontem, hoje e sempre, neste grande Movimento de Renovação Moral, Social e Nacional, representando a vanguarda do Brasil Profundo, Verdadeiro e Autêntico. E é por ser o comunismo produto do Espírito Burguês e, mais do que isso, o último e mais antitradicional estágio da marcha da civilização burguesa, cujo dever nosso é deter, que declaramos guerra sem quartel ao comunismo, ideologia materialista, ateia e espúria baseada no ódio e na inveja.
Brasileiros! Homens e mulheres de todas as Províncias deste vasto Império da Santa Cruz, uni-vos em torno do pavilhão nacional e da bandeira azul e branca do Sigma! Erguei bem alto vossos estandartes! Lutai, demonstrando vossa coragem, vossa tenacidade, vosso valor em defesa do nosso Brasil e de sua Tradição Integral! Não temais as ímpias hordas do inimigo, posto que, como não cansamos de repetir, cada um de vós, soldados de Deus e da Pátria, vale por cem soldados adversários e que convosco caminham vossos antepassados, o Brasil Profundo, a maioria silenciosa do Povo Brasileiro! Não temais mesmo a morte, pois a morte, para o justo, não é senão o despertar da verdadeira vida! Marchai! Deus e o Brasil esperam que cada um de vós cumpra o vosso dever! E que a vossa voz seja a voz do Brasil Profundo e do Grande Império que está nascendo! Moralmente, a vitória já é vossa! Avante!

Pelo Bem do Brasil e do Mundo!

Anauê!


Victor Emanuel Vilela Barbuy


São Paulo, 7 de Setembro de 2010-LXXVII

Thursday, September 02, 2010

Algumas razões para não votar em Dilma

Companheiros! Seguem algumas razões (dentre inúmeras outras, que seria por demais fastidioso enumerar) pelas quais julgamos que nenhum verdadeiro patriota e nacionalista brasileiro deva votar em Dilma Rousseff. E, antes que nos acusem de “tucanos”, ressaltamos que não apoiamos a candidatura de José Serra, ex-presidente da UNE, “esquerdista” confesso e aliado político de “ex-“terroristas como Aloysio Nunes Ferreira, ou qualquer outro candidato à Presidência da República.
1 – Dilma é terrorista. Participou dos grupos terroristas Colina e VAR-Palmares, que praticaram roubos, sequestros e assaltos a banco para financiar a revolução que, caso vitoriosa, implantaria no Brasil uma ditadura socialista nos moldes daquelas de Cuba, da China ou da antiga União Soviética.
2 – Dilma é adepta do marxismo, ideologia ateia e anticristã alicerçada nos sentimentos de ódio e de inveja e que só gerou miséria e desagregação moral e social, sem falar no saldo de mais de cem milhões de mortos.
3 – Dilma pertence ao autoproclamado Partido dos Trabalhadores, que, na verdade, só representa os seus interesses e aqueles dos grandes grupos econômico-financeiros internacionais. Aliás, os banqueiros nunca lucraram tanto, em detrimento do Povo Brasileiro, quanto nos anos do (des)Governo “Lula”.
4 – Dilma pertence ao (des)Governo “Lula”, que, além de ter sido o mais corrupto da História do Brasil (vide o “Mensalão”, os “sanguessugas” e tantos outros escândalos), está comprometido como nenhum outro com a internacionalização da Amazônia, apoiando ONGs internacionais e criando reservas indígenas em regiões estratégicas do ponto de vista da Segurança Nacional. Isto sem falar na desastrosa política que visa implantar uma verdadeira guerra étnica em nosso País, por meio de medidas profundamente racistas, nem tampouco na desastrosa política internacional, de que é exemplo o apoio a Manuel Zelaya, ex-presidente de Honduras, que perdeu o cargo por decisão da Justiça hondurenha, em virtude de haver violado a Constituição daquele país, que determina que quem pretender introduzir a reeleição perderá o cargo e ficará inabilitado de exercer qualquer função pública por um prazo de dez anos, não tendo sido, pois, vítima de um “golpe”, como proclama o “nosso” (des)Governo.
5 – Dilma apoia o PNDH-3, mal disfarçado programa de implantação de uma ditadura de tipo socialista “bolivariano” em nosso País, que defende o aborto, a união civil entre pessoas do mesmo sexo, a censura da imprensa, a retirada dos crucifixos das repartições públicas, a descriminalização do tráfico de drogas, o revanchismo contra os militares que participaram da repressão ao terrorismo e a guerrilha durante as décadas de 1960 e 1970, os diversos atentados contra o direito de propriedade e tantas outras aberrações.
6 – Dilma tem o apoio do tiranete venezuelano Hugo Chávez e é também a candidata predileta das FARC, do Foro de São Paulo e do crime organizado.
7 – Dilma é uma mentirosa contumaz. Já assumiu que participou da luta armada contra o Governo instaurado a partir do triunfo do Movimento cívico-político-miltar de 31 de Março de 1964 e depois se desmentiu; já disse que o Brasil pagou a dívida externa; já afirmou que tinha concluído Mestrado na UNICAMP, Universidade pela qual seria agora doutoranda e tantas outras mentiras. E mente descaradamente, por exemplo, ao sustentar que o aborto é uma questão de saúde pública. É necessário ressaltar, aliás, que a legalização do aborto é apenas uma das políticas que as forças do capitalismo especulativo internacional vêm realizando, especialmente a partir do chamado “Relatório Kissinger” (1973), com o fim de implantar o controle demográfico mundial.


Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira,
São Paulo, 2 de setembro de 2010-LXXVII

Wednesday, September 01, 2010

Convocação para o 7 de Setembro


Camisas e Blusas-Verdes! Homens e mulheres do Brasil Profundo! Soldados de Deus e da Pátria que vivem nos campos e nas cidades e labutam pelo vosso pão de cada dia e pelo engrandecimento da Nação e do Bem Comum! Pedras vivas da Revolução, da única verdadeira Revolução, que culminará na restauração do Primado do Espírito e na edificação do Estado Integral! Escutai!
No próximo dia 7 de Setembro, a Frente Integralista Brasileira (FIB) participará, em São Paulo, de uma caminhada no Parque da Independência, diante do Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, e do Monumento à Independência, onde repousam os restos mortais de D. Pedro I, primeiro Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil, a quem prestaremos homenagem, bem como aos demais próceres da Independência. A caminhada é em defesa da Independência e Soberania da Nação Brasileira, pela Vida e contra o comunismo, a corrupção, o crime organizado e sua associação com o atual (des)Governo. Nela, nós outros, Integralistas, proclamaremos, ademais, nosso integral repúdio à liberal-democracia e ao liberal-capitalismo, a eles opondo, como sempre fizemos, a Democracia Orgânica e o Solidarismo Cristão.
Em outras cidades desta Terra de Santa Cruz/Brasil, a FIB também realizará, no próximo dia 7, panfletagens e manifestações em defesa da Independência e Soberania deste vasto Império.
Companheiros! Saí às ruas, no próximo dia 7 de Setembro, e mostrai a vossa coragem, a vossa bravura, o vosso valor em defesa da Grande Pátria e de sua Tradição! Erguei bem alto o pavilhão nacional e a bandeira azul e branca do Sigma! Não temais as nefandas hordas do inimigo, posto que cada um de vós vale por cem soldados adversários e que convosco caminham todos os vossos antepassados e mesmo a maioria silenciosa do Povo do nosso Brasil! A vossa voz é a voz do Brasil Profundo e do Grande Império que está nascendo!

Anauê!
Pelo Bem do Brasil e de todo o Mundo!
Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da FIB, São Paulo do Campo de Piratininga, 1º de setembro de 2010-LXXVII.