Saturday, February 06, 2010

Richard Wagner na Tradição e na Missão Alemã


Por Victor Emanuel Vilela Barbuy


Nascido Wilhelm Richard Wagner em Leipzig a 22 de março de 1813 e falecido em Veneza a 13 de fevereiro de 1883, o autor de Tannhäuser e de Parsifal é sem dúvida o maior e o mais alemão dos compositores alemães, bem como um inspirado poeta, vigoroso ensaísta e, antes e acima de tudo, o mais brilhante intérprete da Tradição (Überlieferung) Alemã e do Espírito do Povo (Volksgeist) Alemão no campo da Arte.
Patriota e nacionalista na mais plena acepção de tais vocábulos, o profeta do Homem e da Obra de Arte do Futuro – que não são senão o Homem e a Obra de Arte Tradicionais -, sempre fiel à Alemanha e à grandiosa missão que esta nação desempenhava e desempenharia no Mundo, recebeu a honra de viver e mesmo de inspirar profundamente o I Renascimento Alemão e de ser o grande inspirador dos demais Renascimentos Alemães, tanto o passado quanto o futuro, a que um dia assistiremos.
Encarnação viva da alma de seu povo, ninguém compreenderá a Alemanha profunda, autêntica e verdadeira sem antes compreender este arauto e apóstolo da Tradição e da Missão Germânica.
Aquele que passar em revista a História das últimas centúrias, verá que a edificação de Bayreuth por Wagner se constituiu no mais relevante acontecimento cultural alemão do século XIX e, ademais, na mais poderosa reação partida daquele século contra o Espírito Burguês e seu produto, o Mundo Moderno, no campo da Cultura. E, se podemos afirmar que Ludwig II, o tão grande quanto injustiçado e incompreendido rei da Baviera, foi coautor de Bayreuth e de toda a produção musical de Wagner nos derradeiros decênios de sua existência, também podemos dizer que Wagner foi coautor dos magnificentes palácios de Linderhof e de Herrenchiemsee e do ainda mais esplêndido castelo de Neuschwanstein.
Maior vulto do Romantismo Alemão no plano musical, Wagner é, assim como Schubert, Beethoven e Brahms – como ressalta Heraldo Barbuy em seu magnífico ensaio sobre A Nação e o Romantismo - um compositor universal, mas também um compositor especificamente alemão. Como observa o ilustre filósofo patrício, “sem Wagner não poderia haver a música wagneriana, mas sem a cultura que se corporifica em Wagner, sem os motivos arquetípicos que assumem em Wagner a consciência da sua expressão, essa música não poderia ter existido” [1].
Como sublinha o autor de Marxismo e Religião no ensaio supracitado:
“A imagem da comunidade primordial, os deuses pré-cristãos, o Walhalla, Wotan e Thor, os herois legendários, a árvore Ygdrasil, o sopro e a tempestade das grandes florestas, tudo o que retomou sua forma na música wagneriana, são tesouros no inconsciente do Volk. Os deuses, ardentemente chamados por Hölderlin, voltaram efetivamente com Wagner. Em Wagner, mais do que em Schubert, Beethoven e Brahms, a música se explicitou como linguagem específica do inconsciente nacional. A música não tem, como a linguagem falada, um conjunto de significados mais ou menos delimitados, conscientes e lógicos; a música irrompe do inconsciente mais profundo, trazendo consigo a nostalgia, a evocação, os transes emocionais inexplicáveis; a música evoca as matrizes originais. Por isso, mais do que a linguagem falada, a música se apresentou muitas vezes aos românticos como a efusão direta da sua Urquelle. O tesouro encontrado por Siegfried na caverna subterrânea é a imagem da riqueza sepulta no inconsciente; os anões que guardavam o tesouro petrificaram-se, assim como nas torrentes do movimento emocional se petrificam os obstáculos conscientes à revelação das vivências profundas. E cada povo, segundo os românticos, se encontra e se manifesta a si mesmo, quando descobre esse tesouro oculto no seu inconsciente” [2].
Isto posto, insta ressaltar que, como frisa o Prof. Barbuy, o Romantismo Alemão, ou simplesmente Romantismo, não pode e não deve ser confundido com o lirismo e o sentimentalismo, sendo, sim, a “reconstituição orgânica duma visão mágico-metafísica da natureza”. Foi em função de sua Cosmovisão, de sua Weltanschauung, que o Romantismo promoveu “novas artes e novas formas de arte; novas ciências e novas visões da ciência; a filosofia dos valores e o sentido do Valor; as novas perspectivas da história e a revitalização dos Mythos originários, a música, a poesia e as demais exteriorizações que lhe são típicas” [3].
Cumpre ressaltar, ademais, que o Romantismo Alemão, que tem como antecedentes imediatos o Sturm und Drang e, sobretudo, a obra de Hamman e Herder, dois dos principais vultos daquele movimento filosófico e literário, se inicia efetivamente com Friedrich Schlegel e tem, ao contrário do Romantismo Francês, um caráter profundamente tradicionalista, consistindo em uma autêntica Revolução Tradicional. Tanto que influenciou sobremaneira os vultos da denominada Revolução Conservadora (Konservative Revolution), fortíssima na Alemanha entre o final da década de 1910 e os albores da década de 1930, isto é, justamente no tempo em que aquela nação vivia sob a égide da antinacional e inautêntica República de Weimar, a que os adeptos da chamada Revolução Conservadora se opunham firmemente, anunciando o advento do III Reich, expressão que os nacional-socialistas apreciariam e copiariam.


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Wagner, que afirmou que sua “verdadeira missão” era “semear a revolução” por onde quer que passasse [4], foi, antes de tudo, um revolucionário. Mas um revolucionário na acepção autêntica, tradicional e profunda do termo, isto é, um partidário da verdadeira Revolução, que algures definimos como “uma mudança de atitude em face da realidade e dos problemas, que implica na revolta contra a inautenticidade do Mundo Moderno e Contemporâneo e na recondução da Sociedade, nos planos moral e ético, a seu ponto de partida, que está no Mundo da Tradição, o qual não é senão o Mundo regido por princípios que transcendem os sós elementos puramente humanos”, e como “a transmutação integral de valores no sentido de destruição dos princípios inautênticos do Mundo Moderno e Contemporâneo e de restauração dos princípios perenes e autênticos da Tradição” [5].
À inautêntica superstição no progresso indefinido do Homem, tão característica da civilização burguesa, Wagner opunha a noção da regressividade histórica, presente em todas as culturas tradicionais. “A teoria da degenerescência do gênero humano (...) é ainda a única que, a partir de séria reflexão, pode nos dar sólida esperança”, sentenciava o Mestre em Religião e Arte (Religion und Kunst) [6].
A tradicional noção da regressividade histórica é, como evoca Heraldo Barbuy, implícita ao culto dos ancestrais, à crença de que o fundador da Cidade era um heroi semidivino, do qual se descendia, declinando. Assim, as virtudes dos tempos passados assomavam como valores perdidos pelo presente e a Tradição adquiria um sentido social preponderante [7]. Exemplo disto é a divisão da História do Homem em idades sucessivas declinantes, presente em diversos povos. A primeira idade, chamada Idade de Ouro pelos helenos e romanos e de Krta Yuga ou Satya Yuga [8] pelos indianos, foi a idade integral, a idade perfeita, a idade autêntica. Já a idade atual, denominada Idade do Ferro na Hélade e em Roma, Kali Yuga na Índia e Idade do Lobo na Germânia, é a Idade das Trevas, caracterizada pela discórdia, pela ambição, pela luxúria, ou, em uma palavra, pelo mais avassalador materialismo. Segundo os Puranas, esta idade nefasta somente terminará quando Kalki, o décimo e último avatar de Vishnu, vier, montado em um cavalo branco e empunhando uma espada, e restaurar o Dharma, dando início a uma nova Krta Yuga.
Havendo feito referência à Índia e seus poderosos mitos, reputamos oportuno ressaltar que Wagner foi – a exemplo de tantos outros alemães de seu tempo – um profundo admirador da Índia, do Budismo e do Hinduísmo, sobretudo após ter lido, em 1854, O Mundo como vontade e representação (Die Welt als Wille und Vorstellung), de Schopenhauer. Em 1856, escreveu ele o roteiro para uma ópera ambientada na Índia e intitulada Die Sieger, que, infelizmente, jamais saiu do papel. E anos mais tarde, o Conde de Gobineau, cujo pensamento bastante influenciou os derradeiros escritos wagnerianos, escrevia a seu grande amigo, o Imperador do Brasil, D. Pedro II, dizendo, dentre outras coisas:
“[Wagner] tem ideia de fazer uma Nova Ópera e é muito natural que ele pense nisso ativamente. Trata-se de um tema indiano e, na realidade, um poema sobre a origem primeira deste tema imenso. Ele é bem o homem que se faz mister para pensar, conceber e por em ação um plano desses” [9].
Tendo mencionado o Imperador D. Pedro II, julgamos válido recordar que foi este estadista um grande admirador de Wagner e, mais do que isso, um dos primeiros admiradores do compositor fora da Alemanha.
Em 1857, quando Wagner se encontrava exilado na Suíça, recebeu a visita do Dr. Ernesto Ferreira, que teria se apresentado como cônsul brasileiro em Leipzig e contou ao artista que o Imperador do Brasil era um profundo admirador de sua obra, transmitindo o convite do Marco Aurélio dos trópicos para que o poeta de Lohengrin fosse ao Rio de Janeiro conduzir, pessoalmente, suas óperas no Teatro Lírico. Como não se cantava em alemão na Corte brasileira, seu libreto deveria ser traduzido para o idioma italiano, o que o Imperador julgava que não seria nada difícil [10].
Tais propostas exerceram “agradável influencia” em Wagner, que pensava poder facilmente produzir um “apaixonado poema musical” que ficaria excelente no idioma de Rossini e Verdi, de sorte que voltou a se dedicar a Tristan und Isolde, que seria esse poema [11].
Na mesma época, Wagner enviou a D. Pedro II, por meio de Ferreira, as partituras de suas três primeiras óperas adaptadas para piano. Por um bom tempo, esperou notícias de sua “esplêndida recepção no Rio de Janeiro”, mas estas jamais chegaram [12], de modo que o compositor acreditou, durante longos anos, que havia sido enganado.
Em 1871, porém, quando o Imperador do Brasil viajava pela Europa pela primeira vez, fez questão de visitar Wagner [13], que assim soube que a admiração que o monarca nutria por sua obra era verdadeira.
Em agosto de 1876, quando o Teatro de Bayreuth foi inaugurado, com a primeira apresentação completa da Tetralogia do Anel, D. Pedro II, que doara dinheiro para a construção daquela grandiosa casa de espetáculos, esteve presente, assim como Wilhelm I, Kaiser da Alemanha, Ludwig II, Rei da Baviera, o então praticamente desconhecido filósofo Friedrich Nietzsche e os compositores Franz Liszt, Edvard Grieg, Piotr Ilitch Tchaikovski e Anton Bruckner, dentre outros ilustres. Na mesma ocasião, segundo o crítico musical Arthur Torelly Franco, D. Pedro II teria participado do banquete comemorativo realizado em casa de Wagner, assim como sido homenageado por Liszt com um concerto [14].
Voltemos, contudo, a Wagner e seus ideais políticos. Foi o Mestre, como afirmamos, um homem profundamente imbuído dos mais sadios e edificadores ideais patrióticos e nacionalistas. Tudo o que fez foi em nome de Deus e da Grande Alemanha, forte, unida e soberana que viu renascer, como uma Fênix, das cinzas da pequena Alemanha, fraca e dividida em diversos reinos, principados, grão-ducados, ducados e cidades livres.
Em 1842, ajoelhado às margens do Rio Alemão (o Reno), jurou fidelidade eterna à sua pátria, se mantendo fiel a este juramento até o derradeiro de seus dias [15].
Foi o referido juramento que levou Wagner a participar ativamente do levante de 1849 em Dresden, onde demonstrou singular coragem, em particular quando cruzou as barricadas para distribuir entre os soldados prussianos, inimigos do levante, tiras de papel em que se lia a seguinte pergunta: “Estais conosco contra as tropas estrangeiras?” [16].
Como assinala Houston Stewart Chamberlain, genro e discípulo de Wagner, o fato de os prussianos não haverem matado o compositor de Rienzi nesta ocasião somente se explica por um milagre, que, por seu turno, somente se explica “pelo poder quase mágico de uma grande personalidade”. Em seguida, pondera o autor de Os fundamentos do século XIX (Die Grundlagen des Neunzehnten Jahrhunderts) que Wagner demonstrou, por meio deste temerário gesto, ser um “verdadeiro heroi, sem medo e sem máculas, que, sem armas e consciente de servir a uma boa causa, se atrevia a se introduzir, em plena luz do dia, nas fileiras de seus inimigos” [17].
É bem sabido que Richard Wagner chegou, anos mais tarde, a declarar que seus atos em 1849 haviam sido precipitados e mesmo os qualificou de “aventuras tolas” [18]. Da mesma forma, podemos bem considerar o levante de Dresden – assim como todos os demais levantes que compõem a “Revolução” de 1848-49 – como antitradicional e inautêntico. Não podemos deixar, porém, de concordar com Stewart Chamberlain quando este afirma que as ações de Wagner naquele conturbado período da História europeia foram “motivadas por um ardente amor à sua pátria alemã” e que sua atitude de se unir à resistência saxã contra os prussianos, se não foi acertada do ponto de vista político, certamente foi um “ato indubitavelmente nobre” [19].
Ainda que muitos não saibam, Wagner sempre foi monarquista. Como aduz Houston Stewart Chamberlain, a Monarquia ou, mais precisamente, a Monarquia Absoluta, sempre foi para o Mestre “o ponto central iniludível de toda organização estatal” [20].
Adversário da Monarquia constitucional parlamentar burguesa, que os liberais queriam ver implantada na Alemanha, Wagner ressaltou, no célebre discurso ante a associação patriótica e democrática Vaterlandsverein, de 1848, que esta forma de organização monárquica do Estado não era “alemã, mas sim estrangeira” [21], o que naturalmente era um absurdo para alguém que tinha firme consciência de que as instituições políticas de uma nação devem emanar do Passado Integral desta, tanto que proclamara um ano antes, na terceira cena do terceiro ato de Lohengrin: “Para a pátria alemã, a espada alemã” [22].
Cumpre ressaltar que a Monarquia que Wagner defendia não era, ainda que não tivesse consciência disto, a Monarquia Absoluta, mas sim a Monarquia Tradicional, em que o Rei reina e governa, mas tem seu poder concretamente limitado pelas Assembleias, constituídas pelos representantes dos Corpos Intermediários, dos Grupos Naturais componentes da Sociedade, e às quais cabe a administração dos negócios do Estado; a Monarquia de São Luís, Rei de França; a Monarquia tida por Santo Tomás de Aquino como a melhor dentre as formas de governo [23]; a Monarquia que vigorou na Espanha e no Portugal das Cortes, na França dos Estados Gerais, na Inglaterra do Parlamento de outros tempos e na Alemanha da Dieta. Esta forma de Monarquia, tão bem defendida por António Sardinha e Francisco Elías de Tejada em obras que consideramos fundamentais para o conhecimento da Monarquia autêntica [24], infelizmente tem sido confundida por muitos com a Monarquia Absoluta, sua degenerescência, tanto que partidários seus, tais como os miguelistas e integralistas lusitanos, os carlistas espanhois e os patrianovistas brasileiros, vêm há muito sendo chamados, erroneamente, de absolutistas.
Antes de encerrar estas breves linhas a respeito da Monarquia Tradicional, julgamos oportuno transcrever algumas considerações que sobre esta forma de organização monárquica do Estado fez o doutrinador político espanhol Donoso Cortés, em quem Carl Schmitt via, acertadamente, um pensador que, por suas “observações e intuições geniais”, devia ser reconhecido como “um dos maiores pensadores políticos do século XIX” [25]:
“A Monarquia hereditária, tal como existiu nos confins que separam a Monarquia feudal e a absoluta, é o tipo mais perfeito e acabado do Poder político e das hierarquias sociais. O Poder era uno, perpétuo e limitado; era uno, na pessoa do rei; era perpétuo, em sua família; era limitado, porque em qualquer parte encontrava uma resistência material numa hierarquia organizada” [26].
Para Wagner, a Religião era, para a vida interior, aquilo que a Monarquia era para a exterior. Como ressalta Houston Stewart Chamberlain, mesmo entre 1848 e 1852, quando o Mestre condenava abertamente o Cristianismo histórico, jamais deixou de falar, em seus numerosos escritos, da Religião como fundamento da “dignidade humana” e como “fonte de toda a arte” [27]. Pertence a tal época o ensaio A Arte e a Revolução, que termina com os seguintes dizeres:
“Levantemos então, na vida e na arte, o altar do futuro em honra dos dois mestres mais sublimes dos homens: Jesus, que sofreu pela humanidade, e Apolo, que a ergueu ao júbilo da dignidade” [28].
No discurso perante a Vaterlandsverein, Wagner proclamou: “Deus nos iluminará para encontrarmos a lei correta!”. Pouco adiante, designou ele, como meta, “a consecução da doutrina pura de Cristo” e falou da “consciência cumprida com Deus” do Rei [29].
É, porém, nas óperas Tannhäuser e, principalmente, Lohengrin e Parsifal que o Cristianismo de Wagner aparece de forma plena. Em Richard Wagner e "Tannhäuser" em Paris, magnífica defesa do compositor germânico e de sua obra contra seus inimigos, a imprensa a soldo da Chandala que há séculos domina as nações e os alienados a seu serviço, responsáveis pelo retumbante fracasso da ópera wagneriana em Paris no ano de 1861, Baudelaire transcreve um trecho do programa distribuído então no Theátre-Italien em que Wagner afirmava:
“Desde os primeiros compassos, a alma do piedoso solitário [Lohengrin] que espera o vaso sagrado mergulha nos espaços infinitos. Ele vê se formar pouco a pouco uma aparição estranha que assume um corpo, uma forma. Essa aparição se define ainda mais, e a legião milagrosa dos anjos, conduzindo entre eles o cálice sagrado, passa diante dele. O santo cortejo se aproxima; o coração do eleito de Deus se exalta pouco a pouco; amplia-se, dilata-se; inefáveis aspirações nele despertam; cede a uma beatitude crescente, encontrando-se sempre próximo da luminosa aparição, e quando, enfim, o próprio Santo Graal aparece em meio ao cortejo sagrado, ele se abisma em uma adoração extática, como se o mundo inteiro tivesse repentinamente desaparecido.
Entretanto o Santo Graal lança suas bênçãos sobre o santo em oração e o consagra seu cavaleiro. Em seguida, as chamas ardentes abrandam progressivamente seu esplendor; em sua santa alegria, a legião dos anjos, sorrindo à terra que abandona, retorna às celestes alturas. Ela deixou o Santo Graal sob a guarda dos homens puros, no coração dos quais espargiu o divino licor, e a augusta legião se esvanece nas profundezas do espaço, da mesma forma como delas havia saído” [30].

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Em 1848, quando Comte propunha a reorganização da Sociedade “sem Deus nem Rei” [31], Wagner pregava, no discurso da Vaterlandsverein, a “confiança em Deus e no Rei” [32].
Em 1851, quando toda a civilização burguesa, embevecida pelo mito inautêntico do progresso ilimitado, se julgava superior às civilizações que a haviam precedido, Wagner, consciente de que não há verdadeiro progresso que não esteja firmemente enraizado na Tradição e de que não se faz nada de grande sem o devido respeito aos antepassados, proclamava que o futuro só é pensável enquanto “condicionado pelo passado” [33].
Anos depois, mais precisamente em 1880, o compositor de Meistersinger, reconhecendo, uma vez mais, o princípio da decadência da Humanidade, proclamava a necessidade da regeneração do Homem, a que se entregara com todas as forças, deixando claro que tal regeneração poderia se dar tão somente sobre as bases de uma “verdadeira Religião” [34].
Assim pensava Wagner, este Mestre da Tradição Alemã e adversário consciente do Espírito Burguês, que podemos classificar como o mais ferrenho inimigo, no plano artístico, da corja de fariseus que transformou o Mundo em um vasto mercado governado pelo dinheiro e seu nefando poder, e que, mais do que isso, fez com que o dinheiro e a usura se transformassem, respectivamente, na expressão do poeta de Siegfried, no “nosso Deus” e na “nossa religião” [35].

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Friedrich Nietzsche, que conheceu Wagner em Leipzig, no ano de 1868, viu inicialmente no compositor de Lohengrin a encarnação suprema do gênio alemão. Sua primeira obra, O nascimento da tragédia no espírito da música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik), de 1871, foi, antes e acima de tudo, uma homenagem a Wagner, nela sendo interpretado o drama wagneriano como a obra de arte integral, correspondendo à tragédia dos antigos helenos. Nesta obra, que, como assinala Belkiss Silveira Barbuy, reflete o gênio de Nietzsche, sua visão do Mundo Helênico e as “sombras grandiosas de Wagner e Schopenhauer” [36], o futuro autor de Assim falava Zaratustra (Also sprach Zarathustra), profundamente influenciado pela visão que Wagner possuía da Grécia Antiga e que podemos ver plenamente em sua obra A Arte e a Revolução (Kunst und Revolution) [37], de 1849, vê no autor de A obra de arte do futuro (Das Kunstwerk der Zukunft) o realizador da admirável síntese da tragédia grega, da música alemã e da filosofia schopenhaueriana, o Super-Homem dionisíaco que restaurara o trágico espírito helênico e o enriquecera com as ideias do autor de O Mundo como vontade e representação.
Mais tarde, porém, Nietzsche, já havendo rompido com Wagner, passou a considerar esta primeira obra com dureza, como recorda Eugen Fink [38]. Isto posto, faz-se mister sublinhar que, ao contrário do Prof. Fink [39], julgamos a visão posterior de Nietzsche a respeito de tal obra integralmente equivocada, uma vez que em nada fica ofuscado o brilho do tema fundamental do escrito pela justíssima apologia de Wagner e de sua ópera.
É em O nascimento da tragédia, ademais, que o então jovem discípulo de Wagner observa que o Espírito Alemão não perdera para sempre a sua Pátria Mítica, já que ainda compreendia claramente o canto das aves que lhe falavam de tal pátria. E, em seguida, anuncia o futuro despertar do Espírito Alemão, que se daria quando este sentisse “o vigor de uma brisa matinal, para se libertar de sono tão profundo”; uma vez liberto, haveria de matar dragões, de aniquilar pérfidos anões de Nibelungen e de acordar Brünhilde, sendo que nem a lança de Wotan poderia detê-lo nesse caminho [40].
Em 1872, lançou-se a pedra fundamental do Teatro de Bayreuth e seu idealizador, Richard Wagner, regeu, em celebração, a Nona Sinfonia de Beethoven. Pouco depois, Nietzsche principiou a escrever o primeiro ensaio da série que denominaria Considerações inatuais (Unzeitgmässe Betrachtungen), dirigido contra David Strauss [41]. A última das quatro Considerações inatuais (ou Considerações extemporâneas), Richard Wagner em Bayreuth (Richard Wagner in Bayreuth), seria publicada em 1876, quando já se aproximava o rompimento entre Wagner e Nietzsche.
Em Richard Wagner em Bayreuth [42], Nietzsche ainda apresenta o criador da Tetralogia do Anel ainda é apresentado como o magno artista, o magno gênio criador capaz de reconduzir o Homem e a Arte à dimensão superior que haviam atingido na Antiga Hélade.
Em Wagner, Nietzsche viu, na juventude, “incorporado o seu ideal artístico”, como aduz Lorenzo Giusso. Em Wagner, enxergou ele, como observa o pensador italiano, uma “espécie de Alexandre do Romantismo, que transportava a distâncias vertiginosas os programas e os ideiais: onde os Tieck e os Novalis haviam fracassado, isto é, na instauração da artecracia e em uma transformação da vida por meio da arte, Wagner havia obtido sucesso” [43].
São bem conhecidos os escritos que Nietzsche dirigiu contra Wagner após o rompimento de ambos, em especial O caso Wagner (Der Fall Wagner), de 1888. Nesta obra, Nietzsche chegou a colocar em dúvida a germanidade do antigo mestre, afirmando que era “difícil distinguir nele um único traço alemão” e que, “como grande aprendedor que era”, havia tão somente aprendido “a imitar muito bem as características alemãs”. Em seguida, escreveu que Wagner era, em verdade, filho de seu padrasto, o ator e pintor Ludwig Geyer, que seria judeu [44].
Vale ressaltar, porém, que, embora Wagner realmente tenha acreditado ser filho Geyer, não há provas de que realmente o fosse e, do mesmo modo, ainda que Geyer seja um nome comum entre judeus, nem todos aqueles que o possuem o são e não existem quaisquer provas de que Geyer fosse judeu ou mesmo de que tivesse ascendência judaica.
Faz-se mister sublinhar, contudo, que, a despeito de todos os ataques que dirigiu contra Wagner, Nietzsche jamais pôde se afastar da influência deste, tanto que seu Super-Homem (Übermensch) foi profundamente influenciado pelo Homem do Futuro (Mensch der Zukunft), wagneriano, do mesmo modo que seus célebres conceitos sobre Apolo e Dioniso já estão presentes, com patente claridade, nas páginas de A Arte e a Revolução, o pequeno grande livro escrito por Wagner no ano do Levante de Dresden. Há, ainda, profunda influência wagneriana sobre diversos outros elementos do pensamento e a obra de Nietzsche, sobretudo em Assim falava Zaratustra, como, aliás, muito bem demonstrou Roger Hollinrake em excelente estudo a respeito do tema [45].

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Numa pequena Alemanha dividida em diversos reinos, principados, grão-ducados, ducados e cidades livres, sonhou Wagner com o Renascimento da Grande Alemanha, forte e unida, como nos tempos do Sacro Império Romano-Germânico; sonhou com uma Alemanha que deixasse de ser a Nação do Ontem e do Amanhã para ser também a Nação do Hoje. Foi, outrossim, o correspondente alemão de Cola di Rienzo (ou Rienzi), o “último dos tribunos”, o grande revolucionário romano que, na dividida Itália do Medievo, sonhou com a restauração da Res Publica Romana [46]. Mas, ao contrário do Imperator Italiae, Wagner pode ver seu sonho se transformar em realidade.
Inimigo figadal do Mundo Moderno, Wagner definiu este, em seu escrito sobre a estreia de Parsifal, de novembro de 1882, como o “mundo do crime e da pilhagem organizados e legalizados pela falsidade, a mentira e a hipocrisia” [47].
Alemão até à medula, soube ouvir, como nenhum outro em seu tempo, o canto das aves que falam da Pátria Mítica Alemã, a música secreta das florestas, bosques e rios germânicos, o apelo do Caminho do Campo, que, no dizer de Heidegger, nos faz “de novo habitar uma distante Origem, onde a terra natal nos é devolvida” [48].
Wagner foi o compositor do Mito, que definia como o “poema primitivo e anônimo do povo”, encontrado em todas as épocas, “reutilizado, remanejado incessantemente pelos grandes poetas dos períodos cultos”. No Mito, prosseguia ele, “são despojadas as relações humanas, quase completamente, de sua forma convencional e inteligível somente à razão abstrata” [49].
Como aduz Édouard Schuré em célebre obra sobre Wagner, o autor de Die walküre e de Tristan und Isolde, no íntimo de seu pensamento, lembra Wotan, o “Júpiter germânico”, que ele recriou à sua imagem e semelhança, Deus filósofo e pessimista, sempre inquieto com a perspectiva do Ragnarök. Mas, por sua natureza vibrátil, lembra Siegfried, o heroi ingênuo e forte, alheio a medos e a escrúpulos, que forja a própria espada e se lança à conquista do Mundo. O milagre de Wagner é, segundo o autor franco-germânico, a realização destes dois tipos, “fundidos num só pela constante união de uma reflexão profunda e de uma espontaneidade criadora” [50].
Em uma das não muitas passagens felizes de sua obra a respeito do Pensamento Alemão, Jean-Édouard Spenlé observa que “Richard Wagner é, depois de Goethe, o maior acontecimento da cultura alemã”, mas um acontecimento orientado em sentido oposto:
“O que Goethe foi para o cosmopolita século XVIII, Richard Wagner foi-o para o romântico e nacionalista século XIX; foi a conclusão, a suprema realização do romantismo alemão, sendo ao mesmo tempo o realizador da Renascença germânica e o ativo propagandista dum pangermanismo musical, cujas vitórias, através do mundo, coincidindo com as vitórias das armas alemãs, serão cedo consideradas como a manifestação triunfal da própria missão alemã. É, seguramente, o mais forte realizador artístico que a Alemanha produziu até hoje” [51].
Insta ressaltar, contudo, que discordamos de Spenlé, quando este afirma que Wagner foi, depois de Goethe, o maior acontecimento da Kultur alemã, uma vez que, em nossa opinião, o poeta de Bayreuth foi imensamente maior e mais autêntico do que Goethe, que, embora poeta dos mais inspirados, não representou mesmo o maior acontecimento da Kultur alemã do século XVIII, uma vez que Hölderlin, o poeta por excelência, ou, como diria Heidegger, o “poeta do poeta” [52], foi também imensamente maior e mais autêntico do que o autor do Fausto (Faust).
Foi Wagner, como afirmamos, o mais brilhante intérprete, no plano artístico, da Tradição Alemã e do Espírito do Povo Alemão, isto é, do “espírito alemão”, que, segundo o Mestre de Bayreuth, “deve conduzir o seu povo, se ele quer cumprir a sua missão de fazer a felicidade dos outros povos” [53]. Foi ele o artista da Grande Arte, a Revolução autêntica feita carne e feita gênio, em nome do Espírito e da Kultur, contra a Chandala que há séculos controla o Mundo; contra o shylokismo internacional, corruptor do Homem e da Arte e responsável pela deificação do dinheiro; contra os anões de Nibelungen e sua civilização materialista e inautêntica; enfim, contra o Mundo Moderno, caracterizado pela tirania da Matéria sobre o Espírito e do Espírito da Burguesia sobre o Espírito da Nobreza.
Wagner foi demasiadamente grande e demasiadamente heroico, razão porque atrai o ódio das mentalidades ignaras e medíocres, incapazes de compreender a grandeza deste Homem Integral e a genialidade de sua Música, de seu Drama, de seu Pensamento. Tal como o legendário heroi Siegfried, o compositor de Das Rheingold, armado da espada por ele próprio forjada, derrotou o dragão, conquistou o anel, atravessou o círculo de fogo e despertou Brünhilde. Tendo consciência de que tudo o que é nobre caminha em meio à tempestade, viveu ele nos elevados planos desta e fulminou os inimigos com raios tão poderosos quanto aqueles de Donar. Fiel à Tradição Germânica com a mesma fidelidade das águias de Wotan, cumpriu ele, magistralmente, a sua missão neste Mundo, que foi, como vimos, a de semear a Revolução por onde quer que passasse.


NOTAS:


[1] BARBUY, Heraldo. BARBUY, Heraldo. A Nação e o Romantismo. In BARBUY, Heraldo. O problema do Ser e outros ensaios. São Paulo: Convívio/Editora da Universidade de São Paulo (EDUSP), 1984, p. 272.
[2] Idem, p. 280.
[3] Idem, p. 260.
[4] WAGNER, Richard, apud FONSECA, Carlos da. Introdução. In WAGNER, Richard. A Arte e a Revolução. Trad. portuguesa de José M. Justo. 2ª ed. Lisboa: Edições Antígona, 2000, p. 7.
[5] BARBUY, Victor Emanuel Vilela. A verdadeira Revolução. In http://cristianismopatriotismoenacionalismo.blogspot.com/2009/11/revolucao.html. Acesso em 17 de janeiro de 2010.
[6] WAGNER, Richard. Religion and Art. Trad. inglesa de William Ashton Ellis. Disponível em http://users.skynet.be/johndeere/wlpdf/wlpr0126.pdf. Acesso em 03 de janeiro de 2010.
[7] BARBUY, Heraldo. O mito do progresso. In BARBUY, Heraldo. O problema do Ser e outros ensaios, cit., p. 116.
[8] Sobre a concepção indiana dos quatro yugas: ELIADE, Mircea. Imagens e símbolos: Ensaio sobre o simbolismo mágico-religioso. Trad. de Sonia Cristina Tamer. Prefácio de Georges Dumézil. 1ª ed., 3ª tiragem. São Paulo: Martins Fontes, 2002, pp. 59-63.
[9] GOBINEAU, Arthur de. Carta a D. Pedro II, escrita em Pisa a 18 de novembro de 1881. In RAEDERS, Georges. D. Pedro II e o Conde de Gobineau (correspondência inédita). São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1938, pp. 355-356.
[10] Cf. WAGNER, Richard. Mein Leben (terceira parte). Disponível em:
http://www.zeno.org/Literatur/M/Wagner,+Richard/Autobiographisches/Mein+Leben/Dritter+Teil%3A+1850-1861. Acesso em 03 de janeiro de 2010.
[11] Idem.
[12] Idem.
[13] Cf. CARVALHO, José Murilo de. D. Pedro II. 1ª ed. 8ª reimpr. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 148
[14] FRANCO, Arthur Torelly. D. Pedro II em Bayreuth. Disponível em:
http://www.revistadigital.com.br/adagio.asp?CodMateria=1524. Acesso em 04 de janeiro de 2010.
[15] Cf. CHAMBERLAIN, Houston Stewart. El pensamiento wagneriano. Trad. espanhola de Ernesto Falkenthal. Barcelona: Ediciones Ojeda, 2003, p. 11.
[16] Idem, p. 14.
[17] Idem, p. 15.
[18] WAGNER, Richard. Carta a Fischer de 29/10/1857. Apud CHAMBERLAIN, Houston Stewart. El pensamiento wagneriano, cit., p. 12.
[19] CHAMBERLAIN, Houston Stewart. El pensamiento wagneriano, cit., pp. 12-13.
[20] Idem, p. 33.
[21] Idem, p. 31.
[22] WAGNER, Richard. Lohengrin. Disponível em: //www.zeno.org/Literatur/M/Wagner,+Richard/Musikdramen/Lohengrin/3.+Akt/3.+Szene. Acesso em 17 de janeiro de 2010.
[23] AQUINO, Santo Tomás de. Do Governo dos Príncipes ao Rei de Cipro e do Governo dos Judeus à Duquesa de Brabante. 2ª ed. Trad. de Arlindo Veiga dos Santos. Prefácio de Leonardo van Acker. São Paulo: Editora Anchieta S/A, 1946, 43 e 45.
[24] SARDINHA, António. A teoria das Cortes Gerais. 2ª ed. Lisboa: qp, 1975; TEJADA, Francisco Elías de. La Monarquía Tradicional. Madri: Ediciones Rialp, S.A., 1954.
[25] SCHMITT, Carl. El infortunio de Donoso Cortés. IN SCHMITT, Carl. Interpretación europea de Donoso Cortés. Trad. argentina de Francisco de Asís Caballero. 1ª ed. Buenos Aires: Struhart & Cia., 2006, p. 98.
[26] DONOSO Cortés. Carta ao Diretor da Revue des Deux Mondes. In DONOSO Cortés. A Civilização Católica e os erros modernos. Intr. e trad. de José Pedro Galvão de Sousa. Petropolis: Editora Vozes Limitada, 1960.
[27] CHAMBERLAIN, Houston Stewart. El pensamiento wagneriano, cit., p. 34.
[28] WAGNER, Richard. A Arte e a Revolução. Trad. portuguesa de José M. Justo. 2ª ed. Lisboa: Edições Antígona, 2000, p. 7.
[29] WAGNER, Richard, apud CHAMBERLAIN, Houston Stewart. El pensamiento wagneriano, cit., p. 38.
[30] WAGNER, Richard, apud BAUDELAIRE, Charles. Wagner e Tannhäuser em Paris. Edição bilíngue. Trad. de Plínio Augusto Coelho e Heitor Ferreira da Costa. São Paulo: Editora Imaginário/Editora da Universidade de São Paulo (EDUSP), 1990, p. 35.
[31] COMTE, Auguste, apud CHAMBERLAIN, Houston Stewart. El pensamiento wagneriano, cit., p. 65.
[32] WAGNER, Richard, apud CHAMBERLAIN, Houston Stewart. El pensamiento wagneriano, cit.,loc. cit.
[33] WAGNER, Richard, apud CHAMBERLAIN, Houston Stewart. El pensamiento wagneriano, cit.,loc. cit.
[34] WAGNER, Richard. Religion and Art, cit.
[35] WAGNER, Richard, apud CHAMBERLAIN, Houston Stewart. El pensamiento wagneriano, cit., p. 63.
[36] BARBUY, Belkiss Silveira. Nietzsche e o Cristianismo. São Paulo: GRD, 2005, p. 22.
[37] WAGNER, Richard. A Arte e a Revolução. Trad. portuguesa de José M. Justo. 2ª ed. Lisboa: Edições Antígona, 2000, p. 7.
[38] FINK, Eugen. La filosofía de Nietzsche. Trad. Espanhola de Andrés-Pedro Sánchez. 2ª ed. Madri: Alianza Editorial, S.A., 1964, p. 20.
[39] Idem, loc. cit.
[40] NIETZSCHE, Friedrich. A origem da tragédia. Trad. portuguesa de Álvaro Ribeiro. 3 ed. Lisboa: Guimarães & C.ª, Editores, 1982, p. 172.
[41] BARBUY, Belkiss Silveira. Nietzsche e o Cristianismo, cit., pp. 23-24.
[42] NIETZSCHE, Friedrich. Wagner em Bayreuth. In NIETZSCHE, Friedrich. O caso Wagner. Trad. de Antonio Carlos Braga e Ciro Mioranza. São Paulo: Editora Escala, 2007, pp. 75-143.
[43] GIUSSO, Lorenzo. Nietzsche. 1ª ed. Milão: Fratelli Bocca, Editori, 1942-XX, p. 3.
[44] NIETZSCHE, Friedrich. O caso Wagner, cit., p. 42, nota.
[45] HOLLINRAKE, Roger. Nietzsche, Wagner e a filosofia do pessimismo. Trad. de Álvaro Cabral Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1986.
[46] Sobre Cola di Rienzo: D’ANNUNZIO, Gabriele. La vita di Cola di Rienzo. Milão: Arnoldo Mondadori Editore S.p.A., 1999.
[47] WAGNER, Richard, apud Houston Stewart. El pensamiento wagneriano, cit., p. 62.
[48] HEIDEGGER, Martin. O caminho do Campo. Trad. de Ernildo Stein e José Geraldo Nogueira Moutinho. In Cavalo Azul, n. 4, São Paulo, s/d, p. 6. Também disponível em http://caminhodocampo.blogspot.com/2008/03/o-caminho-do-campo-martin-heidegger.html. Último acesso em 06 de janeiro de 2010.
[49] WAGNER, Richard, apud BAUDELAIRE, Charles. Richard Wagner e Tannhäuser em Paris, cit., p.59.
[50] SCHURÉ, Édouard. Richard Wagner, son oeuvre et son idée. 3ª ed. Paris: Perrin, 1922, pp. XLI-XLII.
[51] SPENLÉ, J.-E. O pensamento alemão de Lutero a Nietzsche. Trad. de Mário Ramos. São Paulo: Livraria Acadêmica; Saraiva & C.ª – Editores, 1942, pp. 162-163.
[52] HEIDEGGER, Martin. Hölderlin e a essência da poesia. In Cavalo Azul, n. 6, São Paulo, s/d, p. 6.
[53] WAGNER, Richard. Beethoven. Trad. de Theodomiro Tostes. Porto Alegre: L&PM, 1987, p. 94.

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Monday, February 01, 2010

Iracema Lopes de Vasconcellos: "In memoriam"

Integralistas! Aos oito dias do presente mês, entregou sua alma ao Criador a nossa companheira Iracema Lopes de Vasconcellos, transferida para a Milícia do Além.
Mãe do nosso ínclito companheiro Sérgio de Vasconcellos, Secretário Nacional de Doutrina e Estudos da Frente Integralista Brasileira (FIB), a companheira Iracema nasceu em 1917, na bucólica cidadezinha de Mar de Espanha, Província de Minas Gerais, se mudando para o Rio de Janeiro na década de 1930. Tornou-se blusa-verde em 1936, ao ingressar no núcleo Integralista de Ramos, e conheceu o futuro esposo, companheiro Paulo de Vasconcellos, nos negros anos da ditadura estadonovista, ao visitar o irmão na prisão, onde ambos se encontravam presos por sonhar um Brasil Maior e Melhor.
Nas poucas ocasiões em que tive a honra e a oportunidade de conversar com a companheira Iracema, tanto por telefone quanto pessoalmente, percebi que era ela uma pessoa boníssima, exemplo de mãe, de avó, de mulher, de brasileira que permaneceu de pé entre as ruínas do Brasil Profundo, Autêntico e Verdadeiro. Estou certo de que ela, neste momento, já se encontra no Paraíso, junto de Deus, o Ser Supremo, Necessário e Absoluto, Princípio e Fim de todas as coisas.
Que todos os brasileiros autênticos sigam o exemplo da nobre companheira Iracema, ao caminhar, em meio às trevas da noite materialista, rumo à Aurora Espiritualista, à Nova Humanidade, ao Novo Império que nascerá das cinzas da civilização burguesa.
Vou fazer a sua chamada. Antes, porém, peço um minuto de concentração em homenagem à companheira falecida.
Companheira Iracema Lopes de Vasconcellos! Presente!
No Integralismo ninguém morre. Quem entrou neste Movimento imortalizou-se no coração dos camisas-verdes. À companheira Iracema Lopes de Vasconcellos três Anauês!

São Paulo, 30 de janeiro de 2010- LXXVII.
Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.

Sunday, January 24, 2010

Ponderações a respeito do "III Programa Nacional de Direitos Humanos"

No último mês de dezembro, o Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, assinou – sem ler, conforme reconheceu – o decreto que lançou o III Programa Nacional de Direitos Humanos, mal disfarçado projeto de destruição da Tradição Cristã e de implantação de uma ditadura pseudossocialista no País.
O supracitado programa, que se constitui no mais atentatório ato do presente (des)Governo contra as tradições cristãs e as instituições democráticas pátrias, provocou uma crise política comparável tão somente àquela do “Mensalão”, dividindo mesmo setores do (des)Governo.
O programa em questão principiou a ser debatido em 2008, em assembleias municipais e estaduais e, sobretudo, na chamada Conferência Nacional dos Direitos Humanos, realizada em dezembro daquele ano, sendo discutido internamente pelo (des)Governo durante todo o ano seguinte, sempre sob os auspícios de Paulo Vanucchi, Secretario Especial dos Direitos Humanos do (des)Governo. Diga-se de passagem que Vanucchi pertenceu à funesta Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo terrorista de Carlos Marighella, que promoveu a guerrilha urbana e rural, sequestros, “justiçamentos”, assaltos a bancos e carros-fortes. Também fizeram parte da ALN, dentre outros, José Dirceu, ex-Ministro da Casa Civil de Lula, envolvido no escândalo do “Mensalão”, e Aloysio Nunes Ferreira, Secretário da Casa Civil de São Paulo, Estado cujo Governador, José Serra, oriundo da chamada “esquerda católica” e ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), é - embora seus eleitores “direitistas” e conservadores não saibam - um admirador de Marighella, sendo importante lembrar que está sendo realizada, no “Memorial da Resistência de São Paulo”, no antigo DOPS, sob os auspícios do (des)Governo paulista, uma exposição em homenagem ao célebre “revolucionário” e terrorista baiano, morto em 1969 pela polícia.
Durante a cerimônia em que Lula assinou o decreto que lançou o III Programa Nacional de Direitos Humanos, Dilma Rousseff, Ministra Chefe da Casa Civil e candidata do (des)Governo à sucessão presidencial, não pode conter as lágrimas. Certamente, porém, ela nunca chorou pelas vítimas suas e de seus companheiros da Vanguarda Armada Revolucionária (VAR – Palmares), grupo terrorista de orientação trotskista de que também fez parte o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e que praticou assaltos a bancos, carros-fortes e residências.
Isto posto, vale frisar que todos os grupos terroristas supracitados jamais lutaram pela Democracia, mas sim pela implantação, no Brasil, de uma ditadura do “proletariado” como as brutais ditaduras de Lênin e Stálin na antiga União Soviética, a de Mao Zedong na China, a de Pol Pot no Camboja e a de Fidel Castro em Cuba. A ALN, por exemplo, afirmava: “Todos nós somos guerrilheiros, terroristas e assaltantes e não homens que dependem de votos de outros revolucionários ou de quem quer que seja para se desempenharem do dever de fazer a revolução” [1].
São bem conhecidos os pontos do Programa Nacional de Direitos Humanos que provocaram tão justo sentimento de revolta na Igreja, no Exército, nos produtores rurais e no povo em geral. Julgamos válido, porém, repeti-los aqui.
O III Programa Nacional de Direitos Humanos defende a união civil entre pessoas do mesmo sexo, o tão antinatural “casamento” homossexual, aberração que já era, aliás, defendida no II Programa Nacional de Direitos Humanos, de 2002. Tal projeto, praticamente tão abjeto e antitradicional quanto o atual, foi – assim como o primeiro, de 1996 – produto do (des)Governo de Fernando Henrique Cardoso, o mesmo que multiplicou como nenhum outro a dívida externa nacional, vendeu a maior parte de nossas estatais a preços, no mínimo, irrisórios e criou a indústria das indenizações milionárias a “ex”-terroristas e outras supostas “vítimas” do Governo Militar.
O atual Programa Nacional de Direitos Humanos sustenta, ainda, que o aborto deve ser descriminalizado, afirmando que as mulheres devem ter “autonomia” para “decidir sobre seu corpo”, como se os nascituros fossem parte do corpo materno e não seres humanos em formação. É, aliás, absurda a defesa, em um plano de Direitos Humanos, de uma violação tão grave do primeiro dos Direitos Naturais da Pessoa Humana, que não é outro senão o Direito à Vida, que se inicia no momento da concepção.
Cumpre ressaltar que o Programa Nacional de Direitos Humanos anterior, o segundo elaborado durante o (des)Governo FHC, já estabelecia como meta o apoio a propostas de alteração dos dispositivos do Código Penal brasileiro referentes ao aborto, no sentido de aumentar o número de hipóteses de aborto legal.
Tanto o atual Programa Nacional de Direitos Humanos quanto os dois anteriores pugnam por restrições à liberdade de imprensa e, no que tange à apuração das violações dos Direitos Humanos ocorridas durante o período de exceção iniciado em 1964, o programa em vigor defende a elaboração de projeto de lei que institua a Comissão Nacional da Verdade, cujo mister será o de examinar as “violações de Direitos Humanos praticadas no contexto da repressão política”.
O referido trecho foi alterado, graças aos protestos de Nelson Jobim, Ministro da Defesa, havendo sido a supracitada expressão substituída por “no período fixado no art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição, a fim de efetivar o direito à memoria e à verdade histórica e de promover a conciliação nacional”.
Isto posto, insta sublinhar que, infelizmente, a alteração ocorrida no documento, embora positiva, foi muito pequena e não afasta por completo a possibilidade de revisão da Lei de Anistia no sentido de punir aqueles que teriam praticado a tortura nos anos que se seguiram ao triunfo do Movimento de 31 de Março de 1964, ideia tão defendida pelos “ex”-terroristas encastelados no (des)Governo, para os quais a Anistia só deve valer para eles próprios. Entre eles está, inclusive, o Ministro da Justiça, Tarso Genro, ex-membro da Ala Vermelha do Partido Comunista do Brasil, que praticou diversos sequestros, assaltos e assassinatos, além de ser defensor do terrorista “italiano” Cesare Battisti.
O supracitado programa contém, ademais, claros ataques ao Direito Natural de Propriedade, que, condicionado pelos deveres do proprietário para com a Sociedade e a Nação, constitui a base da Liberdade humana. Dentre tais ataques, o mais grave, sem sombra de dúvida, é aquele que defende que a expedição, pela Justiça, de mandados de reintegração de posse em propriedades rurais invadidas deveria se dar somente após audiências de conciliação entre os invasores, o Governo e os proprietários. Caso vá adiante tal proposta, aliás condenada tanto por Reinhold Stephanes, Ministro da Agricultura, quanto por Guilherme Cassel, da Reforma Agrária, será muito mais difícil a desocupação de terras invadidas por grupos como o MST, que se aproveitam da miséria e das injustiças para ganhar poder e disseminar sua ideologia espúria, baseada no ódio, na violência e na desagregação moral, ética e social.
Por fim, o novo Plano Nacional de Direitos Humanos defende que seja proibida a exibição de símbolos religiosos em espaços públicos, indo, assim, mais uma vez, contra a Tradição do Brasil, Pátria nascida e desenvolvida sob o signo da Cruz.
Poderíamos apontar diversos outros absurdos que constam do referido plano, mas cremos que isto seria por demais fastidioso para todos. Assim, encerramos por aqui o presente texto, sublinhando que defendemos os autênticos Direitos do Homem, decorrentes de sua natureza e não do Estado e que devem estar sempre acompanhados dos Deveres para com Deus, a Pátria, a Família e a Sociedade, assim como ressaltando que rejeitamos integralmente os “Direitos Humanos” do programa do (des)Governo atual. Nosso Programa Nacional de Direitos do Homem – ao contrário daqueles dos (des)Governos FHC e Lula – é pautado no respeito à Tradição Integral da Nação, bem como à vida e à natureza humana. São estes, pois, os rumos de nossa marcha, que não é senão a marcha do Brasil autêntico, profundo e verdadeiro.

Por Cristo e pela Nação!
Anauê!

São Paulo, 23 de janeiro de 2010.
Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente da Frente Integralista Brasileira.


NOTA
:
[1] Ação Libertadora Nacional. Sobre a Organização dos Revolucionários. Disponível em http://www.marxists.org/portugues/tematica/1969/08/organizacao-revolucionarios.htm. Acesso em 23 de janeiro de 2010.

Friday, January 22, 2010

Plínio Salgado, arauto e apóstolo de Cristianismo e de Brasilidade

Neste dia 22 de janeiro de 2010, quando se celebram cento e quinze anos do nascimento do grande doutrinador cristão, patriótico, nacionalista e tradicionalista brasileiro Plínio Salgado, reputamos oportuno transcrever, no presente blogue, o artigo de nossa lavra que, intitulado "Plinio Salgado, arauto e apóstolo de Cristianismo e de Brasilidade", deve ser publicado na próxima edição do jornal cultural "O Lince", de Aparecida do Norte-SP.

Plínio Salgado, arauto e apóstolo de Cristianismo e de Brasilidade

Por Victor Emanuel Vilela Barbuy

Pensador profundo, escritor brilhante, jornalista e orador de amplos recursos e egrégio doutrinador tradicionalista, patriótico, nacionalista e democrático na acepção cristã, autêntica e integral do termo, Plínio Salgado é, sem sombra de dúvida, um dos mais eminentes e, ao mesmo tempo, olvidados e injustiçados homens de pensamento e de ação patrícios. Criador do movimento de renovação moral e social a que denominamos Integralismo e arauto de um Brasil Novo e Maior, foi ele, no dizer do ínclito pensador e escritor tradicionalista português Hipólito Raposo, “o mais eloquente intérprete da Brasilidade” [1]. No mesmo sentido, o jusfilósofo Francisco Elías de Tejada y Spínola, maior pensador espanhol da Tradição e do Direito Natural Clássico do século XX, ponderava que Plínio Salgado, “profeta incandescente e sublime de seu povo”, “encarnação viva do Brasil melhor” [2], foi o primeiro a efetivamente compreender a Tradição Brasileira [3].

Nascido a 22 de janeiro de 1895 na bucólica cidadezinha montanhesa de São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira, divisa entre São Paulo e Minas Gerais, Plínio era filho do Coronel Francisco das Chagas Esteves Salgado, farmacêutico e chefe político da região, e de D. Ana Francisca Rennó Cortez, professora normalista formada em São Paulo no último ano do Império.

O Coronel Francisco das Chagas, homem profundamente patriota e nacionalista na acepção sadia, equilibrada e construtiva do vocábulo, tinha o costume de reunir os filhos à noite para lhes narrar os feitos de Felipe Camarão, de Henrique Dias, do General Osório, do Duque de Caxias, dos almirantes Barroso e Tamandaré e de outros vultos da História Pátria.

Pouco mais tarde, D. Ana Francisca, que já ensinara o filho a rezar e também lhe incutira o temor a Deus e lhe narrara histórias bíblicas, principiou a lhe dar lições de História do Brasil, Geografia, Aritmética e Francês.

Em 1907, Plínio, que havia iniciado os estudos secundários no Externato São José, dirigido pelo Prof. José Calazans Nogueira, seguiu para Pouso Alegre, Minas Gerais, onde iria estudar humanidades no tradicional Ginásio Diocesano São José, em que também estudavam Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida e Teodoro Quartim Barbosa, com os quais o futuro autor da Vida de Jesus firmou uma grande amizade que se estenderia por toda a vida.

O falecimento do pai, no ano de 1911, forçou Plínio a abandonar os estudos e a retornar a São Bento a fim de cuidar da mãe e dos irmãos menores.

D. Ana Francisca, que ainda lecionava em sua escola isolada para meninas, que funcionava nos fundos de sua residência, transformou outro cômodo da casa em sala de aula, abrindo uma escola para meninos e confiando-a a Plínio.

Pouco mais tarde, Plínio principiou a trabalhar como agrimensor e topógrafo judicial. Em seguida, obteve o cargo de inspetor escolar no Município e, em virtude de se haver habilitado para requerer em juízo e promover o andamento dos feitos, foi nomeado solicitador, exercendo a função de advogado quando não havia advogados.

Por esse tempo, fundou, com o primo Joaquim Rennó Ferreira, o semanário Correio de São Bento, primeiro periódico da cidadezinha serrana.

Na mocidade, leu autores como Spencer, Comte, Kant, Hegel, Schopenhauer, Nietzsche, Büchner, Haeckel, Lamarck, Gustave Le Bon, Jhering, William James e Ingenieros, ao mesmo tempo em que se aprofundava no conhecimento de nossa Literatura, bem como das literaturas portuguesa, francesa, espanhola, italiana, inglesa, alemã e russa.

No ano de 1918, Plínio, que já tivera trabalhos publicados na Revista do Brasil e no Correio Paulistano e coordenara, em 1915, a publicação do Almanaque de São Bento, casou-se com Maria Amélia Pereira.

Por esse tempo, era ele a figura central da cidadezinha de São Bento do Sapucaí, sendo diretor do jornal local, secretário do Tiro de Guerra, presidente do clube de futebol, orador do Gabinete de Leitura, diretor do externato e do grupo dramático e agrimensor.

Ainda em 1918, enquanto se convalescia da gripe espanhola, que o atingira, Plínio leu o livro Farias Brito e a reação espiritualista, de Almeida Magalhães e, em seguida, as obras do próprio Farias Brito e de Jackson de Figueiredo, abandonando, assim, o materialismo e retornando ao espiritualismo cristão, ao mesmo tempo em que, preocupado com a questão nacional, lia autores como Alberto Torres e Euclides da Cunha.

Em 1919, Plínio perdeu a esposa quinze dias depois de esta dar à luz Maria Amélia, única filha do casal, e teve publicado o seu primeiro livro, o volume de versos parnasianos Tabor, elogiado pela Revista do Brasil, cujo proprietário era então Monteiro Lobato, e de que consta o célebre soneto Canção das Águias.

Nesse mesmo ano, Plínio Salgado, que tempos antes fundara, ao lado do Dr. Gama Rodrigues, o Partido Municipalista, primeira agremiação política do País a defender o Municipalismo, deixou São Bento do Sapucaí em virtude de problemas políticos e seguiu para a Capital Paulista.

Em fevereiro de 1922, quando já era redator do Correio Paulistano, participou ativamente da Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo.

No ano de 1926, publicou O estrangeiro, que é, cronologicamente, o primeiro romance social em prosa modernista da Literatura Brasileira. Como ressaltaria Menotti Del Picchia, o romance de estreia de Plínio Salgado “confirmou-se como um marco renovador do romance brasileiro”, abrindo “a série das grandes obras que, num radioso renascimento de um sadio nacionalismo, escachoaram do Norte tendo na vanguarda a já histórica Bagaceira de José Américo de Almeida” [4]. Este escreveu a Plínio, como observa o jornalista Cláudio de Cápua, uma carta em que afirma que depois de haver lido O estrangeiro considerara esta obra o primeiro romance do modernismo e resolvera reescrever totalmente o seu livro A bagaceira, que seria publicado em 1928 [5].

O estrangeiro teve um sucesso verdadeiramente extraordinário. A primeira edição se esgotou em menos de vinte dias e o burburinho que se fez em torno da obra na imprensa nacional foi algo realmente notável. Mas Plínio ignoraria tudo o quanto então se publicava a respeito dele e de sua revolucionária obra, não fosse por seu amigo Fernando Callage, que colecionava todos os artigos, uma vez que, naquela ocasião, em São Bento do Sapucaí, falecia a mãe de Plínio Salgado, que, estando já à beira da morte, tomou o livro do filho nas mãos, projetando lê-lo mais tarde, quando estivesse melhor, o que infelizmente não ocorreu.

Considerado por Wilson Martins a maior realização romanesca da década de 1920, ao lado de O esperado, também de Plínio Salgado [6], e classificado por Rachel de Queiroz como “o primeiro romance modernista” [7], O estrangeiro, que seria considerado pelo autor o seu primeiro Manifesto Integralista [8], fez do futuro criador da Ação Integralista Brasileira um escritor nacionalmente consagrado, tanto pelo público quanto pela crítica.

Dentre os diversos críticos literários e escritores de renome que elogiaram O estrangeiro na imprensa, nos meses seguintes à sua publicação, podemos citar Agripino Grieco, Afrânio Peixoto, Tasso da Silveira, Augusto Frederico Schmidt, Cassiano Ricardo, Nuto Sant’Anna, José Américo de Almeida, Jackson de Figueiredo, Tristão de Athayde e Monteiro Lobato. Este último dedicou ao romance um magnífico artigo intitulado Forças novas e publicado no jornal A manhã, do Rio de Janeiro, a 19 de setembro de 1926.

No referido artigo, o autor de Cidades mortas e de O presidente negro, havendo reconhecido que “Plínio Salgado consegue o milagre de abarcar todo o fenômeno paulista, o mais complexo do Brasil, talvez um dos mais complexos do mundo, metendo-o num quadro panorâmico de pintor impressionista” e observado que “todo o livro é uma inaudita riqueza de novidades bárbaras, sem metro, sem verniz, sem lixa acadêmica – só força, a força pura, ainda não enfiada em fios de cobre, das grandes cataratas brutas”, termina dizendo que “Plínio Salgado é uma força nova com a qual o país tem que contar” [9].

Em O estrangeiro e nos dois romances sociais em prosa modernista que lhe seguem e que com ele compõem as denominadas Crônicas da vida brasileira (O esperado, de 1931, e O cavaleiro de Itararé, de 1933), Plínio Salgado se revela o genial cronista, intérprete de uma época de dúvidas e de incertezas que, sob o signo dos mais sadios e edificadores ideais cristãos, patrióticos e nacionalistas e absolutamente livre das questões da forma e do estilo, revela-se arguto espectador e profundo conhecedor de todas as correntes de opinião e de todos os dramas dos diferentes segmentos da Sociedade. Revela-se, ademais, dotado de formidável capacidade de compreender e amar todos os antagonismos, assim como de alma para efetivamente sentir, sofrer e expressar, sem temor ao uso da palavra, todos os complexos estados de espírito nacionais [10]. Nenhuma frase pode, com efeito, defini-lo melhor do que aquela em que afirma, no início de sua obra Despertemos a Nação: “O drama de meu povo apoderou-se de mim” [11].

Os anos seguintes à publicação de O estrangeiro foram fecundos na vida de Plínio, que colaborava em diferentes jornais e revistas e era figura central dos grupos modernistas verde-amarelista e da Anta, bem como de diversos outros grupos, na meditação sobre nossa realidade e nossos problemas. Assim, dedicou-se, com Alarico Silveira e Raul Bopp, ao estudo da língua tupi e da etnografia nacional, ao mesmo tempo em que, ao lado de Cândido Motta Filho, Fernando Callage, Plínio Mello e outros, estudava Alberto Torres, Euclides da Cunha, Tavares Bastos, Oliveira Vianna, Calógeras, Oliveira Lima e outros autores que estudaram nossa terra e nosso Homem. Ao mesmo tempo, com Augusto Frederico Schmidt e outros, dedicou-se ao estudo da obra de Jackson de Figueiredo e de outros pensadores espiritualistas. E, por fim, com Mário Pedrosa, Araújo Lima, Plínio Mello e outros, estudou o marxismo, lendo a obra de Marx, Lênin, Trótski, Plekhanov, Riazanov e outros socialistas e considerando válidas suas críticas ao capitalismo, mas não as supostas soluções por eles apresentadas.

Em 1928, Plínio Salgado foi eleito Deputado Estadual pelo Partido Republicano Paulista (PRP), entrando pelo 2º turno e sendo o candidato mais votado. Foi sufragado não apenas por seu partido, mas pela totalidade das forças eleitorais do 3º Distrito, incluindo o Partido Democrático, de oposição, o Partido Independente, de Gama Rodrigues e dissidências locais que se coligaram para elegê-lo [12].

Isto posto, cumpre ressaltar que toda a atuação de Plínio Salgado, no PRP, obedecia ao firme propósito de criar uma corrente renovadora dentro daquele partido.

Em julho de 1929, o autor de O estrangeiro e de Literatura e política tomou posse na Academia Paulista de Letras, ocupando a cadeira de número seis, cujo patrono é Couto de Magalhães.

Em 1930, Plínio Salgado viajou para o velho mundo, acompanhando o jovem Joaquim Carlos Egydio de Souza Aranha, percorrendo catorze países do Oriente Médio e da Europa. Na Palestina, conheceu os lugares que tão bem haveria de descrever em sua Vida de Jesus, obra que atingiria várias edições em diferentes países e idiomas e receberia entusiásticos elogios de notáveis pensadores, escritores, críticos e autoridades religiosas do Brasil e da Europa. Em Roma, encontrou-se com Mussolini e com o Senador Giovanni Gentile, filósofo e ex-Ministro da Instrução Pública, e este, que coordenava os trabalhos da Enciclopédia Italiana, pediu a Plínio que completasse o verbete dedicado ao Brasil, o que ele fez em uma madrugada, com o auxílio de Mário Graciotti, Manoel Gomes e Joaquim Carlos Egydio de Souza Aranha. E em Paris concluiu o romance O esperado, publicado no ano seguinte, e redigiu um manifesto que meses mais tarde se tornaria o Manifesto da Legião Revolucionária de São Paulo.

Em julho de 1931 foi lançado, em São Paulo, o primeiro exemplar do jornal nacionalista A Razão, que tinha Alfredo Egydio de Souza Aranha como proprietário e Plínio Salgado como principal redator e revolucionou a imprensa do País, tendo como colaboradores intelectuais do quilate de Tristão de Athayde, Sobral Pinto, San Tiago Dantas, Mário Graciotti, Paulo Setúbal, João Carlos Fairbanks, Alpínolo Lopes Casali, Silveira Peixoto, Nuto e Leopoldo Sant’Anna e, é claro, Plínio Salgado. Este era autor do artigo diário de abertura daquele matutino, a célebre Nota Política, em que era analisada a situação do País, pondo-se em evidência pensadores até então esquecidos, como Farias Brito, Alberto Torres, Euclides da Cunha, Oliveira Lima, Joaquim Nabuco e Tavares Bastos e rememorando-se fatos do Império e da República.

Foi na Nota Política, transcrita no jornal Era Nova, da Bahia, e em jornais do Ceará, que Plínio revelou, na expressão de Virgínio Santa Rosa, o sociólogo que vivia embuçado no romancista, sendo saudado por Tristão de Athayde como a maior revelação do ano [13].

Também em 1931, foi lançado o Manifesto da Legião Revolucionária, elogiado por intelectuais do porte de Oliveira Vianna, Tristão de Athayde, Azevedo Amaral, Octavio de Faria, Humberto de Campos e tantos outros.

A 12 de março do ano seguinte, Plínio fundou oficialmente, na Sala de Armas do Clube Português, em São Paulo, a Sociedade de Estudos Políticos, que reuniria dezenas de intelectuais preocupados em dar um rumo ao Brasil, reconduzindo-o às bases morais de sua formação.

A 07 de outubro daquele ano de 1932, Plínio divulgou o Manifesto que redigira em maio e cujo anteprojeto fora aprovado em junho, não havendo sido divulgado então por conta da Revolução Constitucionalista ora já iminente.

O Manifesto de Outubro, que assim passou a ser denominado em virtude de haver sido divulgado em tal mês, marcou o surgimento oficial do Integralismo e da Ação Integralista Brasileira.

Inspirado, antes e acima de tudo, nos ensinamentos perenes do Evangelho, na Doutrina Social da Igreja e nas lições de grandes pensadores espiritualistas, patrióticos e nacionalistas patrícios, o Manifesto de Outubro já trata, ainda que de maneira resumida, de todos os princípios básicos da Doutrina Integralista, posteriormente aprofundados em outros manifestos, livros, artigos e discursos de Plínio Salgado e de outros doutrinadores integralistas.

A mensagem do Manifesto de Outubro espalhou-se rapidamente por todo o País. Em pouco tempo, a Ação Integralista Brasileira (AIB) já reunia centenas de milhares de membros e outros tantos simpatizantes em todo o País, constituindo o primeiro “movimento de massas” e o primeiro partido de âmbito nacional desde o fim do Império, reunindo, ainda, diversos intelectuais ilustres, que constituíam, na expressão de Miguel Reale, “o que havia de mais fino na intelectualidade da época” [14].

O presente artigo não se propõe a analisar o Integralismo, tão augusta quanto deturpada Doutrina que se constituiu na glória e na cruz de Plínio Salgado. Noutra ocasião, talvez possamos discorrer mais acerca da Doutrina do Sigma e do Movimento que ela gerou e que representou, no dizer de Gerardo Mello Mourão, o “mais fascinante grupo da inteligência do País” [15].

Exilado involuntariamente em Portugal pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, Plínio Salgado lá permaneceu, juntamente com D. Carmela Patti Salgado, sua segunda esposa, de 1939 até 1946.

Na Pátria de que nasceu sua Pátria, o autor de Psicologia da Revolução estudou profundamente o pensamento tradicionalista português e espanhol, proferiu algumas de suas mais belas conferências, escreveu as suas mais pujantes obras religiosas e foi reconhecido pela intelectualidade católica como um dos maiores pensadores católicos de todos os tempos e um verdadeiro apóstolo brasileiro [16].

Foi em Portugal, ademais, que Plínio terminou sua obra prima, a Vida de Jesus, que o Padre Leonel Franca qualificou de “joia de uma literatura” e que é inegavelmente um clássico da Literatura Universal e uma das obras máximas da Cristologia.

De volta ao Brasil em 1946, Plínio ingressou no Partido de Representação Popular (PRP), que havia sido fundado no ano anterior por ex-membros da AIB. Por este partido foi candidato às eleições presidenciais de 1955, sendo o candidato mais votado no Paraná, e se elegeu Deputado Federal em 1956, 1960 e 1964. Exerceu outros dois mandatos na Câmara, eleito pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA), até deixar definitivamente a política, em 1974. Faleceu um ano depois, na Cidade de São Paulo, sendo sepultado no Cemitério do Morumbi.

Como Deputado Federal, integrou sempre a Comissão de Educação, onde produziu inúmeros pareceres, e apresentou projetos como os de Reforma Agrária e de criação do Fundo Nacional para a Reforma Agrária, ambos de 1963, e o da Emenda Constitucional n. 609, que criaria a Câmara Orgânica, consagrando o princípio democrático da representação política dos trabalhadores de acordo com suas categorias profissionais. Não é necessário dizer que, caso tais projetos houvessem sido aprovados, nossos problemas fundiários, bem como o problema da representação popular, teriam sido seguramente resolvidos.

Não podemos encerrar o presente artigo sem recordar que, em 1934, nas páginas de A Voz do Oeste, poema épico em prosa que retrata a epopeia bandeirante, Plínio previu e preparou a edificação de Brasília, como reconheceu Juscelino Kubitschek em carta ao autor de O esperado em que afirma:

“Lendo o livro [13 anos em Brasília, de Plínio Salgado], ocorreu-me imediatamente outro de ferrenho adversário nosso, El Imperialismo d’El Brasil e que me foi oferecido pelo nosso comum amigo, Guimarães Rosa.

O publicista boliviano percebeu num relance a significação de Brasília, pressentida desde o século XVIII e preparada pelo grito que você, meu caro Plínio, deu conclamando todos para a marcha rumo Oeste” [18].

Tantos anos de calúnias, de incompreensões e de silencio não conseguiram apagar o brilho de Plínio Salgado, que fulgirá sempre, magna estrela da constelação do pensamento pátrio, luciluzente joia da rica coroa que representa a autêntica inteligência nacional, farol magnífico a guiar a nau dos verdadeiros tradicionalistas, patriotas e nacionalistas brasileiros pelos tenebrosos mares do Império de Calibã, que é o Império da Matéria, rumo ao porto seguro do Império de Ariel, o qual não é outro senão o Império do Espírito.

Mais genial, pujante e vigoroso intérprete da Tradição Nacional e do Espírito do Povo brasileiro, viverá, imortal, em sua obra notabilíssima e sempre atual, em que defende a restauração do Primado do Espírito e da Tradição, a recristianização integral do Brasil e a instauração de um Estado Ético e de uma Democracia Integral. Em uma palavra, o nome de Plínio Salgado perpetuar-se-á, conforme previu Juscelino Kubitschek, “como um símbolo iluminando o futuro” [19].

NOTAS:

[1] RAPOSO, Hipólito. In Diversos. Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. II. São Paulo: Voz do Oeste/Casa de Plínio Salgado, 1986, p. 189.

[2] TEJADA, Francisco Elías de. Plínio Salgado na tradição do Brasil. In Diversos. Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. II, cit., p. 47.

[3] Idem, p. 70.

[4] PICCHIA, Menotti Del. Plínio Salgado, o fraterno amigo. In Diversos. Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. I. São Paulo: Voz do Oeste/Casa de Plínio Salgado, 1985, p. 45.

[5] Cf. RODRIGUES, Rodrigo. O Pensamento Nacionalista no Modernismo Brasileiro. São Paulo: EditorAção, 2005, p. 35.

[6] MARTINS, Wilson. O modernismo. 4ª ed. São Paulo: Editora Cultrix, 1973, p. 251. Cumpre ressaltar que Wilson Martins cometeu um pequeno equívoco ao considerar o romance O esperado, escrito quase que integralmente em 1930 e publicado no ano seguinte, como uma obra da década de 1920.

[7] QUEIROZ, Rachel de. In A Hebraica, São Paulo, julho de 1995, p. 33.

[8] SALGADO, Plínio. Despertemos a Nação. 3ª ed. In SALGADO, Plínio. Obras Completas. 1ª ed., vol. X. São Paulo: Editora das Américas, 1955, p. 9.

[9] MONTEIRO LOBATO. Forças novas. In Diversos. Plínio Salgado: “in memoriam”, vol. I, cit., pp. 112-113.

[10] BARBUY, Victor Emanuel Vilela. Oitenta anos de “O estrangeiro”. In Linguagem Viva, ano XVIII, nº 214, junho de 2007.

[11] SALGADO, Plínio. Despertemos a Nação, cit., loc. cit.

[12] LOUREIRO, Maria Amélia Salgado. Plínio Salgado, meu pai. São Paulo: Edições GRD, 2001, p. 154.

[13] ROSA, Virgínio Santa. A personalidade de Plínio Salgado. In Diversos. Plínio Salgado. 4ª ed. São Paulo: Edição da Revista Panorama, 1937, p. 73.

[14] REALE, Miguel. Entrevista concedida ao Jornal da USP. Disponível em: http://espacoculturalmiguelreale.blogspot.com/2007/08/entrevista-concedida-pelo-prof-reale-ao.html. Acesso em 08/08/2008.

[15] MOURÃO, Gerardo Mello. Entrevista concedida ao Diário do Nordeste. Disponível em:

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=414001. Acesso em 08/08/2008.

[16] Sobre as atividades realizadas por Plínio Salgado durante o exílio em Portugal, bem como sobre o reconhecimento que ali recebeu dos mais altos vultos do pensamento católico lusitano: DOREA, Augusta Garcia R. Plínio Salgado, um apóstolo brasileiro em terras de Portugal e Espanha. São Paulo: Edições GRD, 1999.

[17] FRANCA, Leonel. Carta a Plínio Salgado. In SALGADO, Plínio. Vida de Jesus. 22ª ed. São Paulo: Voz do Oeste, 1985, pp. IX/XI.

[18] KUBITSCHEK, Juscelino. Carta a Plínio Salgado. In Plínio Salgado: “In memoriam”, vol. I., cit., p. 223.

[19] Idem. Carta a D. Carmela Patti Salgado. In Plínio Salgado: “In memoriam”, vol. I., cit., p. 225.


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Friday, December 25, 2009

Mensagem de Natal e Ano Novo

Neste dia 25 de dezembro, toda a Cristandade, que permanece viva no espírito dos cristãos autênticos, celebra o Nascimento do Salvador, enquanto seus inimigos, os adoradores do ouro, os fariseus, as forças do Império de Calibã, que não são senão as forças da tirania do dinheiro, da máquina, da técnica e do número, ou, em uma palavra, as forças do Mundo Burguês, comemoram os seus lucros, bem como o fato de seus escravos terem se olvidado por completo do verdadeiro significado do Natal.

Nós, da Frente Integralista Brasileira, temos a honra, a glória e a coragem mental de nos situar entre os primeiros, nos colocando como paladinos da Fé, como bandeirantes da Tradição, como soldados de Deus e da Pátria armados pelo ideal de edificar um Novo Império e um Novo Estado. Este, por nós denominado Estado Integral, é, no dizer de Plínio Salgado, o Estado "que vem de Cristo, inspira-se em Cristo, age por Cristo e vai para Cristo", enquanto aquele, a que podemos denominar Império Integral Cristão, também pode ser definido como o Império que vem do Divino Mestre, inspira-se no Divino Mestre, age pelo Divino Mestre e vai para o Divino Mestre.

Nos colocamos, pois, como Homens de pensamento e de ação contrários a esta civilização inautêntica que aí está, como Homens que permanecem de pé entre as cinzas da Ordem Cristã, das quais esta em breve ressurgirá, qual nova fênix, no esplendor de uma Nova Idade Média, de um Novo Renascimento Cristão e teocêntrico ainda mais glorioso do que aquele do século XIII. Em uma palavra, nos colocamos como transmissores do imenso tesouro espiritual que nos foi transmitido pelos nossos maiores e que um dia será de nossos descendentes.

Assim, desejamos a todos os brasileiros autênticos, fieis às lídimas tradições do Brasil Profundo e conscientes do verdadeiro significado da Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, um feliz e santo Natal e um abençoado ano de 2010.

Encerramos estas linhas proclamando a necessidade da recristianização integral do Brasil, que começará na integral reconstrução do Homem em Cristo, e, pois, citando as imorredouras palavras de Plínio Salgado, este magno apóstolo de Cristianismo e de Brasilidade, em sua obra Primeiro Cristo!:

"Por Cristo-Rei

Seja, pois, a exaltação da realeza de Cristo, o coroamento destas palavras. Eu a proclamo, do fundo da minha pequenez, com o ardor de um soldado. E como soldado vos convido, ó homens do meu tempo, a aclamarmos o Cristo-Rei, por cujo Reino devemos ir à luta, uma luta diferente, porque não seremos portadores de morte, mas de vida; nem de aflições, mas de consolações, nem de crueza, mas de bondade.

E vós – ó Jesus, a quem tanto amamos, e que estais tão abandonado pelas nações no século dos horrores, como vos prefigurou na tábua apocalíptica o pintor neerlandês [Van Aeken, o Bosch] – recebei o nosso preito de soldados fiéis, e socorrei-nos em nossas fraquezas, para que possamos cumprir quanto desejamos, no empenho de vos bem servir; pois incapazes somos nós sem vossa Graça, mas se não faltardes com Ela, ainda que hajamos de cair muitas vezes, outras tantos nos levantaremos, de sorte que, nas horas perigosas, nas horas decisivas e, principalmente, na hora extrema, por vós, sempre por vós, estaremos de pé!"

Por Cristo e Pela Nação!


 

São Paulo, 25 de dezembro de 2009-LXXVII.


 

Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente da Frente Integralista Brasileira.

Monday, December 14, 2009

Estado e Império

Por Victor Emanuel Vilela Barbuy


 

O Estado é uma unidade política e jurídica estável nos elementos essenciais e dinâmica nos elementos acidentais, resultando da reunião de famílias e de outros Grupos Naturais em um determinado território, onde se constitui uma sociedade independente, que, devidamente regida por uma autoridade suprema, visa a realização do Bem Comum.

Isto posto, insta ressaltar que por Bem Comum compreendemos o conjunto de condições externas necessárias ao desenvolvimento integral da Pessoa Humana e de todos os Grupos Naturais componentes da Sociedade.

O Estado, que não se confunde com a Sociedade, não é um Grupo Natural, mas sim a síntese espontânea dos Grupos Naturais. Ele foi engendrado pela Nação e não o contrário e também não se confunde com esta. Como bem observa Plínio Salgado, o Estado nada mais é que um instrumento jurídico da Nação, destinado a manter a ordem interna e as relações externas, podendo ser reformado pela Nação, que, por sua vez, persiste na inalterabilidade de sua fisiologia, de sua psicologia e de sua vocação histórica [1].

O Estado é um meio e não um fim [2] e existe para servir o Homem e não para violentá-lo, devendo, pois, respeitar os direitos naturais da Pessoa Humana. Como sublinha o criador e principal doutrinador do Integralismo Brasileiro, o Homem, "na tríplice esfera de suas legítimas aspirações materiais, intelectuais e morais, tem, pois, direitos naturais, que lhe são congênitos, decorrentes, não do Estado, mas de sua própria essência e que limitam o poder do Estado". Tais direitos, como, por exemplo, os concernentes à Vida, à Liberdade, à Família, ao Trabalho e à Propriedade dentro dos limites impostos pelo Bem Comum, se constituem em "condições inerentes à natureza humana, em atributos inatos e impostergáveis, que não podem, sem violência, ser negados pela legislação positiva" [3].

No mesmo sentido, preleciona Heraldo Barbuy que o Direito Natural, fundado "no critério moral do justo e do injusto inato na razão humana", não foi fabricado por esta ou pelos juristas e não é imanente, mas sim transcendente, consistindo, com efeito, em "um conjunto de preceitos que devem reger não só o comportamento dos indivíduos, mas também a ação dos Estados" [4].

O Estado Integral, a que Alcebíades (ou Alcibíades) Delamare denomina "Estado Orgânico Integral Cristão" [5], é um Estado-Meio, posto que não constitui um fim em si mesmo, consistindo num instrumento a serviço da Pessoa Humana e do Bem Comum.

O Estado Integral é um Estado Ético, uma vez que é transcendido pela Ética e movido por um ideal ético. Não se confunde, com efeito, com o Estado Ético inspirado em Hegel, Estado que se vê como fonte única da Moral, da Ética e do Direito.

O Estado Integral é o Estado que realiza a síntese entre Autoridade e Liberdade, compreendendo-as não como termos antitéticos, mas sim complementares, e que assegura às associações (corporações e sindicatos) os direitos que lhes competem, delas fazendo a peça mestra do Estado, que, como ressalta Delamare, não tem sobre elas o direito de "precedência, mas tão somente o de preeminência em tudo quanto interessar à ordem social e não atentar contra a liberdade, a dignidade e a inviolabilidade da pessoa humana" [6].

Isto posto, passemos à ideia de Império, que está intimamente ligada à ideia de Estado.

O Império não se edifica sobre fatores de ordem econômico-financeira ou militar, mas sim sobre algo de transcendente. Constitui ele uma síntese alicerçada no Direito Natural Tradicional, no respeito à Pessoa Humana e aos Grupos Naturais e na defesa da Pátria, da Nação e da Tradição.

Em sua obra prima, a Vida de Jesus, onde sintetiza, talvez como ninguém, o significado do Império Romano, Plínio Salgado ensina que o Império "é a confluência de mitos, tradições, artes, espírito militar e consciência humana de todos os povos que viveram e se desenvolveram isolados durante longos séculos" e significa, cada vez mais, "universalidade e humanidade". O Império não é uma Nação, um Povo, uma etnia, um idioma, uma classe dominante, e sim o "espírito de uma política" [7].

Pouco adiante, frisa o autor de Mensagem às pedras do deserto que Roma, para quem não basta tão somente "conquistar, mas adaptar adaptando-se", realiza a "confluência dos povos, a síntese humana", tendo um caráter eminentemente integralizador, como atesta, por exemplo, a existência de legiões de vários povos e etnias, unidas pela idéia que fulgura na ponta de seus gládios, que é a idéia de Império [8].

Ao contrário do que cuidam alguns, incapazes de compreender o verdadeiro significado do nacionalismo, este, devidamente entendido, não exclui a ideia de Império. O verdadeiro nacionalismo, o nacionalismo justo, sadio, equilibrado, ponderado e construtivo, avesso à xenofobia e tendente ao universalismo, é totalmente conciliável com a defesa da Tradição, da Fé e do Império. Prova disto é o fato de que todos os mais notáveis pensadores tradicionalistas lusíadas d'aquém e d'além mar, de António Sardinha a Jackson de Figueiredo, de João Ameal a Plínio Salgado, de Alfredo Pimenta a Gustavo Barroso, de Hipólito Raposo a José Pedro Galvão de Sousa, do Cardeal Cerejeira a Arlindo Veiga dos Santos e de Fernando de Aguiar a Tasso da Silveira, foram todos nacionalistas na acepção autêntica e integral do vocábulo.

Plínio Salgado acreditava, como nós, que o Brasil foi (desde D. João VI), é e será sempre um Império, tanto que afirma, no prefácio à sua Geografia sentimental: "Quero que este livro seja lido pelos moços para que amem o Brasil e compreendam a grandeza deste vasto Império" [9].

    No mesmo sentido, pondera Goffredo Telles Junior, um dos mais destacados membros da ínclita geração formada por Plínio Salgado no seio da Ação Integralista Brasileira (AIB), que, caso tomemos o termo "federação" em seu sentido etimológico, chegaremos à conclusão de que o Brasil não é uma federação, mas sim um Império, cujas células políticas são os Municípios, dentro dos quais "os brasileiros tecem sua vida cotidiana" [10].

Aduz o insigne jusfilósofo patrício que, "pela vastidão de seu território, mede oito milhões e meio de metros quadrados, pela unidade de seu povo que fala a mesma língua, tem as mesmas tradições e nutre o mesmo sentimento de amor pela Pátria comum, o Brasil apresenta todos os característicos de um vasto Império" [11].

O artigo 27 do Projeto de uma Constituição realista para o Brasil, também da lavra do autor de O Direito Quântico, dispõe que "o Brasil é um Império", cuja forma de Governo é republicana e que "a grandeza nacional resulta da união perpétua e indissolúvel de suas Províncias e de seus Territórios", sendo que as Províncias e os Territórios se compõem de Municípios, no âmbito dos quais são gerados e se desenvolvem os Grupos Naturais da Sociedade [12].

Neste mesmo diapasão, o jurista João Mendes Júnior, tratando d'A ideia de Império, escrevia, em 1911, que "o Império do Brasil, isto é, a unidade formal da Nação Brasileira, assim evolutivamente nascido da nossa História, em 1808, mantido pela Constituição da Monarquia Constitucional, em 1824, foi indissoluvelmente perpetuado pela Constituição da República Federativa em 1891" [13].

E arrematava o ilustre jurista brasileiro:

"Nós fomos um Império desde a chegada de D. João VI ao Rio de Janeiro em 1808, continuamos um Império com a denominação de Reino Unido em 1815; proclamamos solenemente a nossa qualidade de Império em 1822 e em 1824 com a Constituição da Monarquia; mantivemos e mantemos a nossa qualidade de Império, em plena República, com a Constituição de 14 de fevereiro de 1891" [14].

A ideia de Império perpassa toda a História do Estado Nacional Brasileiro, como, aliás, perpassa toda a História de Portugal, Nação de que proviemos e de que fomos até 1808 não uma colônia, mas sim uma Província Ultramarina.

Como bem observa Ronaldo Poletti, ainda no tempo de António de Oliveira Salazar, no Estado Corporativo da Constituição de 11 de abril de 1933, sobrevive, em Portugal, a ideia de Império [15]. Em tal período, o último em que Portugal teve consciência de seu destino, bem como de sua vocação e missão, lutando pela dilatação da Fé e do Império, o historiador e doutrinador tradicionalista, patriótico e nacionalista português, João Ameal afirmava que "não há apenas a Nação; há o Império – unidade, também, conjunto intangível, inalienável, nas várias partes do Mundo" [16].

Como ressalta o autor de No limiar da Idade-Nova e de São Tomás de Aquino, a História de Portugal, nos seus primeiros setecentos anos, decorreu à sombra de duas constantes básicas: a Fé Católica e a Realeza paternal. Por ser o português "um povo crente, afeito aos valores do Espírito, que desde o início acolhe com ardor o Verbo de Cristo e aceita depois a missão árdua e gloriosa de o propagar em quatro Continentes" é que o destino português adquire sua projeção ecumênica e os portugueses deixam os seus "passos fundamente gravados na marcha da Civilização" [17].

Toda esta sobre-humana obra de vocação e apostolado só foi possível, porém, porque, logo de início, "os primeiros Reis talham, na carne viva da Península dilacerada por invasões e batalhas, o desenho firme do Portugal que afronta os séculos" e "porque os outros Reis continuam a formar, a defender, a robustecer a Nação, a fundir todas as vontades numa única vontade, que se torna, por fim, vontade de Império
[18]
.

O português foi, na expressão feliz de Gustavo Barroso, um "povo pequenino que foi grande entre os maiores, semente de Impérios e de Civilizações" [19]. Portugal foi, no dizer do autor de Espírito do século XX, "o Gigante que semeou pelo mundo, nas ignotas terras da África, da Ásia, da Oceania e da América, a carne de sua carne, o osso dos seus ossos, no maior esforço de que a história da humanidade tem notícia, para criar uma civilização". Finda esta semeadura a um só tempo "gloriosa e terrível, os vermes das ambições estrangeiras, as sevandijas do negativismo individualista, os urubus das descrenças, dos derrotismos e das ideias dissolventes esbugraram e alimparam os ossos gloriosos" [20].

Basta, porém, que novamente se ouça "no seio da noite o chamamento ancestral, a música de apelo e de saudade da Tradição, a Voz Imortal da Raça, para que de toda a parte onde foram essas sementes de Portugal os homens ressurjam e caminhem, armados de seu ideal, para a união, para a defesa comum da língua e do sentido cristão da sua vida, dos laços seculares que zombaram das distâncias territoriais e oceânicas, para a realização daquele alto sonho que todos nós, homens de boa vontade, sonhamos, o império Atlântico. O gigante reviverá em gigantes!" [21].

O Império do Brasil foi fundado em 1808 pelo então Príncipe Regente D. João, futuro Rei D. João VI e futuro Imperador-Pai do Brasil, que, durante sua estadia na Bahia, esteve em companhia de José da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu. Este, que acreditava profundamente na ideia de Império e que, em 1823, se referiria ao Brasil como a Roma Americana [22], teria influenciado D. João [23], que, no manifesto de guerra à França Napoleônica, de 1º de maio de 1808, afirmou: "A corte... levantará sua voz, do seio do novo Império que vai criar" [24].

Havendo feito referência a Sua Majestade El-Rei D. João VI, o "primeiro Imperador do Brasil", na expressão de Gustavo Barroso [25], cumpre ressaltar que esse tão grande quanto injustiçado soberano foi um estadista na acepção integral do termo e que, como sublinha Oliveira Lima, se algum monarca mereceu "o ramo de cerejeira com frondescência eterna que, no Nô japonês, o mensageiro celeste traz de parte da divindade para o rei sábio e justo, como emblema e recompensa de suas virtudes, D. João VI foi sem dúvida esse rei" [26].

Todos nós devemos ter firme consciência de que o Brasil, que herdou de Portugal sua vocação e sua missão de dilatação da Fé e do Império, não é somente uma Nação, mas também um Império. O Estado que devemos edificar, o Estado Ético Orgânico Integral Cristão, deverá proclamar que a Terra de Santa Cruz é um Império e será um Estado alicerçado na Vontade de Transcendência
e na Vontade de Império.

O Estado Ético Orgânico Integral Cristão somente será erigido, porém, quando a Nação Brasileira despertar de seu sono e de seu sonho, se erguendo do "berço esplêndido" em que se acha adormecida pela ação nefasta dos inimigos externos e internos, os mesmos que a afastaram dos caminhos da Tradição e das bases morais e éticas de sua formação. Temos o dever de ouvir o apelo de nossos ancestrais e, reevocando a Tradição Imperial Romana e Luso-Brasileira, restaurar a Roma Americana e o Grande Império Cristão Brasileiro, bem como criar a Nova Civilização, a que também podemos denominar Novo Império.


 

NOTAS:

[1] SALGADO, Plínio. A UNESCO e a debilidade do Mundo atual (Discurso proferido durante a sessão da Câmara dos Deputados de 10 de abril de 1961). In SALGADO, Plínio. Discursos parlamentares; sel. e intr. de Gumercindo Rocha Dorea. Brasília: Câmara dos Deputados, 1982, p. 364.

[2] Neste sentido: TELLES JUNIOR, Goffredo. Justiça e Júri no Estado Moderno. São Paulo: Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, 1938, p. 31; SALGADO, Plínio. Madrugada do Espírito. 4ª ed. In SALGADO, Plínio. Obras Completas. 2ª ed., vol. VII. São Paulo: Editora das Américas, 1957, p. 443; ATHAYDE, Tristão de. Política. Rio de Janeiro: Livraria Católica, 1932, p. 77; NOGUEIRA, J. C. Ataliba. O Estado é um meio e não um fim. 1ª Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1940, p. 113; PAUPÉRIO, A. Machado. Teoria Geral do Estado. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1979, PP. 68-70; ACQUAVIVA, Marcus Claudio. Teoria Geral do Estado. 2ª ed., revista e aumentada. São Paulo: Editora Saraiva, 2000, p. 83; AZAMBUJA, Darcy. Teoria Geral do Estado. 38ª ed. São Paulo: Globo, 1988, p. 122; BARBUY, Heraldo. A Família e a Sociedade. In Servir, n° 1297, ano XXVII, São Paulo, 20 de setembro de 1957, p. 77; DELAMARE, Alcebíades. Aos moços universitários. In Enciclopédia do Integralismo, vol. II. Rio de Janeiro: GRD/Livraria Clássica Brasileira, s/d, p. 72.

[3] SALGADO, Plínio. Carta de Princípios do Partido de Representação Popular, Edição do Comitê de Propaganda pró Candidatura de Plínio Salgado, 1955, p. 3.

[4] BARBUY, Heraldo. A Ordem Natural. In Ecos Universitários (Órgão Oficial do Centro Acadêmico "Sedes Sapientiae"), ano III, n° 13, São Paulo, setembro de 1950, p. 1.

[5] DELAMARE, Alcebíades. Aos moços universitários. In Enciclopédia do Integralismo, vol. II. Rio de Janeiro: GRD/Livraria Clássica Brasileira, s/d, p. 72.

[6] Idem, p 73.

[7] SALGADO, Plínio. Vida de Jesus. 21ª ed. São Paulo: Voz do Oeste, 1978, p. 39.

[8] Idem, pp. 39-40.

[9] SALGADO, Plínio. Geografia sentimental. 2ª ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1937.

[10] TELLES JUNIOR, Goffredo. A Democracia e o Brasil: Uma Doutrina para a Revolução de Março. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1965, pp. 30-31.

[11] Idem, p. 30.

[12] TELLES JUNIOR, Goffredo. Projeto de uma Constituição realista para o Brasil. In A Democracia e o Brasil, cit., p. 73.

[13] MENDES JÚNIOR, João, apud POLETTI, Ronaldo. A ideia brasileira de Império. In LAFER, Celso e FERRAZ JR., Tércio Sampaio (coords.). Direito, Política, Filosofia, Poesia (Estudos em Homenagem
ao Professor
Miguel Reale
no seu octogésimo aniversário
). São Paulo: Editora Saraiva, 1992, pp. 556-557.

[14] Idem, p. 557.

[15] POLETTI, Ronaldo. A ideia brasileira de Império. In LAFER, Celso e FERRAZ JR., Tércio Sampaio (coords.). Direito,
Política,
Filosofia, Poesia (Estudos em Homenagem
ao Professor
Miguel Reale
no seu octogésimo aniversário
), cit., p. 550.

[16] AMEAL, João. História de Portugal: Das origens até 1940. 3ª ed. Porto: Livraria Tavares Martins, 1949, p. 676.

[17] Idem, p. 685.

[18] Idem, pp. 685-686.

[19] BARROSO, Gustavo. Quinas e castelos. São Paulo: Companhia Editora Panorama, s/d, p. 153.

[20] Idem, p. 160.

[21] Idem, loc. cit.

[22] POLETTI, Ronaldo. A ideia brasileira de Império, cit., 549, nota.

[23] Idem, p. 551.

[24] D JOÃO VI, apud VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. História Geral do Brasil. Antes de sua separação e independência de Portugal. 10ª ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1981, v. 3, t. 5, p. 90.

[25] BARROSO, Gustavo. Quinas e castelos, cit., p. 171.

[26] LIMA, Oliveira. Formação histórica da nacionalidade brasileira. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 2001, p. 226.


 


 

Friday, November 27, 2009

Posição da Frente Integralista Brasileira a respeito da crise de Honduras

Nunca antes na História Pátria, o Governo se portou de forma tão contrária às nossas tradições e aos superiores interesses da Nação quanto na atual crise político-institucional enfrentada pela República de Honduras.

José Manuel Zelaya, ex-presidente hondurenho, colocou em marcha um golpe contra a Constituição e as instituições democráticas daquele país ao propor a reforma da Carta Magna, com o claro propósito de se perpetuar no poder, a exemplo de seu mestre, o ditador venezuelano Hugo Chávez, e de outros dois tiranetes: Evo Morales, da Bolívia, e Rafael Correa, do Equador.

José Manuel Zelaya perdeu o cargo por decisão da Justiça hondurenha por violar a Constituição, que, em seu artigo 239, declara que quem pretender introduzir a reeleição perderá o cargo e ficará inabilitado de exercer qualquer função pública por um prazo de dez anos. O artigo 242 da referida Carta Magna determina que, caso não haja vice, o presidente deve ser substituído pelo Parlamento.

Ademais, como observa o jurista Ives Gandra da Silva Martins, em artigo publicado no jornal Carta Forense deste mês de novembro, a "Lei Fundamental" hondurenha determina, em seu artigo 272, que as Forças Armadas devem preservar a Constituição e, no caso de Zelaya, "a pedido tanto do Parlamento quanto do Poder Judiciário, depuseram-no por ter convocado plebiscito para introduzir a reeleição, cuja proibição é cláusula pétrea".

Com efeito, no último dia 26 de junho, o Fiscal Geral da República de Honduras solicitou à Corte Suprema de Justiça uma ordem de captura contra Zelaya, acusado de traição à pátria, conspiração contra a forma de governo, abuso de autoridade e usurpação de função e a referida Corte, considerando procedentes as acusações, determinou a captura de Zelaya. Este, preso aos vinte e oito dias do referido mês, foi expulso do país e então o Congresso Nacional de Honduras, cumprindo a Constituição, empossou Roberto Micheletti como o novo presidente de Honduras, uma vez que o vice-presidente havia renunciado meses antes para ser candidato nas eleições de novembro.

Como sublinha o Professor Ives Gandra no aludido artigo, a democracia hondurenha impõe a alternância de poder, que os candidatos a ditadores como Zelaya não aceitam.

A deposição de Zelaya foi absolutamente constitucional, nada tendo de "golpe", uma vez que este descumprira a Constituição hondurenha, que prevê como pena, em tal caso, justamente a deposição. Foi o que, com efeito, reconheceu o insuspeito Professor Dalmo Dallari em artigo publicado na Folha de São Paulo a 03 de outubro próximo passado.

Havendo retornado a Honduras clandestinamente, certamente com o apoio de Hugo Chávez, José Manuel Zelaya se abrigou, juntamente com dezenas de asseclas seus, na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, de que fez seu palanque e quartel general, graças à complacência criminosa do Governo Lula, que não representa o nosso povo nem a nossa Tradição.

Mais do que isto, o atual Governo "Brasileiro", movido por convicções de natureza ideológica, vem defendendo de todas as formas o fracassado golpista Zelaya e sua camarilha, culpada de diversos atentados terroristas que visam desestabilizar o regime democrático hondurenho, ao mesmo tempo em que ataca virulentamente o governo interino, a que qualifica de "golpista". Tal posição é, lamentavelmente, também a da Organização dos Estados Americanos (OEA), que dirigida pelo socialista chileno José Miguel Insulza, defendeu o golpista fracassado e traidor da pátria José Manuel Zelaya e atacou o governo democrático interino de Honduras. Isto poucos meses após haver aprovado o retorno da brutal ditadura castrista de Cuba àquela organização.

A ação do Governo "Brasileiro" viola todas as nossas tradições diplomáticas e mesmo a Constituição Federal de 1988, que proíbe a intervenção em países estrangeiros e sustenta o princípio da livre determinação dos povos. O Barão do Rio Branco, maior diplomata que o Brasil já produziu, deve estar se rolando na tumba por conta da insólita e injustificável posição do Governo em face da crise de Honduras e o mesmo se pode dizer de Rui Barbosa, que, na Conferência de Haia, em 1907, fez triunfar a teoria da força do Direito contra aquela do direito da força.

A ação do Governo "Brasileiro" vai contra todas as nossas tradições cristãs, pacíficas, ordeiras e demófilas e beneficia tão somente aqueles que, vinte anos após a queda do funesto Muro de Berlim, sonham transformar a chamada América Latina em um novo Leste Europeu, implantando aquilo a que Chávez denomina o "socialismo do século XXI".

A Frente Integralista Brasileira (FIB) defende os valores tradicionais consubstanciados no lema "Deus, Pátria e Família", o Estado Ético, a Democracia Integral e a união moral, cultural, política e econômica de todos os povos do Mundo Hispânico, do qual o Brasil, bem como Portugal e as demais nações do Mundo Lusíada, são parte integrante, uma vez que a Hispânia corresponde a toda a chamada Península Ibérica e não apenas à atual Espanha. Por conseguinte, a Frente Integralista Brasileira se proclama contra a tentativa de golpe "esquerdista" de Zelaya, bem como contra todos os golpes que vem sofrendo a nação hondurenha pela nefasta ação de governos, organizações e órgãos da grande mídia internacional, apoiando as próximas eleições naquela pátria irmã e expressando os mais sinceros votos de que ela recupere a paz, a ordem, a prosperidade e o progresso.

Por derradeiro, a Frente Integralista Brasileira roga a Deus, Ser Supremo e Absoluto, princípio e fim último do Homem e dirigente dos destinos dos povos, que não permita o triunfo, em nossa América, dos defensores do nefasto credo do ódio, da violência, da luta de classes e da degeneração moral e social, assim como não permita que este vasto Império Cristão que é a Terra de Santa Cruz-Brasil continue sendo governado por indivíduos que o usam como instrumento de suas espúrias ideologias, o transformando em fonte de injustiças, de desordem e de desagregação.


 

São Paulo do Campo de Piratininga, 27 de novembro de 2009.

Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente da Frente Integralista Brasileira.